Colunas

Quero Ser Mãe

16/01/2003

Espaço do leitor - parte 1

AGRADECIMENTOS

Querida Cláudia,

Desejo que o senhor Jesus possa abençoar a sua vida e de todos os seus familiares. Muita saúde, paz, harmonia e sucesso.

Que tudo o que você faz por todas nós os seres celestiais lhe dêem em dobro. Obrigada por reacender a chama da esperança em nossos corações.

Beijos e abraços,

Renata Oliveira

Resposta:

Oi Renata, obrigada pela mensagem e desculpe-me por não ter respondido antes. Vamos redobrar nossas esperanças e expectativas para este novo ano.

Abraços,

Cláudia Collucci


AGRADECIMENTO 2

Oi Cláudia!

Emoção pura... impossível não me transportar para a vida da Malu e desejar sentir o que ela está sentindo...

Cláudia... obrigada por tudo que você sempre nos proporcionou...

Fico eu pensando no que seria de mim sem ter pessoas iguais a você, as meninas do fórum e as amigas do meu grupo. O que a Malu e muitas que estão grávidas hoje sentem após tanto sofrimento eu senti também... Mistura de medo, com alegria... Aliás a alegria a gente esconde com medo de um novo sofrimento...

Me dói pensar que meu último filho nasceria em abril e que eu queria muito passar este Natal com ele dentro de mim...

Não foi possível, mas a esperança -esta nossa amiga esperança- continua aqui dentro de mim. Agora ela pode ser vista nos "milhões" de pontos cirúrgicos que estão em minha barriga... Operei e passarei o Natal assim... de molho... mas me preparando para tentar novamente no próximo ano... E isto é tudo hoje...

Optei por isto como uma forma de continuar na luta... e estou de volta à luta...

Eu também já estive no fundo do poço diversas vezes e você tem razão: chegando lá não tem saída, só o retorno, a borda... e a gente volta, e volta muito mais forte...

Cláudia, eu várias vezes chorei também ao ler os relatos do fórum... Quanta tristeza e quanta dor juntas, mas creio mesmo que nossa união tem feito a força e haverá sim recompensa.

Obrigada por você existir Cláudia...

Feliz Natal para você...

Beijos

Odete

Resposta:

Querida Odete, mais uma vez você me emociona muito com tanto carinho. Você é uma pessoa muito especial e tenho certeza de que em breve conseguirá realizar o sonho da maternidade. A sua participação na coluna e no fórum tem sido fundamental.

Beijos

Cláudia Collucci


CONTATO

Olá, Claudia,

lendo a coluna "Espaço do Leitor", de 7/11/2002, vi a mensagem da Gracylda Garcia, de Manaus, que diz querer trocar idéias comigo, pois como eu tem endometriose. Por isso, gostaria de pedir a gentileza de encaminhar meu e-mail à ela, para podermos nos ajudar nessa árdua batalha!

Muito obrigada, abraços

Renata da Costa

Resposta:

Oi Renata, espero que tenha recebido o e-mail anterior no qual enviei o endereço eletrônico da Gracylda.

Abraços,

Cláudia Collucci


MEDICINA NATURAL

Prezada Claudia,

Li teu artigo na Folha Online e achei interessante opinar, já que faço parte da legião de médicos que sempre acreditou que o importante é "tratar da saúde e não, apenas, da doença". Sou autor do livro "Mulheres e seus hormônios - Uma forma de retardar o envelhecimento" e nele faço uma explanação abrangente sobre a forma natural de se repor estrógenos e progesterona natural, da mesma forma que a natureza fez a mulher.

Fico à disposição para outras trocas de idéias, mas acho fundamental que pessoas como você batalhem para que se valorize mais o papel da natureza e da saúde.

Abraços e desejos de um Ano Novo cheio de SAÚDE e SUCESSO.

Sergio Vaisman

Resposta:

Sergio, obrigada pelo e-mail. Seria de muita utilidade se você pudesse nos informar sobre as alternativas naturais para a correção hormonal de mulheres com problemas de anovulação. Se quiser escrever um artigo sobre isso e nos enviar, fique à vontade.

Abraços,

Cláudia Collucci


MEDICINA NATURAL 2

Cláudia,

Tenho lido sua coluna algumas vezes e tenho visto a quantidade de mulheres que querem engravidar. Hoje eu estava lendo sobre a endometriose, as causas e como os médicos demoram para diagnosticar, o que foi o meu caso. Bem eu já engravidei uma vez, há quase 4 anos, e sofri um aborto. Desde então estou lutando para engravidar novamente. Só foi diagnosticado a cerca de 1 ano. Há mais de um ano tenho feito tratamentos. Fiz uma laparoscopia e constatou-se endometriose. Tomei Zoladez, sofri muitíssimo com os sintomas, depois tomei Serophene e ainda não consegui. O engraçado é que constatou-se uma trompa obstruída e a outra não, e realmente, tudo isso dá um desgaste terrível. Por isso, decidi não tomar mais esses medicamentos. São terríveis, pois além da ansiedade para ser mãe, os efeitos colaterais deixam a gente muito mal, e os medicamentos, no caso da FIV e da inseminação, são terríveis pelo que fiquei sabendo.

Eu queria perguntar uma coisa... você disse que a endometriose geralmente dá em mulheres ansiosas e estressadas -acho que é o meu caso. O que eu poderia fazer para melhorar este estado? Eu também tenho receio de doar meus óvulos. Penso na questão de serem utilizados de maneira errada e tudo isso. Também não consigo imaginar um filhinho meu andando por ai.

Gostaria de saber também se a medicina alternativa poderia me ajudar no caso da endometriose e para engravidar também, pois quero muito ser mamãe. Quer dizer, já fui uma vez, mas quero tê-lo em meus braços

Alexandra

Resposta do médico Sergio Vaisman:

Respondendo à questão da endometriose, posso dizer que se trata de um quadro clínico sério onde células do endométrio (camada interna do útero) são encontradas em locais onde não deveriam estar, tais como nas trompas, na superfície externa do útero e em outros órgãos pélvicos, como colo (intestino grosso), bexiga etc.

Em cada ciclo menstrual essas células respondem aos estímulos hormonais da mesma forma que as células normais, encontradas no endométrio. Elas aumentam de tamanho, dilatam-se com sangue e sangram nos tecidos vizinhos durante a menstruação. Esse sangramento é muito dolorido, pois causa reação inflamatória nas áreas acometidas. Os sintomas costumam aparecer de 7 a 12 dias antes do aparecimento da menstruação e a dor pode ser difusa, podendo causar desconforto no ato sexual e na evacuação intestinal, dependendo das áreas atingidas. O diagnóstico é difícil e não existe exame laboratorial capaz de detectar o problema.

As causas da endometriose não são bem conhecidas. Alguns autores consideram uma alteração que se inicia na formação embrionária. O tratamento da endometriose é complicado pela medicina tradicional e sem muito sucesso. As tentativas cirúrgicas de remoção das coleções de células do endométrio localizados fora do local correto tem apresentado sucesso temporário. Uma perspectiva de tratamento muito agressiva e desagradável é a da remoção dos ovários, útero e trompas, com a finalidade de reduzir ao máximo o efeito hormonal.
A gravidez geralmente retarda a progressão da doenças e, às vezes, pode levar à cura espontânea. Com base nesse fato, alguns tratamentos médicos costumam criar um estado de "pseudo-gravidez", com longos períodos de suplementação de progestinas (progesterona sintética). Infelizmente, são necessárias doses elevadas que são causadoras de frequentes efeitos colaterais.

