Quero Ser Mãe
29/07/2004
colunista da Folha Online
Depois de uma sumida de três semanas, cá estou eu novamente tentando dar conta de responder os inúmeros e-mails acumulados e trazer para vocês algumas considerações sobre este mundo da reprodução.
Dois fatos têm me causado preocupação: primeiro são os famosos "chás para mioma", feitos à base da casca de uxi-amarelo e unha-de-gato, considerados poderosos antiinflamatórios naturais. A combinação das duas plantas também fortaleceria o sistema imunológico e é recurso no tratamento de tumores benignos, como é o caso do mioma.
O médico Afrânio Melo Lins garante 90% das pacientes que utilizaram os chás tiveram resultado satisfatório em relação aos miomas. Já a grande maioria dos ginecologistas vêem com cetismo o chá porque não há comprovação científica dos seus efeitos na visão da chamada medicina baseada em evidências.
Não vou discutir aqui a validade ou não dos chás porque, confesso, falta-me conhecimento sobre ele. O que é fato, confirmado pelo próprio Afrânio Lins, é que o chá afina o endométrio e, portanto, não deve ser utilizado por mulheres que estejam tentando engravidar porque, nessas condições, não há implantação do embrião. Também está contra-indicado para as grávidas porque existe um efeito citotóxico no feto.
Alheias a isso, muitas mulheres estão tomando indiscriminadamente o chá sem saber que, com ele, estão afastando ainda mais as chances de gravidez. Mais do que isso: a auto-medicação, ainda que por meio de plantas medicinais, é muito perigosa e deve ser evitada, especialmente por mulheres que tentam uma gravidez.
Mas acho incrível a vulnerabilidade de muitas mulheres nesse processo. Basta uma pessoas dizer que engravidou com tal tratamento que uma multidão quer tomar o mesmo remédio na esperança de engravidar também. Isso é uma ilusão perigosa, acreditem nisso. Cada corpo é um corpo. Cada um de nós têm respostas diferente frente a qualquer tratamento.
Amigas, não há mágicas nesse processo. Se estão encontrando dificuldades de gravidez (mais de um ano tentativas frustradas sem usar nenhum método anticoncepcional), conversem com os seus ginecologistas e peçam uma investigação criteriosa, considerando sua idade. Também fiquem atentas ao procurar uma clínica de fertilização. É fundamental a realização desses exames antes da indicação de qualquer procedimento de reprodução assistida.
A seguir, vou relatar, com a ajuda da dra. Cláudia Gazzo, os exames básicos que precisam ser feitos para investigar a infertilidade:
1 - histerossalpingografia (RX das tubas uterinas) para avaliação da permeabilidade tubária, ou seja, constatar a presença ou não de tubas abertas e pérvias;
2 - ultra-som transvaginal para excluir algum problema uterino, como miomas;
3 - dosagens hormonais (no sangue), se a paciente apresenta ciclos menstruais irregulares, tais como FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, além de S-DHEA, testosterona total, 17-OH-progesterona se tem sinais de hiperandrogenismo (aumento de pêlos em regiões do corpo consideradas anormais, como queixo, braço, região sacral das costas, além de acne, pele oleosa e queda de cabelos); curva de insulina associada à curva de glicemia a cada meia hora, até o tempo de 120 minutos -se a mulher for obesa com irregularidade menstrual, e/ou, se apresentar manchas escuras na face interna das coxas, ou pescoço e axilas
4- A histeroscopia (endoscopia do útero), se houver alguma anormalidade ao ultra-som. Para a avaliação da endometriose, que pode manifestar-se com sintomas como cólicas menstruais fortes e piora progressiva com o passar dos anos, com dor na profundidade vaginal durante o ato sexual, com infertilidade sem dor, ou com os sintomas citados associados. Na ausência de achados que justifiquem uma infertilidade conjugal, também está indicada a laparoscopia (procedimento cirúrgico que requer anestesia e serve para olhar dentro do abdome e, se preciso for, operar algum problema encontrado no ato cirúrgico, tal como a endometriose).
Outro exame muito importante é o espermograma do marido, que em geral, é pedido junto com as investigações iniciais da mulher.
Aliado a isso tudo, é fundamental que vocês estejam centradas e procurem controlar a ansiedade. Seja por meio de acupuntura, yoga ou terapia psicológica. Tudo isso ajuda muito no equilíbrio emocional. Força, coragem e muita luz no caminho de todas vocês.
*
A Corplus realiza palestra sobre infertilidade no próximo dia 10/8, das 19h30 às 21h, na Clínica Prof. J.A.Pinotti (av. Brasil, 622). Inscrições gratuitas pelo www.corplus.com.br.
PARTICIPE COM OUTROS INTERNAUTAS DO FÓRUM DE INFERTILIDADE
Chás e miomas
CLÁUDIA COLLUCCIcolunista da Folha Online
Depois de uma sumida de três semanas, cá estou eu novamente tentando dar conta de responder os inúmeros e-mails acumulados e trazer para vocês algumas considerações sobre este mundo da reprodução.
