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Futebol na Rede

10/11/2009

O que pode fazer diferença num jogo de futebol

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HUMBERTO PERON
Colaboração para a Folha Online

Ainda bem que não inventaram uma fórmula exata que defina um vencedor numa partida de futebol. Por isso, o jogo se torna interessante e tão imprevisível. Mas, principalmente em jogos decisivos como estamos tendo agora no Campeonato Brasileiro, é bom ficar atento a certos aspectos --jogadores e técnicos preferem dizer detalhes-- que aumentam muito as possibilidades de vitória, principalmente quando estão em campo duas equipes equilibradas.

Bolas paradas

Eu, como amante do futebol bem jogado, com bola no chão e de toques, não gostaria de colocar esse tópico. Mas as jogadas de bolas paradas passaram a ter importância fundamental nas partidas. Sem exagero nenhum, atualmente, elas decidem as partidas tanto ou mais do que uma jogada individual ou numa boa troca de passes. Por isso é preciso ser muito eficiente quando o time ataca e criar um sistema para evitar que o adversário se aproveite desse tipo de jogada.

Nas jogadas de bolas paradas ofensivas é preciso que se tenha um jogador com uma capacidade extraordinária de bater na bola. Um jogador que deixe o adversário preocupado em qualquer cobrança nas imediações da área. Além de poder chutar direto ao gol a infração, ele tenha a capacidade de cruzar milimetricamente na cabeça do companheiro. Aí, os treinadores precisam treinar exaustivamente a movimentação dos seus atletas. Para isso, cabe aos técnicos que analisem os jogadores adversários que são melhores no jogo aéreo e que os cruzamentos sempre sejam feitos longe deles.

Na defesa, os métodos se invertem. É preciso tentar anular todas as possibilidades de jogadas ensaiadas do adversário. Também é fundamental que, além da marcação individual nos atacantes, cada equipe tenha dois ou três jogadores sem marcar ninguém, que possam se deslocar rapidamente para cortar o cruzamento. O famoso "agarra-agarra" pode não parecer, mas favorece mais os atacantes do que os defensores, já que os beques dificilmente conseguem ter espaço para se anteciparem e cortar os cruzamentos.

Pegar rebotes

Todo treinador afirma que um time precisa ter posse de bola para levar vantagem na partida. Por isso é obrigatório que o time recupere as bolas espirradas. Um time bem organizado em campo tem mais facilidade de pegar os rebotes, principalmente após a defesa afastar uma bola da área. Se você reparar bem, muitas equipes levam gols de contra-ataques após a cobrança de um escanteio ou uma falta lateral. Sem ter jogadores para pegar a bola espirrada eles se tornam vulneráveis, pois a distância entre os defensores e o resto da equipe é muito grande.

Uma equipe que pega mais rebotes vai ganhar também as jogadas de bola divididas, pois seus atletas vão chegar antes nas jogadas.

Ter um jogador rápido no ataque

Sem grandes armadores fica inviável se jogar com dois centroavantes fixos. Eles são facilmente marcados pelos zagueiros e volantes adversários. Por isso, atualmente se exige que um dos atacantes se desloque, com velocidade, pelos lados do campo para abrir espaços na defesa adversária. Também é importante ter um velocista nas jogadas de contra-ataques.

Mudar o estilo de jogo da equipe durante a partida

Não se insiste, principalmente quando o time está perdendo, que uma equipe continue jogando da mesma maneira. É preciso ser rápido e mudar o estilo durante a partida. Muitas vezes não precisa nem se fazer uma substituição. Adiantar a marcação, marcar a saída de bola do adversário, deslocar um meia para jogar no espaço entre os volantes e zagueiros adversários podem causar uma mudança no ritmo da partida.

As substituições devem trazer mudanças táticas nas equipes. Se não for por problemas de contusão, trocar um jogador por outro de mesma característica não vai mudar o andamento da partida. A alteração, para surtir efeito, precisa criar um fato novo.

Viradas de jogo constantes

Uma das melhores maneiras de surpreender e furar o bloqueio do adversário é a virada de bola. Um lançamento de um lado para o outro pega sempre um jogador livre e de frente, já que a marcação do adversário não acompanha o atleta que vem lá de trás e ele entra livre nas costas do lateral adversário. É uma jogada muito difícil de a defesa marcar, pois os defensores estão quase sempre acompanhando a bola.

Ter um alto aproveitamento nas finalizações

Os times têm poucas oportunidades numa partida. Por isso, se torna obrigatório que nas chances que o time crie ele faça o gol. Para que isso aconteça é preciso ter grandes artilheiros e trabalhar à exaustão finalizações. Para se fazer gol é preciso treinar --e muito.

Para muitos que acabaram de ler esses tópicos, pode parecer que só está escrito o óbvio, mas nessa reta final de Campeonato Brasileiro o que não falta é time que está perdendo por não fazer direito aspectos básicos do futebol.

Curtas

- Carlos Eugênio Simon diz que a TV não pegou a falta de Obina no lance do gol anulado do Palmeiras na partida contra o Fluminense. A resposta é simples. As câmeras não pegaram nenhuma irregularidade, porque não houve nada de errado.

- Fred está decidindo, mas é uma injustiça não destacar as atuações do jovem Maicon nessa reação do Fluminense

- O Corinthians está longe da briga do título. Mas é preciso fazer justiça, Ronaldo, desde que voltou a jogar após sua fratura na mão, está atuando muito bem.

- Nessas últimas rodadas a mala preta vai percorrer o Brasil. Não só na Série A como também na segundona.

- De um famoso corneteiro palmeirense: "Muricy vai conseguir dar o quarto título seguido ao São Paulo".

Até a próxima.

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Nunca acreditei que o Flamengo pudesse brigar pelo título do Campeonato Brasileiro, mas fui obrigado a mudar de opinião. O time se acertou durante o torneio, principalmente porque fez algumas contratações importantes. O clube foi feliz ao apostar em Petkovic e ao trazer os rodados Álvaro e Maldonado. Não se pode esquecer o excelente trabalho do técnico Andrade, que montou um time no tradicional e equilibrado 4-4-2 e acabou a dependência ofensiva que a equipe tinha dos avanços dos laterais Leonardo Moura e Juan. Também o Flamengo mostrou muita força nos momentos decisivos, quando conseguiu resultados importantes.

Se o Flamengo está em alta, também merece destaque o Vasco. O time já conseguiu voltar para a Série A. Um prêmio para a diretoria que conseguiu montar um time competitivo para disputar a segunda divisão e acreditou no trabalho do treinador Dorival Júnior. Agora, espera-se que o time mais organizado administrativamente --mas ainda com problemas como o salário atrasado de alguns funcionários do clube-- consiga montar um time forte no próximo ano e que o Vasco volte a ter o papel de protagonista do nosso futebol.

Humberto Luiz Peron, 41, é jornalista esportivo, especializado na cobertura de futebol, editor da revista "Monet" e colaborador do diário "Lance". Escreve para a
Folha Online às terças-feiras.

E-mail: futebolnarede@grupofolha.com.br

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