Como alternativa, costumamos sugerir tratamento com PROGESTERONA NATURAL, e os resultados têm sido mais animadores. Como sabemos, o estrogênio dá início à proliferação de células do endométrio e à formação de acúmulo de vasos sanguíneos no endométrio. O objetivo desse tratamento é bloquear o estímulo mensal que o estrogênio causa nessas células anormais. A progesterona natural interrompe a proliferação dessas células. Aconselha-se o uso da progesterona natural sob forma de creme transdérmico (na pele) do 5º ao 28º dia do ciclo menstrual (ou de acordo com a duração do ciclo de cada mulher). As doses devem ser individualizadas até que se encontre a quantidade adequada para cada caso.

Esse tratamento requer paciência e, com o passar do tempo (3 a 4 meses), as dores vão diminuindo e o desconforto mensal se torna bem mais tolerável. A verdadeira cura da endometriose se dá com a menopausa.


PROBLEMAS DE IMPLANTAÇÃO

Prezada Cláudia,

Fizemos já duas tentativas pelo método ICSI, porém não obtivemos sucesso. Segundo nosso médico, os óvulos fecundados "não seguraram". Há alguma explicação para que esse fato ocorra, algo que esteja impedindo o sucesso da fertilização?

Gostaríamos de ter algum exemplo, dica etc... Já que este "não segurou", nos parece uma explicação muito vaga.

Atenciosamente

Francis

Resposta:

Francis, infelizmente, a implantação dos embriões no útero continua sendo um dos grandes desafios da medicina reprodutiva. Não há um consenso sobre o motivo que dificulta a implantação. Há algumas pesquisas, como uma da equipe da clínica Sinhá Junqueira, de Ribeirão Preto, que tentam encontrar o melhor lugar no útero para depositar os embriões.

No congresso de reprodução humana do ano passado eles apresentaram esse estudo mostrando que houve aumento de gravidezes com sucesso após a adoção de um lugar determinado no útero para a colocação dos embriões. Mas tudo isso ainda são pesquisas. A verdade é o que os médicos ainda não têm uma resposta concreta para isso.

Abraços,

Cláudia Collucci


ENDOCRINOLOGISTA

Oi Cláudia,
achei que seria legal eu contar um pouco da minha história, para talvez ajudar outras mulheres que passam pelo mesmo problema. Parece-me que, muitas vezes, quando queremos engravidar e não conseguimos, lembramos somente de consultar o ginecologista e desconhecemos a importância de procurar um endocrinologista.

Por isso, queria contar aqui a minha história (que está apenas começando), de muita idas a dermatologistas e ginecologistas, e até mesmo a um clínico geral...

Um grande beijo e um suuuper Ano Novo para você.

Daniela

"São mais de sete horas da manhã de domingo e estou aqui sofrendo para conseguir dormir por causa de um problema de saúde que me incomoda há alguns anos e somente há uma semana começou a ser descoberto pela nova médica que consultei. Ela ainda não me medicou pois preciso fazer inúmeros exames que estarão prontos somente em janeiro.

Queria te contar a minha história para ver se relaxo um pouco enquanto espero os exames e retorno à endocrinologista. Desculpe-me pelo e-mail enorme, e aqui começo a contar uma história que somente agora parece que vai ser solucionada.

Estou tentando engravidar há somente 10 meses e tenho percebido que às vezes recebemos diagnósticos que nos deixam mais confusas! Tenho 31 anos e há uns 4 comecei a sofrer de acne. Depois de passar por vários dermatologistas e não obter nenhum resultado satisfatório, resolvi conviver com o problema. Todos indicavam um monte de loções e diziam: "você deve ter ovários policísticos".

Há dois anos e meio procurei um renomado clínico geral de São Paulo me queixando de que eu urinava muito à noite antes de dormir. Parecia loucura: a vontade de ir ao banheiro, sem parar, só acontecia quando eu estava deitada para dormir. Durante o dia não sentia essa vontade louca de urinar! O médico me disse que era ansiedade e por isso a vontade ocorria somente na hora de dormir. Ele me receitou um ansiolítico para dormir, que eu tomei por um tempo e depois parei me conformando com o problema.

Repare bem: não é incontinência urinária e sim uma vontade louca, que só aparece quando estou DEITADA, assim acabo fazendo o percurso quarto/banheiro umas trinta vezes, sem parar. É sério, juro que não estou mentindo!

Um ginecologista, há uns três anos, me disse que isso poderia ser um começo de cistite e me receitou um remédio para tal problema, que acabou não sendo resolvido. Mais uma vez, conformei-me com o problema.

Depois em uma outra noite, quando não conseguia dormir porque precisava ir ao banheiro sem parar, pedi ao meu marido que me levasse ao pronto-socorro, para ver se melhorava. Foi aquela consulta rápida de pronto-socorro, e depois de exames de urina e sangue, o médico me disse que deveria ser um começo de cistite (ah não! mais uma vez eles falaram nessa maldita cistite!), que ainda não estava aparecendo no exame de sangue.

Tinha certeza de que não era cistite pois não sentia dor ao urinar e, por isso, nem tomei o antibiótico que ele me receitou. Alguns dias depois eu menstruei e tudo melhorou!

Há um ano e meio fui ao ginecologista e depois de fazer uma ultra-sonografia o ginecologista percebeu um pólipo no meu útero e disse que eu sofria de ovários policísticos. Ele me aconselhou a tratar somente com anticoncepacional, enquanto eu não pretendesse engravidar.

Quase um ano depois (em julho de 2002), já querendo engravidar, pedi ao médico para fazer exames e ver se estava tudo bem. O resultado foi a prolactina acima do normal. Achei melhor mudar de ginecologista e procurar um médico particular (o que nem sempre quer dizer que será melhor). O novo médico me disse que eu não tinha a síndrome de ovários policísiticos e sim que eu tive alguns cistos, mas que tudo já estava bem. Ele me disse que a taxa de prolactina um pouco elevada não era um problema grave (depois de ler o e-mail da Paty tive a impressão de que alguns médicos ginecologistas realmente não se importam com a taxa de prolactina alta!!!!).

Outra coisa importante que me aconteceu é que desde o início de 2002, quando me casei, eu venho engordando sem parar! Apesar de eu não ter mudado tanto assim os meus hábitos alimentares, eu achei que o fato de estar casada, com uma vida estável, era a razão de eu engordado 10 quilos em 2002. Engordei exatamente um quilo por mês durante o ano de 2002, e os dois ginecologistas que eu consultei nesse ano me disseram para fazer uma dieta e exercícios. Disseram somente isso. Um deles também me disse que era por causa do casamento e o outro (que não atende convênio e tem um super consultório nos Jardins) que era porque depois dos 30 a gente tem mais tendência para engordar. Meu Deus, por que nenhum deles não me falou para consultar um endocrinologista? Tudo bem que quando eu os consultei eu só tinha engordado uns seis, sete quilos em sete meses...

Também disse para esse último ginecologista que eu consultei que a cada mês a minha menstruação demorava mais para vir, e que em cada período pré-menstrual eu ficava mais inchada. A menstruação estava vindo a cada 35, 38 dias, e até mesmo 40 dias, e no passado o meu ciclo durava exatos 28 dias! E eu inchava cada vez mais, de um modo que nunca me ocorreu no passado.

Bom, esse ginecologista me disse para fazer regime, exercícios e me receitou um remédio para baixar a prolactina! Também me disse que emagrecendo talvez a taxa de prolactina abaixasse.

Ele me disse para ficar sossegada que eu engravidaria a qualquer momento! Depois de 10 meses de tentativas (e alguns exames feitos pelo meu marido, que estavam ok) resolvi ir a uma endocrinologista!