Dois fatos têm me causado preocupação: primeiro são os famosos "chás para mioma", feitos à base da casca de uxi-amarelo e unha-de-gato, considerados poderosos antiinflamatórios naturais. A combinação das duas plantas também fortaleceria o sistema imunológico e é recurso no tratamento de tumores benignos, como é o caso do mioma.
O médico Afrânio Melo Lins garante 90% das pacientes que utilizaram os chás tiveram resultado satisfatório em relação aos miomas. Já a grande maioria dos ginecologistas vêem com cetismo o chá porque não há comprovação científica dos seus efeitos na visão da chamada medicina baseada em evidências.
Não vou discutir aqui a validade ou não dos chás porque, confesso, falta-me conhecimento sobre ele. O que é fato, confirmado pelo próprio Afrânio Lins, é que o chá afina o endométrio e, portanto, não deve ser utilizado por mulheres que estejam tentando engravidar porque, nessas condições, não há implantação do embrião. Também está contra-indicado para as grávidas porque existe um efeito citotóxico no feto.
Alheias a isso, muitas mulheres estão tomando indiscriminadamente o chá sem saber que, com ele, estão afastando ainda mais as chances de gravidez. Mais do que isso: a auto-medicação, ainda que por meio de plantas medicinais, é muito perigosa e deve ser evitada, especialmente por mulheres que tentam uma gravidez.
Mas acho incrível a vulnerabilidade de muitas mulheres nesse processo. Basta uma pessoas dizer que engravidou com tal tratamento que uma multidão quer tomar o mesmo remédio na esperança de engravidar também. Isso é uma ilusão perigosa, acreditem nisso. Cada corpo é um corpo. Cada um de nós têm respostas diferente frente a qualquer tratamento.
Amigas, não há mágicas nesse processo. Se estão encontrando dificuldades de gravidez (mais de um ano tentativas frustradas sem usar nenhum método anticoncepcional), conversem com os seus ginecologistas e peçam uma investigação criteriosa, considerando sua idade. Também fiquem atentas ao procurar uma clínica de fertilização. É fundamental a realização desses exames antes da indicação de qualquer procedimento de reprodução assistida.
A seguir, vou relatar, com a ajuda da dra. Cláudia Gazzo, os exames básicos que precisam ser feitos para investigar a infertilidade:
1 - histerossalpingografia (RX das tubas uterinas) para avaliação da permeabilidade tubária, ou seja, constatar a presença ou não de tubas abertas e pérvias;
2 - ultra-som transvaginal para excluir algum problema uterino, como miomas;
3 - dosagens hormonais (no sangue), se a paciente apresenta ciclos menstruais irregulares, tais como FSH, LH, estradiol, prolactina, TSH, além de S-DHEA, testosterona total, 17-OH-progesterona se tem sinais de hiperandrogenismo (aumento de pêlos em regiões do corpo consideradas anormais, como queixo, braço, região sacral das costas, além de acne, pele oleosa e queda de cabelos); curva de insulina associada à curva de glicemia a cada meia hora, até o tempo de 120 minutos -se a mulher for obesa com irregularidade menstrual, e/ou, se apresentar manchas escuras na face interna das coxas, ou pescoço e axilas
4- A histeroscopia (endoscopia do útero), se houver alguma anormalidade ao ultra-som. Para a avaliação da endometriose, que pode manifestar-se com sintomas como cólicas menstruais fortes e piora progressiva com o passar dos anos, com dor na profundidade vaginal durante o ato sexual, com infertilidade sem dor, ou com os sintomas citados associados. Na ausência de achados que justifiquem uma infertilidade conjugal, também está indicada a laparoscopia (procedimento cirúrgico que requer anestesia e serve para olhar dentro do abdome e, se preciso for, operar algum problema encontrado no ato cirúrgico, tal como a endometriose).
Outro exame muito importante é o espermograma do marido, que em geral, é pedido junto com as investigações iniciais da mulher.
Aliado a isso tudo, é fundamental que vocês estejam centradas e procurem controlar a ansiedade. Seja por meio de acupuntura, yoga ou terapia psicológica. Tudo isso ajuda muito no equilíbrio emocional. Força, coragem e muita luz no caminho de todas vocês.
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A Corplus realiza palestra sobre infertilidade no próximo dia 10/8, das 19h30 às 21h, na Clínica Prof. J.A.Pinotti (av. Brasil, 622). Inscrições gratuitas pelo www.corplus.com.br.
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Cláudia Collucci, repórter da Folha de S. Paulo, é mestre em História da Ciência pela PUC-SP e autora dos livros "Por que a gravidez não vem?", da editora Atheneu, e "Quero ser Mãe", da editora Palavra Mágica. Escreve quinzenalmente na Folha Online. E-mail: claudiacollucci@uol.com.br |
