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Nutrição é Saúde

26/02/2002

Compulsão alimentar precisa de tratamento

ANDREA GALANTE
colunista da Folha Online

Importante é saber diferenciar se estamos ingerindo alimento por necessidade fisiológica, fome ou por compulsão. Preste atenção e repare quantas vezes você acaba comendo sem perceber realmente o que esta ingerindo.

Quando está com pressa, mal mastiga o alimento, não sente o sabor nem a textura, e acaba comendo muito mais do que o organismo necessita. E quando come com tristeza ou raiva, pode reparar que acaba temperando a refeição com esses sentimentos e também come além das necessidades.

Sempre oriento a descansar antes de realizar uma refeição, deixar os problemas de lado e alimentar-se saboreando o alimento. Outra boa dica é mastigar muito bem os alimentos e sair da mesa com a sensação de querer comer mais um pouquinho e, é claro, não comer. Com isso, quando acabar a refeição, não estará sentido que passou do limite.

Acho importante abordar o tema "distúrbios alimentares" e alertar que é necessário ajuda de profissionais especializados, pois isso é uma doença e tem cura. Por isso, quanto mais cedo se descobre o distúrbio alimentar, mais chance de sucesso tem o tratamento que, para apresentar um bom resultado, necessita envolver médicos, nutricionistas e psicólogos trabalhando em conjunto do paciente.

Os distúrbios alimentares podem ser divididos em três categorias: a anorexia, a bulimia e o transtorno de comer compulsivo. Eles são responsáveis por grande número de mortes em nosso país.

Anorexia: A anorexia nervosa se caracteriza basicamente por um medo exagerado de engordar, conseqüente manutenção de um peso abaixo do esperado para idade e altura. Recusa qualquer alimento. Afeta principalmente mulheres adolescentes e pode levar à morte por inanição ou parada cardíaca.

Os anoréxicos não alimentam-se em público, contam calorias consumidas e fazem exercícios de forma compulsiva. Sempre apresentam o peso muito abaixo do ideal e o mais difícil é quando se olham no espelho e se vêem gordos.

Apresentam muito medo de comer e engordar por mais magros que podem estar. Para ter idéia, uma mulher que tem seu peso ideal em 50 quilos, com 38 quilos se sente gorda.

Bulimia nervosa: Apresentam a compulsividade de comer, sentimento de falta de controle sobre o consumo alimentar durante o episódio em que devora os alimentos.

O doente de bulimia nervosa passa por surtos de ingestão excessiva de alimentos, mas, temendo engordar e para compensar os exageros, força o vômito, ou utiliza diuréticos e laxantes para compensar os excessos.

Os bulímicos exercitam-se compulsivamente e, em geral, mantêm o peso corporal em uma faixa normal.

Compulsão alimentar: O comportamento de compulsão alimentar, ou em inglês "binge eating", é definido por um excesso alimentar acompanhado de perda de controle. Comem sem perceber o que está comendo e, com isso, ingere uma quantidade incalculável de alimentos em um curto período de tempo.

Por consumirem quantidades absurdas de alimento, os doentes costumam alimentar-se sozinhos e, em seguida, sentem um enorme sentimento de culpa e depressão.

Normalmente são pessoas obesas que apresentam este distúrbio. E muitas vezes desconhecem que devem procurar tratamento e que não comem excessivamente por serem gordos "desavergonhados", mas sim por estarem doentes, precisando de ajuda.

Cuide-se e fique alerta para sua saúde. Nosso organismo sempre sinaliza quando precisa de tratamento.

Um grande abraço e saúde. Contatos podem ser feitos por e-mail (andrea.galante@uol.com.br) ou por telefone (0/xx/11/5051-2733 ou 5051-2752).

Faça o teste: Você sofre de compulsão alimentar?
Andrea Galante é mestre e doutora em Nutrição Humana Aplicada pela Universidade de São Paulo, e presidente da Associação Brasileira de Nutrição. Escreve quinzenalmente na Folha Online, às terças-feiras.

E-mail: andrea.galante@uol.com.br

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