Primeira notícia: ela me disse que não podemos tomar um remédio para abaixar a prolactina sem antes descobrir por que ela está acima do normal. A endocrinologista também me disse que esse meu aumento excessivo de peso, os ovários policístos, e essa vontade desesperadora de urinar quando estou deitada, deveriam estar relacionados. Enfim, ela descartou completamente o problema de urinar somente quando estou deitada com a ansiedade. Ela me explicou qual é o motivo de eu ter vontade somente quando estou deitada (admito que na hora eu fiquei tão preocupada e assustada que não entendi direito a explicação). E mesmo a acne poderia estar relacionada a todos esses problemas.

Enfim, pude constatar o seguinte: os dermatologistas, os ginecologistas, que consultei em nenhum momento me aconselharam a procurar um endocrinologista.

A endocrinologista me pediu inúmeros exames para checar hormônios, ultra-sonografia da tireóide, (e até um exame para checar a minha função renal) que não tinham sido pedidos até então!!! E o mais importante: ela ME DISSE QUE DEVIDO AO MEU PROBLEMA HORMONAL EU NÃO CONSEGUI (E NÃO CONSEGUIRIA) ENGRAVIDAR ATÉ AGORA. Imaginem se eu tivesse esperado 1 ano, 1 ano e meio, tentando engravidar (que é o tempo considerado normal pelos médicos para engravidar)? Iria demorar muito mais tempo para saber que eu precisava consultar um endocrinologista.

Agora, preciso esperar alguns dias para terminarem os efeitos do remédio para baixar a prolactina, indicado pelo ginecologista, e então começar os exames para a endocrinologista.

O meu grande erro foi não contar para esse último ginecologista (que me parece bom, apesar de ele ter dado uma certa mancada comigo) o problema de eu urinar tanto justamente durante a TPM. Acho que também tenho certa culpa de não ter ligado antes o problema da urina em excesso com a TPM, os tais ovários policísticos, a taxa alta de prolactina e até mesmo a acne!

Enfim, agora depois de 10 meses tentando engravidar sem sucesso, por insistência da minha mãe fui a um endocrinologista! A única coisa que posso fazer é esperar acabarem os efeitos desse remédio para baixar a prolactina (que acontecerá exatamente entre o Natal e Ano Novo), fazer os exames e ouvir o diagnóstico dessa endocrinologista, que me pareceu realmente de uma enorme competência.

Pelas coisas que eu tenho lido na internet sobre hipotiroidismo, às vezes acho que é esse o meu problema. Por isso, depois de ler o e-mail da Paty na coluna do dia 19/12 pensei em escrever para você.

Enquanto não sei qual é a minha doença, tento conviver com um inchaço que me torna parecida com uma grávida de uns quatro, cinco meses, e com essa vontade louca de fazer xixi quando estou deitada. Aliás, o fato de estar aqui sentada diante do computador até me fez bem, diminuindo o meu vaivém entre o quarto e banheiro...

Cláudia, muito obrigada por você ter criado esse espaço maravilhoso na Folha Online, saiba que realmente você nos ajuda a vermos que não somos a única com dificuldade para engravidar.

Um grande beijo, Feliz Natal e um ótimo Ano Novo, e saiba que ter descoberto a sua coluna foi uma das melhores coisas que já aconteceram na minha vida. Pois de um jeito ou de outro, ela me ajudou a investigar a fundo por que eu não tinha engravidado ainda em somente 10 meses de tentativas. E o mais importante foi ter descoberto que eu devo ter algo na tireóide, ou em outra glândula (sei lá, eu nunca fui boa em biologia...), que está atrapalhando profundamente toda a minha vida.

De novo, um grande beijo para você,

Dani

Resposta:

Dani,

Obrigada pelo seu relato e boa sorte na tua investigação.

Beijos

Cláudia


GRAVIDEZ

Cláudia,

Escrevo este e-mail para sanar uma dúvida que talvez seja pura encanação de minha cabeça.

É o seguinte.

Minha namorada toma desde julho a pílula anticoncepcional mercilon. Durante este tempo todo mantivemos relação sem preservativo, porém, na hora da ejaculação eu sempre o colocava.

Bom, neste mês, janeiro, marcamos uma viagem para a praia. E a data marcada iria coincidir com o período de pausa da pílula e com a menstruação de minha namorada.

Para evitar isso, ela parou de tomar a pílula três dias antes, portanto, na cartela sobraram 3 pílulas. A menstruação veio depois de 2 dias de pausa. Ela ficou 4 dias menstruada, hoje é o quinto dia e ela já não está mais. E hoje, a gente teve relação, porém, naquele mesmo esquema: um tempo sem preservativo e na hora de ejacular, preservativo.

Depois ela me disse que hoje é o dia em que ela estaria fértil.

Minha duvida então é: dada a situação acima, há um risco de minha namorada engravidar?

Obs. Ela recomeçará uma nova cartela amanhã

Aguardo um retorno

Grato

Luciano

Resposta:

Luciano, pelo seu relato, teoricamente, não haveria risco porque você estava de camisinha na hora da ejaculação. Essa é a única certeza porque, em relação à menstruação, conheço relatos de pessoas que engravidaram menstruadas. São essas peças que natureza nos pregam. Boa sorte.

Abraços,

Cláudia Collucci


DESABAFO

Conheci sua coluna no site da Folha Online. Eu estava muito precisando conversar e ouvir (no caso da internet, ler) sobre pessoas que estão passando pelos mesmos sofrimentos, angústias, dor, sensação de incapacidade, de impotência, de extrema dor, sensação de vazio e tantos outros adjetivos.

Tenho 30 anos e no ano de 2002 passei por dois abortos espontâneos. O primeiro foi em fevereiro e o outro em dezembro. Tive dois momentos que achei que eram os mais felizes da minha vida. O primeiro foi quando soube que estava grávida pela primeira vez, entre o Natal e o Ano Novo. Achei que Papai Noel tinha ouvido minhas preces.

Na segunda gravidez que ocorreu em outubro mesmo, com muitos medos, achei que passaria um Natal maravilhoso. A primeira foi traumática, pois eu estava com 11 semanas. Tive contrações e tive que ficar no hospital o dia todo. A segunda, perdi com 5 semanas com um grande corrimento. Nas duas vezes tive de tomar injeção pois o tipo sanguíneo é RH negativo.

Hoje, após um mês, me sinto mudada, não sou mais aquela pessoa alegre que era. Minhas esperanças estão se acabando. Prometi para mim mesma que eu só tentaria mais uma vez. O desgaste emocional é tanto que antes de tentar outra vez eu irei fazer um acompanhamento psicológico para me reestruturar como pessoa, pois me sinto muito fragmentada.

Se dessa vez não der certo, eu adotarei uma criança. Desculpe o desabafo. Todas que já passaram por isso sabem que é muito duro aguentar tudo isso sem ter uma pessoa que te entenda.

Gostaria de me comunicar com pessoas que queiram conversar sobre o assunto. Pode dar o meu e-mail.

Janaina

Resposta:

Janaina, acho que você deveria consultar um especialista para saber o motivo desses abortos recorrentes. Você sabe que, se o problema for de ordem imunológica, existem vacinas a partir do sangue do seu marido que têm dado bons resultados.

Elas são indicadas para mulheres que tiveram dois ou mais abortos espontâneos do mesmo parceiro.

Nas clínicas particulares, o tratamento custa em média R$ 2.000. No Caism (Centro de Atenção Integral à Saúde da Mulher) da Unicamp, o tratamento é gratuito, mas não há vagas até março do próximo ano. Informações no tel. 0/xx/19/3788-9331.

Espero que as informações sejam úteis a você. Paralelamente a isso, acesse o fórum de infertilidade na Folha Online (não sei se te mandei um e-mail falando dele). Há pessoas muito bacanas que já passam por problemas bem semelhantes ao seu. Clique
Ainda dentro do útero, a estrutura e as funções dos organismos dos dois gêmeos univitelinos começam a divergir de forma irreversível, de tal modo que, quando eles nascem, e mais ainda, quando crescem até a vida adulta, tornam-se duas pessoas distintas, cada uma com sua personalidade, trajetória de vida e memórias. E porque ocorre isso? O cérebro é o maior fator de diferenciação dos gêmeos univitelinos, pois ele se desenvolve de formas distintas, dependendo de sua interação com as situações, circunstâncias e estímulos ambientais ao longo da vida. Os gêmeos geralmente ainda compartilham a mesma época de crescimento e o mesmo ambiente. Um filho clonado supostamente terá um curso de vida radicalmente diferente e isso, evidentemente terá repercussão sobre seu comportamento, personalidade, memória, emoções, etc. Enfim, penso que apesar da similaridade genômica, não dá para comparar gêmeos univitelinos com clones e achar que é a mesma coisa. A gravidez gemelar é um evento natural. A clonagem humana, do ponto de vista biológico, é um desastre (no caso da Dolly, mais de 200 fetos foram abortados para ter um exemplar supostamente sadio).

Espero ter te ajudado.

Beijos,

Cláudia

PS - Ah! Para a clonagem é preciso de óvulo sim. Segue o link para você entender melhor isso (clique
aqui para ler.


ACUPUNTURA

Olá Cláudia, gostaria de saber se a Dora pode indicar alguém que faça acupuntura em Niterói, RJ. Gostaria de saber também em qual site posso comprar o ovu quick ou o clear plan (similar vendido no Brasil, porém mais caro).

Desde já agradeço.

Maria

Resposta:

Maria, devo encontrar a Dora na próxima semana, quando ela retorna das férias. Sobre ovu quick, acho que o ideal seria você perguntar para as meninas do grupo de discussão (tem o link na minha página). Tempos atrás, vi uma mensagem sobre esse assunto.

Abraços,

Cláudia


HOSPITAIS

Li sua reportagem sobre fertilização artificial... Gostaria de receber maiores informações sobre hospitais no Rio de Janeiro que fazem fertilização gratuita.

Obrigado,

Ana Paula

Resposta:

Ana, não tenho conhecimento de nenhum hospital que realize FIV grátis no Rio de Janeiro.

Pelo o que sei, o único que realiza o procedimento totalmente grátis é o Pérola Byngton, em São Paulo. Ainda assim, as filas de espera ultrapassam um ano.

Entre no grupo de discussão e pergunte às meninas se elas conhecem algum lugar no Rio.

Abraços e boa sorte,

Cláudia


INVESTIGAÇÃO

Tenho 27 anos e meu marido 33. Fizemos alguns exames como espermograma e eu, prolactina e para saber se estou ovulando. O resultado deu que estou ovulando e meu marido com os espermas Ok.

Há 9 meses ando nessa angústia, pois quero engravidar e não consigo. Tudo o que vejo são crianças e mulheres grávidas. No começo estava super ligada no assunto, agora tento me distrair, mas sofro quando vem a menstruação.

É angustiante e triste. Pois tenho medo de não poder engravidar. Por mais que eu me desligue, não tem como pois é uma coisa que estamos tentando há tempo...

Obrigada por enquanto,

Glaucia Tavares

Resposta:

Oi Gláucia, pelo que você relatou, ainda faltam muitos exames para saber se realmente não há problemas impedindo a gravidez. Além dos fatores hormonais, é preciso investigar se as suas trompas não estão obstruídas (isso é feito por um exame chamado histerossalpingografia), se o seu muco cervical não mata os espermatozóides quando eles passam pelo canal cervical, enfim, a investigação deve ser bastante longa e feita por especialistas.

Muitas vezes, os casais perdem um tempo precioso em razão de uma investigação malfeita. Mas lembre-se de que qualquer investigação de infertilidade deve começar após um ano de tentativas frustradas. O seu tempo de espera ainda está dentro da normalidade.

Sei que não é fácil, mas tente se tranquilizar

Abraços,

Cláudia


LIVRO

Gostaria de saber se seu livro está em todas as livrarias.

Obrigada

Elaine

Resposta:

Elaine, infelizmente a primeira edição está praticamente esgotada e a editora ainda não lançou a segunda. Por enquanto, se você tiver interesse, pode comprar pelo site da editora:
www.palavramagica.com.br/mae.htm

Abraços,

Cláudia


PERDAS

Olá Cláudia, primeiramente quero dizer-lhe que é um prazer escrever a você. Quem me falou sobre você foi a Odete, que é do meu grupo unidas pela dor. Escrevi com o intuito de ver se você pode me ajudar em meu tratamento.

Bem, como já disse, chamo-me Denize, tenho 23 anos e há 3 anos estou casada. Moro aqui em Belém (Pará). Bem no alto! Sempre quis ser mãe e minha jornada começou há três anos. Não consigo ter meu bebê. Já fiz todos os exames e cada resultado é um martírio. Meu sonho vai escorrendo pelos meus dedos e isso me dá um desespero... Se vocês pudessem, por um instante, ver o que está dentro de mim, perceberiam o quanto fico infeliz...

Tenho de ser forte, esconder a fraqueza e me mostrar confiante com sorrisos e dizendo que está tudo bem! O que adianta... se à noite me descubro chorando baixinho para não acordar meu marido. Quando o vejo dormindo sinto quanto o amo... E o quanto sou impotente. Ele não me cobra e nem me culpa. Ah! A minha angustia é não poder dar o que ele mais deseja... Já engravidei nas duas tentativas das inseminações, infelizmente perdi quatro nenês com quatro semanas em abril de 2002 e 1 com três semanas agora, em agosto, no Dia dos Pais... Uma semana antes do aniversário do Lúcius, meu marido! Esse seria seu melhor presente... Ninguém conseguiu entender minha dor, aliás, ninguém entende.

Não sabia que existiam tantas mulheres sofrendo como eu... Já cansei de rezar, Deus já deve estar farto de minha preces e até de meus "por quês"...

Bem... Agora mudei de médico, e ele me passou uma série de exames horríveis como a HSG! Que coisa horrível! Estou com trauma até hoje! Mas graças a Deus deu tudo legal! O meu único problema "aparente" são os cistos que tenho no ovário (medem de 2 a 12mm). Confesso que estou com medo, mas pelo menos acho que haverá solução para meu problema.

O meu médico atual acha que não precisarei fazer inseminações e meu tratamento será apenas clínico... Isso me deixou muito feliz, pois já sofri muito com injeções fora de hora etc.. O outro médico pedia para eu esperar a menstruação para tomar o clomid, seguido de pergonal e o profasi... sem saber qual era o meu problema e eu, ingênua, fiquei cheia de ódio. Agora é partir para frente e esquecer o passado e, em breve, espero poder contar uma história maravilhosa para vocês...

Antes eu estava muito ansiosa e cada menstruação para mim era um aborto. Entrava em depressão e chorava dia e noite. Hoje estou forte e rezo muito. Isso me dá força para seguir em frente! Tem dia que amanheço triste, mas logo melhoro... Aprendi "tentar" aceitar que ainda não chegou minha hora e vou seguindo...

Já fiz, no total, duas induções. Na verdade, em nenhuma delas obtive resultados bons! Na primeira tentativa, em novembro, ele me passou o Puregon 50. Foram 5 ampolas aplicada nos dias 06, 08, 10, 12 e 14 de novembro (no quinto dia de menstruação). No décimo quarto dia do ciclo fui fazer o ultra-som, mas os folículos estavam medindo:

Ovário direito: 6, (2), (3) 8mm.
Ovário esquerdo: (4) 8mm.

Presença de múltiplo folículos medindo entre 4 e 5mm em ambos ovários.

Endométrio 5,6mm de espessura.

Meu médico mandou repetir no dia 16/11 para ver se eu poderia tomar o profasi, mas tal foi minha surpresa quando o médico do laboratório disse que eles haviam rompido!

Repeti novamente a indução agora em dezembro, o médico passou a mesma medicação, só que menstruei no dia 21 de dezembro e comecei a tomar Puregon no dia 23/12 até dia 27 em dias seguidos, fui fazer a ultra-som no dia 02/01 e o resultado foi:

Endométrio medindo 7mm de espessura, de aspecto homogêneo, linear e cogênico.

Ovário direito medindo 38X33x25mm, com 10 folículos com diâmetros variando de 4 a 10mm. Ovário esquerdo medindo 32X32X21mm, com 15 folículos com diâmetro variando entre 5 e 10mm. Ausência de líquido livre na pelve.

O médico achou que estavam pequenos e mandou repetir a Ultra no dia 04/01 e o resultado foi: endométrio medindo 8,1mm de espessura, de aspecto homogêneo, linear e ecogênico. Ovário direito apresenta folículos de 9,2 e (11) entre 5 a 7mm. Ovário esquerdo apresenta folículos de 9 e (8) entre 5 a 7mm Ausência de líquido livre na pelve. O que queria saber é porque não ovulo? E também com que tamanho os folículos devem está para uma indução de ovulação?

Se possível queria sabe mais sobre o Cloridrato de Metformina, dizem que ele é eficiente no combate de ovários policisticos. E por último quais as chances de um pessoa nestas condições engravidar? O meu médico vai mudar de medicação mês que vem, disse que vai passar o Pergonal 75...Deixa que já tome em 5 ou 6 ciclos...Procurei a minha receitas de como o outro médico passou para mostrar para ele, mesmo que ele não queira ver!. te juro amiga, tomei as ampolas de todos os jeitos que se possa imaginar! Antes de tomar o segundo Puregon ele me disse: 'Você irá tomar o Puregon dia sim dia não' e eu dei um pulo da cadeira e falei!: De novo?, ai ele disse:se não der certo passarei na PRÓXIMA vez dias contínuos! De tanto que reclamei ele mudou,não adiantou, mas pelo menos eu falei!
Poxa! eu sei que não irá dar certo, pois você sabe com o tempo conhecemos o nosso corpo, às vezes me dá vontade de fazer as coisas por conta própria, porque agente quer de um jeito eles não cedem! Acho que eles ficam assustados, pois vamos ao Consultório .desesperado, Obrigada pela atenção

Denize

Resposta do médico Eduardo Motta

Bom dia Denize. Meu nome é Eduardo Motta e fui escalado pela Cláudia para tentar lhe ajudar. Antes de mais nada, gostaria de salientar que você é muito jovem, o que em termos gerais nos ajuda bastante. Logo, fique certa de que você irá engravidar, porém, obviamente precisamos antes saber exatamente onde está seu problema.

Por sua carta, parece que você tem uma dificuldade ovulatória (pelos tratamentos realizados), que poderia explicar os 2 abortos, uma vez que as mulheres que tem dificuldades para ovular também têm uma maior incidência de alteração na formação destes óvulos e posteriormente do embrião justificando o aborto.

Isto não quer dizer que você tenha esta propensão para abortar, mas sim o fator que lhe causa esta dificuldade para engravidar (resolvido este problema, suas chances são iguais a de qualquer mulher fértil).

Assim, o primeiro passo é saber realmente qual o motivo de sua dificuldade. O segundo passo seria avaliar se por acaso não temos algo a mais, logo, em geral, fazemos uma série de avaliações para detectar problemas imunológicos, genéticos e de outros órgãos como tireóide e diabete (aqui vamos dosar a insulina e ver a necessidade da metformida). Se tudo isto der negativo, vamos voltar ao estímulo ovulatório.

Neste caso, o único detalhe é que você tem de considerar que algumas mulheres por terem os ovários muito "bons" como parece ser seu caso, também necessitam de doses maiores de remédios. Infelizmente, é verdade, mas como disse se acharmos seu ponto ideal, "pimba", você está grávida.

Por fim Denize, diria ainda que senti muito seu sofrimento. Às vezes, dizemos que é uma dor na "alma" aquilo que as mulheres sentem e talvez fosse interessante você dividir com alguém. Em nossa experiência, um acompanhamento psicológico ajuda muito, pois esta pessoa pode lhe dar este conforto não tão técnico quanto do seu médico, mas a confiança que precisamos.

Boa sorte,

Eduardo Motta


CHANCES NA FIV

Querida Cláudia,

Estou com uma dúvida. Muitos médicos dizem que uma mulher de até 30 anos tem 65% a 70% de chances de engravidar em até 3 tentativas de FIV.

Gostaria de saber se isso vale para os embriões congelados ou apenas para os embriões frescos?

Tenho 25 anos e estou partindo para minha segunda tentativa com embriões congelados. Quais são as minhas chances de sucesso?

Aguardo resposta,

beijos

Viviane

Resposta do médico Eduardo Motta:

Prezada Viviane,

Bom dia. Ajudo a Cláudia na coluna e vamos ver se consigo lhe ajudar também.

O processo de fertilização in vitro tem apresentado sensíveis melhoras nos dias de hoje. Assim, um bom Centro de Reprodução Humana tem resultados de 40% a 50% de gravidez por tentativa em mulheres de 30 anos. Seguindo esta lógica, em 3 tentativas você terá uma chance acumulada de algo próximo a 90%.

Mas este pensamento não vale como um novo ciclo para os embriões congelados. De maneira geral, você deve considerar que o congelamento por si só é uma etapa a mais de manipulação no laboratório e com seus riscos inerentes. Porém, o problema maior não é este. Temos de considerar que no ciclo fresco escolhemos os melhores para recolocar no útero e deixamos os "teoricamente não tão desenvolvidos para congelar, e com os melhores você não engravidou, mostrando que o ciclo não foi tão proveitoso assim. Lógico que este critério de escolha é subjetivo, mas se for verdadeiro, os embriões congelados teriam um potencial menor (mais etapas laboratoriais e menor qualidade). Por isso, as chances caem um pouco. Se você tivesse engravidado, o pensamento seria inverso. Aquele ciclo inicial foi muito bom e com os congelados você tem um mesmo "lote" daquele ciclo positivo e com resultados comprovados e teria chances maiores que uma mulher que porventura estivesse iniciando um novo ciclo na sua idade. Entendeu!!??

Abraços e boa sorte,

Eduardo Motta


CICLOPRIMOGYNA

Olá Cláudia,

Meu nome é Rinara. Nunca entrei em nenhum fórum, simplesmente te descobri depois de procurar algum assunto sobre o medicamento Cicloprimogyna. Li alguns depoimentos de pessoas que, como eu, passam por tratamentos dolorosos e cansativos.

Sou casada há 12 anos e há 6 anos estou tentando engravidar. Já fiz quase tudo que li nos depoimentos e enquanto lia sentia na pele o sofrimento de cada uma, pois só quem passa por isso é que sente a dor da outra pessoa, enquanto lia chorava muito.

Estou passando por uma fase menos estressada com relação a este assunto, tento pensar menos possível, mas às vezes é difícil pois a vontade de ter um filho é muito grande.

Estou fazendo um tratamento há três meses tomando cicloprimogyna e clomid e neste mês minha menstruação está atrasada há 12 dias, já fiz o exame mas deu negativo. Como adquiri peso com todos estes tratamentos, andei tomando alguns comprimidos naturais para emagrecer e também alcachofra composta, gostaria que algum especialista me dissesse se pode ter relação o atraso com estes remédios para emagrecer. Tenho muito medo de fazer outro exame e dar negativo novamente.

Agradeço desde já pela resposta


Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida


Prezada Sra.

O cicloprimogyna é uma medicação composta de estrogênio e progesterona, utilizada para mulheres com ciclos irregulares, principalmente em mulheres na pré-menopausa. Sua ação ocorre diretamente no endométrio (revestimento interno do útero), simulando os efeitos naturais dos hormônios ovarianos. Assim, não apresenta nenhum benefício para mulheres com desejo de gravidez, uma vez que não atua sobre os ovários. De fato sua ação assemelha-se muito à dos anticoncepcionais.

O clomid é um antiestrogênio que atua sobre o organismo feminino induzindo a hipófise a produzir uma maior quantidade de hormônio folículo estimulante (FSH), que é o hormônio natural que estimula o crescimento folicular. Assim, seu efeito direto é sobre os ovários, estimulando mulheres que habitualmente não ovulam, a conseguir um crescimento folicular e consequentemente uma ovulação. Mulheres que tem ovulação normalmente, e que usam o clomid, podem ter um maior número de folículos em desenvolvimento. Como o clomid funciona somente como estimulante do crescimento folicular, algumas vezes o folículo pode não romper pela falta do hormônio luteinizante (LH), isto é, não ovular. Assim, forma-se o que chamamos de cisto folicular. Não ocorrendo a ovulação, não haverá a ação da progesterona sobre o endométrio e conseqüentemente poderá ocorrer o atraso menstrual.

Não acredito que os medicamentos naturais sejam a causa do atraso menstrual. O mais provável é a não ovulação associada à presença do cisto folicular.

Selmo Geber


SÍNDROME DOS OVÁRIOS POLICÍSTICOS

Tenho 28 anos, menstruação irregular, 60 dias mais ou menos, e já sofri 2 abortos espontâneos. Meu diagnóstico é SOP e a gravidez não evoluiu a partir de 5 ou 6 semanas. Como a ovulação é irregular, faço o controle de temperatura e muco.

As duas vezes que tentei engravidar deram certo, uma em outubro do ano passado e agora em novembro, mas não evoluíram. Meu médico não achou que eu deveria tomar progesterona, eu também não sei se este é o caso, porque embora a gravidez não esteja evoluindo, minha temperatura continua alta e ainda não tive sangramento, meu único sintoma é o desaparecimento dos sintomas de gravidez e ausência de batimento cardíaco do feto.

Acho que o aborto fica retido porque não está relacionado com ausência de progesterona, mas na realidade não sei.

Queria saber se você conhece algum caso como o meu, se tem alguma recomendação, enfim qualquer idéa será bem vinda!!

Muito obrigada

Luciane

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida


Prezada Sra.

A perda gestacional é uma situação que ocorre habitualmente em aproximadamente 20% das gestações de mulheres novas. Assim, uma perda gestacional isolada pode ser somente uma questão de estatística ou falta de sorte, que geralmente está associada a alguma alteração isolada, seja ela por fator embrionário (alteração cromossômica, por exemplo) ou fator uterino. Assim, uma mulher com história de uma perda gestacional não apresenta maior probabilidade de ter outra perda, comparada com a população em geral.

Nos casos em que ocorrem 3 perdas gestacionais sucessivas acreditamos que existe algum fator que esteja diretamente relacionado a elas, aumentando assim a chance de um novo episódio. Estes casos são chamados de "aborto habitual" ou perda gestacional de repetição.

Assim, quando um casal apresenta esta situação, é importante se realizar uma avaliação completa para tentar se descobrir o motivo das perdas. Em nossa rotina, iniciamos esta avaliação quando o casal apresenta 2 perdas consecutivas (não esperamos a 3a).

Podemos separar a avaliação em 4 partes: anatômica, genética, imunológica e hormonal. A avaliação anatômica é feita para se observar se a cavidade uterina não apresenta nenhuma falha que poderia interferir com o processo de implantação e desenvolvimento. Na avaliação genética observamos se qualquer um dos cônjuges apresenta alguma alteração cromossômica que poderia comprometer diretamente os cromossomos do óvulo ou espermatozóide e conseqüentemente o embrião. Com relação ao fator imunológico, algumas mulheres apresentam um aumento de alguns anticorpos que podem estar relacionados ao aumento de chance de perda gestacional. Por fim, podemos avaliar a produção de hormônios como a Prolactina e o TSH que podem estar envolvidos com as perdas gestacionais. Com relação à progesterona, a sua dosagem no sangue é muito pouco conclusiva, assim, quando existe a dúvida, é mais fácil se proceder à suplementação na fase lútea, procedimento realizado de rotina em diversos centros de reprodução, quando se realizam tratamento de infertilidade (indução da ovulação por exemplo). Por ser uma medicação que não interfere com o desenvolvimento do embrião, nem causa efeitos colaterais importantes para a mãe, seu uso é feito para se evitar que uma possível oscilação ou queda em seus níveis possam interferir na evolução da gravidez.


DISTROFIA MUSCULAR

Querida Claudia,

Estou num dilema muito grande. Vou contar um pouco da minha história e ver se você pode me dar uma luz!

Meu nome é Rosana, tenho 29 anos e sou casada há 2 anos. Engravidei aos 16 anos (foi um erro de percurso da adolescência - nada programado). Hoje meu filho é muito querido por mim e meu marido. Ele está com 12 anos porém tem Distrofia Muscular de Duchenne (doença rara, genética, recessiva do cromossomo X, só dá em meninos e é progressiva - ele entrou na cadeira de rodas aos 7 anos e seu desenvolvimento cerebral é normal - tanto que vai p/ a 6a. série na ecola, porém a perspectiva de vida é até os 18 anos +/-).

Então, posso vir a ter outros filhos, se forem meninos, com o mesmo problema. No entanto, como estou casada há apenas 2 anos, estamos pensando seriamente em ter outro filho.

Mas, além do problema da Distrofia Muscular, quando meu menino tinha 5 meses de idade, tive que me submeter a uma cirurgia, onde foi retirado o ovário direito por causa de um cisto. Portanto só possuo o esquerdo.

Além disso, tenho casos de menopausa precoce na família: Minha avó entrou na menopausa aos 30 anos e minha mãe aos 28 anos. Como se não bastasse, acabei de fazer exames de rotina e foi detectado Hipotireoidismo.

Minha ginecologista acha que eu deveria tentar engravidar logo, pois ela considera 3 anos de espera (o que a gente planejava p/ engravidar) muito tempo - apesar das dosagens hormonais estarem normais (POR ENQUANTO!).

Tenho muito medo de ter outro filho com o mesmo problema - além disso, nossa situação financeira, no momento, não nos permite ter outra criança. Porém, a vontade de ter um bebê é grande (até porque o meu marido não tem um filho dele - apesar de ter adotado legalmente e de coração o meu filho).

Tenho muitas dúvidas, não sei o que fazer. Meu marido diz que se não pudermos ter outros filhos tudo bem, porque já temos um. Mas sei que ele só fala isso para me acalmar e me agradar e para mim não está tudo bem. Não penso em adotar porque ele já adotou o meu filho, além disso, tenho muita vontade de estar grávida, para poder curtir tudo o que não pude da 1a.vez. Poder olhar para minha barriga e gostar do meu corpo, comprar roupas de gestante, ter vontades e enjôos porque da 1a. vez nem minha vontades eu podia satisfazer já que morava c/ minha mãe e ela não aceitava aquela situação. Enjôos, então, nem pensar - se acontecia tinha que ser escondido.

O que você acha de tudo isso? O que faço? Como convenço meu marido de que esse seria o momento? E o risco da doença? E a menopausa precoce?

Me ajude!!!

Obrigada

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Prezada Sra.

O problema do DMD, conforme você já sabe, é uma doença ligada ao X. A melhor alternativa para se evitar esta doença é o tratamento com diagnóstico genético pré implantação. Neste tratamento, realizamos uma fertilização in vitro para termos os embriões em laboratório e assim podermos retirar uma célula de cada um deles, quando possuem 8 células. Cada célula retirada é então examinada para avaliarmos a presença da doença ou sexo. Posteriormente os embriões sem a doença, ou com o sexo específico, serão transferidos para o útero. Uma vez grávida, o feto não será portador da doença diagnosticada. Por ser necessária a Fertilização in vitro para o diagnóstico pré implantação, ele estará aumentando a chance de gravidez.

Com relação ao hipotiroidismo, o tratamento é clínico, não apresentando muita dificuldade. A menopausa precoce é difícil de ser prevista, mas como existe história familiar positiva, devemos considerar sua possibilidade. Assim, o ideal é não retardar demais a gestação.


ENDOMETRIOSE

Boa noite, Cláudia

Meu nome é Monica e sempre leio sua coluna. Por favor, me auxilie. Eu fiz uma videolaparoscopia e o resultado foi grau 2 qual será o tratamento para o grau 2. Será que eu poderei engravidar? Estava com 1 endometriona no ovário esquerdo (cisto 2cm) e fócos no abdome.

Estou tomando pílula direto e logo saberei qual será o tratamento e o grau da doença após a biopsia. As trompas, útero e ovário direito não tinham nada. Por favor, se você puder ver pra mim todas as informações possíveis e impossíveis, para que eu fique mais esclarecida sobre esta doença, eu ficarei muito grata!

Um abraço

Monica

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

A endometriose é uma situação em que algumas células do endométrio se implantam fora de seu lugar normal. Podem se localizar nos ovários, peritôneo entre outros. Se as trompas estão livres e permeáveis e não existe nenhum fator diretamente impedindo o funcionamento normal dos órgãos em teoria você possui chance de gravidez mesmo sem tratamento.

Existe, também uma possível associação entre a presença da endometriose com a dificuldade de gravidez, mesmo sem que haja alteração anatômica. Diversos estudos demonstraram esta associação, sem que, entretanto haja uma confirmação, até o momento se existe de fato uma correlação de causa / efeito direta. O que ocorre é que muitas vezes as duas situações (infertilidade e endometriose) coexistam na mesma paciente, assim, existe uma tendência a se tentar explicar uma situação pela presença da outra.

Nos casos de desejo de gravidez e infertilidade, associada a presença de endometriose é importante que o tratamento seja voltado para a queixa da paciente, isto é, o desejo de gravidez. Diversos tipos de tratamento objetivando a eliminação do foco de endometriose irão também impedir que a gravidez ocorra, indo assim, contra o desejo principal do casal (uso de progesterona / Danazol / Gestrinona etc).

Em nossa opinião o importante é aumentar a probabilidade de que ocorra uma gestação. Se já foram decorridos 12 meses e a gravidez não aconteceu, e se a mulher tiver menos de 35 anos, pode-se iniciar com uma indução da ovulação associada a coito programado. Se após 4 ciclos a gravidez ainda não acontecer, indicamos então uma FIV.


ACIDEZ VAGINAL

Meu nome é Lilian. Tenho 28 anos, sou casada há 5 anos e não estou conseguindo engravidar. Em 98 tive uma gravidez tubaria e agora só tenho uma trompa. O meu médico disse que não teria nenhum problema para engravidar. Só que já faz 3 anos que estou tentando, já fiz vários exames -histerosalpingografia, histeroscopia, laparoscopia e teste pós-coito .

O médico disse que eu estou matando os espermatozoides devido problema de acidez vaginal gostaria de saber se a tratamento para isso? Pois ele disse que somente uma inseminação artificial ,pois não tenho condições de fazer.

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Todo casal exposto a 12 meses de tentativas de gravidez e que a mulher tem menos de 35 anos, tem uma chance aproximada de 85% de gravidez. Se a mesma não ocorrer, significa que existe algum fator que está reduzindo esta chance. Sua história de gravidez ectópica com perda de uma trompa pode responder a esta redução. Não existe até o momento nenhum estudo científico que confirmou que a acidez vaginal seria responsável por infertilidade. O mais provável é que o fator tubáreo seja o responsável pela diminuição da chance. Este fator pode ser tanto o que levou você a ter a gravidez tubárea ou ter surgido após a cirurgia. Como você é muito nova e já ficou grávida uma vez (ainda que tenha sido na trompa), o seu prognóstico para ter uma outra gestação é excelente.


EXCESSO DE PROLACTINA

Olá Cláudia!

Tenho quase 32 anos e estou ficando insegura com o fato de existirem tantos obstáculos para engravidar. Há uns 7 anos tive ovário policístico e a médica receitou o anticoncepcional Diane 35 como tratamento, tomei por alguns anos. Estou menstruando a cada 3 semanas no máximo desde que parei de tomar o anticoncepcional no final do ano passado. E há 2 anos foi constatado excesso de prolactina, estou tratando com Dostinex. Fora isso, estou em dia com os exames de sangue e papanicolau. Preciso saber onde pode estar a maior dificuldade para engravidar e o que pode estar acontecendo.

Obrigada,

aguardo sua resposta,

abraços

Karine

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Os principais fatores que podem interferir para reduzir as chances de gravidez são: uterino, tubáreo, ovariano e masculino. Assim, é importante realizar uma histerosalpingografia para avaliar o útero e as trompas e fazer um espermograma. Com relação ao fator ovariano, provavelmente sua ovulação é normal uma vez que seu ciclo é regular. Para a elevação de Prolactina seu medicamento está bem adequado. Uma vez feitos estes exames podem surgir algumas respostas. De todo jeito, em alguns casos (10%) você não terá respostas. É o que chamamos de infertilidade de causa desconhecida. Você é bem jovem e não deverá ter dificuldade para obter uma gravidez.

Selmo Geber


RELAÇÕES SEXUAIS

Cláudia,

Gostaria de saber se no caso de manter relação sexual todos os dias durante o período fértil não há o enfraquecimento do espermatozóide para a fertilização?

Atenciosamente,

Marcelo

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Os espermatozóides se mantêm aptos a fertilizar um óvulo dentro do organismo feminino por até 48 horas, e o óvulo é fertilizável por 24 horas. Assim, não existe uma preocupação de que relações sexuais seguidas possam diminuir a chance de gravidez. Geralmente solicitamos um intervalo de 2 a 5 dias sem relação sexual quando precisamos avaliar o sêmen (espermograma) ou para realizar algum tratamento (inseminação intra uterina), pois aí teremos o máximo.

Selmo Geber


VARICOCELE

Oi, Cláudia!

Tudo bem? Meu nome é Cláudia e é a segunda vez que escrevo para você. Tenho 31 anos e meu marido, 35. Estamos tentando ter um bebê há um ano. Meu marido havia feito um espermograma há uns seis meses atrás e o resultado foi tudo normal, indicando uma quantidade de espermatozóides de 60 milhões/ml, com vitalidade e viabilidade normais, dentro dos padrões de referência indicados. Havia apenas uma pequena alteração na motilidade, com a indicação de astenospermia relativa. O meu médico havia passado um complexo vitamínico com zinco para a melhora do esperma dele, mas pelo visto não deu muito resultado. Semana passada ele fez uma ultrassonografia na bolsa escrotal e um novo espermograma, agora em um laboratório de melhor qualidade. O resultado da ultrassom foi indicativa de varicocele com diâmetro de 4mm. Quanto ao espermograma, os números foram péssimos, pois deu um resultado de 2,7 milhões/ml (quando o mínimo é de 20 milhões/ml), um percentual baixíssimo de espermatozóides normais de 2% (o mínimo, segundo Krugel é de 14%), um alto índice de espermatozóides anormais (79%) e ainda deu uma motilidade de 28% que é abaixo da mínima (30%). Foi feito um novo espermograma, mas os números praticamente mantiveram-se, notando apenas uma melhora na quantidade (12 milhões, mas ainda abaixo do mínimo que é de 20 milhões) e na morfologia de Krueger, que passou de 2 para 3%. Também foi feita uma dosagem hormonal que detectou baixos níveis de testosterona (161ng/100ml, quando o normal é de 250 a 800) e prolactina acima do normal (13ng/ml, quando o normal é de 2,3 a 11,5). O LH e o FSH estão dentro das referências.

Gostaria que você encaminhasse os questionamentos abaixo a um especialista:

1. É possível uma mudança tão radical na qualidade e quantidade dos
espermatozóides no interregno de apenas seis meses? Ou será que o 1o.
resultado foi errado?

2. Há relação entre a varicocele e esses resultados péssimos? Há relação
entre o desequilíbrio da testosterona e da prolactina com a deficiente
produção de espermatozóides?

3. A cirurgia de varicocele pode reverter essa situação, aumentando o número
e qualidade dos espermatozóides? Em quanto tempo se pode verificar uma
melhora?

4. Será necessário uma reposição hormonal inicialmente ou isso deve ser
feito conjuntamente com uma eventual cirurgia da varicocele?

5. Quais as possibilidades de concepção natural, sem auxílio de técnicas de
reprodução assistida?

6. Qual a técnica aplicável ao nosso caso, considerando que todos os exames
que eu já fiz deram todos normais (hormônios, ultra-som, histerosalpingografia, pós-coito)? Pode-se tentar uma inseminação ou só a ICSI com a FIV dão chances de concepção, tendo em vista o pequeno número de espermatozóides normais que ele produz?

Obrigada mais uma vez pela atenção e pelo excelente serviço de ajuda que tem prestado a tantas pessoas que passam por situações difíceis como a minha.

Claudia

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

1- Realmente num intervalo de tempo tão curto, uma redução tão drástica, principalmente na porcentagem de formas normais, é pouco provável. O mais comum é uma variação de laboratório, talvez uma diferença de experiência.

2- Uma alteração hormonal importante pode interferir na produção espermática, algumas vezes reduzindo a concentração, mas não interfere com a redução (importante) das formas. Com relação à varicocele, esta não interfere com os resultados.

3- A cirurgia não vai melhorar os resultados apresentados. Não recomendo.

4- A reposição hormonal não vai melhorar a porcentagem de formas normais, não aumentando assim a chance de gravidez. Pode talvez melhorar outro item do espermograma, mas é pouco provável de aumentar de fato a chance de gravidez.

5- A chance habitual mensal de uma gestação em mulheres com menos de 35 anos e sem alterações é de 20%. Com estes resultados de espermograma só é possível dizer que a probabilidade é menor, mas o valor exato é difícil estimar.

6- Pela pequena proporção de espermatozóides com formas normais, a indicação mais adequada é a ICSI. Uma FIV clássica pode levar uma alta taxa de óvulos não fertilizados e comprometer o número final de embriões disponíveis para transferência e consequentemente a chance de gravidez.

Selmo Geber

ESPERMATOZÓIDE

Bom dia Cláudia,

Gostaria de saber qual o tempo de vida de um espermatozóide fora do corpo humano... Há propósito tb gostaria de saber o que faço para engravidar novamente já que tomei por 02 anos um anticoncepcional injetável e não mais tenho menstruação...E agora???

Beijos

Cíntia Buaretto

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Sabemos que dentro do corpo o espermatozóide é capaz de fecundar um óvulo por aproximadamente 48 horas. Do lado de fora, nossa experiência é relativa à fertilização in vitro, e aí o ideal que o contato seja feito até 5 horas após a ejaculação. Aleatoriamente a chance existe se o tempo for maior, mas será inferior quanto maior for o tempo. Se for somente para saber quanto tempo o espermatozóide fica vivo, independente de sua capacidade de fertilizar, podemos encontrar espermatozóides vivos até 48 horas depois do ejaculado.

O primeiro passo é descobrir o motivo de sua menstruação não ter retornado, e isto vai variar de acordo com cada pessoa, idade etc...

Selmo Geber

CLOMID

Bom dia Cláudia.

Gostaria de saber se o remédio clomid pode trazer alguma ma formação para
o feto.

Aguardo resposta.

Obrigada.

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Se você ler a bula da medicação ela vai assustar muito mais do que os números reais. Na verdade o uso do clomid não aumenta a probabilidade de ocorrer uma má formação. São duas situações que podem acontecer coincidentemente, por isso a bula diz tanto sobre o assunto. Como muitas mulheres usam esta medicação, e ficam grávidas o número pode aumentar, porém sem que isso signifique em aumento de probabilidade.

Selmo Geber

RESERVA OVARIANA

Oi Cláudia

Estou com uma dúvida e pensei em você pra me ajudar. Fiz os exames hormonais -FSH, LH e Estradiol- e como ainda não fui ao médico, queria a opinião de algum especialista. Pode me ajudar? A intenção ao fazer o exame era saber minha reserva ovariana. Informo também que menstruo regularmente, com 28 dias de ciclo, e este exame foi feito antes de eu me submeter a uma miomectomia, que segundo o cirurgião me removeu 8 miomas. Após a cirurgia já menstruei...

Fiz o exame no 4.º dia do meu ciclo, e os resultados foram os seguintes:
FSH = 10,45 mIU/ml
LH = 4,90 mIU/ml
Estradiol = 40,77 pg/ml

A curiosidade está me matando, por isto peço sua ajuda...

Obrigada

Um grande beijo

Odete

Resposta do médico Selmo Geber, da clínica Origem, de Belo Horizonte, e atual presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida

Boa tarde!

Para concluirmos que existe uma boa reserva ovariana, o FSH deverá estar bem baixo, associado a uma, também baixa dosagem de estradiol. Idealmente o FSH inferior a 15 (12 segundo outro critério) é suficiente para que os ovários respondam à indução da ovulação e que você fique grávida. Como o seu resultado foi de 10,4 e o estradiol foi baixo, significa que seus ovários responderão bem ao estímulo. É importante também saber sua idade.

Selmo Geber

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Cláudia Collucci, repórter da Folha de S. Paulo, é mestre em História da Ciência pela PUC-SP e autora dos livros "Por que a gravidez não vem?", da editora Atheneu, e "Quero ser Mãe", da editora Palavra Mágica. Escreve quinzenalmente na Folha Online.

E-mail: claudiacollucci@uol.com.br

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