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Quero Ser Mãe

16/08/2001

Espaço dos leitores

Trompas obstruídas

"Tenho 36 anos e estou tentando engravidar há três. Este ano comecei a investigar seriamente essa demora e descobri, depois de fazer uma histerossalpingografia, que minhas duas trompas estão obstruídas. Minha médica indicou uma laparoscopia, o que devo fazer nos próximos dias. A minha dúvida é a seguinte: essa intervenção é capaz de desobstruir totalmente as trompas. Existem estatísticas que mostram qual o percentual de sucesso desses procedimentos? Sei que cada caso é um caso e que, com apenas essas informações e sem conhecer o meu histórico médico, fica difícil opinar. Mas agradeceria muito se vcs me informassem é se a laparoscopia resolve esses casos ou se o meu caminho será procurar uma clínica de reprodução?"
Ana Luísa de Sousa, Curitiba (PR)

Respostas:

  • Oi, Ana Luísa, ouvimos dois especialistas em reprodução sobre o seu caso. Seguem abaixo as orientações deles:
    Um abraço e boa sorte,
    Cláudia Collucci

  • Cara Ana Luísa, a obstrução das trompas pode ter muitas causas. Realizar uma laparoscopia é um procedimento correto pois, com este exame, o diagnóstico de obstrução pode ser confirmado. Em algumas situações como aderências nas trompas, a laparoscopia pode resolver. Dependendo então do local da obstrução e das condições locais dos ovários e do útero, pode ser que haja necessidade de recorrer às técnicas de reprodução assistida. De qualquer forma, a indicação da laparoscopia foi adequadamente feita.

    Um forte abraço,
    Dr. Edson Borges Jr.
    Web site: www.fertility.com.br
    E-mail: edson@fertility.com.br

  • A conduta está correta, a decisão depende da paciente querer ou não ser submetida a uma laparoscopia.

    As estatísticas de gravidez após desobstrução tubária são variáveis e dependem da localização e grau da lesão tubária.
    As técnicas de reprodução assistida devem atingir algo entre 25% a 35% de sucesso nessa faixa etária."

    Atenciosamente,
    Dr. José Gonçalves Franco Junior
    Web site: http://www.crh.com.br/
    E-mail: franco@highnet.com.br

    Aderência nas trompas

    "Estou com 44 anos, tenho aderência nas trompas (diagnóstico de dez anos atrás) e meu marido baixo número de espermatozóides. A prescrição do médico foi a seguinte:

    1- cirurgia de histerocospia -com a idade, o canal que leva ao útero se estreita e dificulta a inseminação (vai arrastar material orgânico prejudicial ao embrião). Fiz essa cirurgia semana passada no Hospital Santa Izabel ( R$ 5.000,00, anestesia geral)

    2- Início do tratamento - FIV com ICSI, mês que vem (custo total ainda não sei). Devido à urgência, ele
    dispensou exames de dosagem hormonal,etc. Há quase 10 anos atrás eu já havia iniciado os primeiros exames para investigar infertilidade. Meu marido ficou desempregado e desisti de tudo. Hoje, a vida está um pouco mais estável financeiramente, mas em compensação a idade dificulta tudo. Meu marido diz que sou maluca. Estou no meio de uma tese de mestrado ( tb adiada muitas vezes) e o momento não é dos mais propícios para um desafio. Minha principal preocupação é saber se posso me sentir segura sobre o tratamento."
    Benedita Maria, São José dos Campos (SP)

    Respostas:

  • Cara Sra. Benedita Maria,

    A probabilidade de gestação está diretamente relacionada com a idade da
    mulher. Isto é, após os 38 anos a mulher passa a ter cada vez menos chance para engravidar, independentemente do uso ou não de técnicas de medicina reprodutiva.

    Creio que no seu caso, uma investigação hormonal poderia melhorar o
    conhecimento sobre suas reais chances de engravidar.

    Atenciosamente,
    Dr. Edson Borges Jr.
    Web site: www.fertility.com.br
    E-mail: edson@fertility.com.br

  • "Infelizmente, nesse caso fica difícil responder, pois na verdade é uma consulta clássica, onde uma discussão sobre a eficiência dos tratamentos de FIV e a razão custo/benefício devem ser discutida pessoalmente com os envolvidos."

    Dr. José Gonçalves Franco Junior
    Web site: http://www.crh.com.br/
    E-mail: franco@highnet.com.br

    FIV aos 19 anos

    "Olá escritora... fiquei muito feliz em saber que têm pessoas competentes, capazes de fazer um livro tão maravilhoso como o seu. Eu ainda não tive o privilegio de lê-lo, mas soube que ele é maravilhoso...

    Eu vou contar à senhora um pouquinho do meu drama e sofrimento...Meu nome é Elisangela, estou com 19 anos, me casei com 16 anos e nosso maior sonho, do meu marido e o meu, era ter um filho. O tempo foi passando e nada... até que resolvemos procurar um especialista em reprodução humana, e, após alguns exames, descobrimos que meu marido não poderia ter filhos...Eu quase morri nesse dia eu pensei até em me matar...

    Então esse médico nos disse que nosso único jeito era realizar uma inseminação artificial com o sêmen de doador e que eu iria engravidar porque, graças a Deus, eu não tinha problema algum. Mais tudo era muito caro, meu marido trabalha como motoboy e nós não tínhamos condições de realizar essa inseminação artificial.. Então esse tão maravilhoso médico resolver nos ajudar baixando tudo pela metade.

    Cada inseminação sairia em torno de 1.500 (mil e quinhentos reais). Fizemos das tripas coração e então em agosto do ano passado eu consegui fazer a inseminação, que, infelizmente, não deu certo. Fizemos mais duas outras que também não deram certo...Mmeu médico, vendo nosso sofrimento, que já era aparente, resolveu nos ajudar mais ainda.. e nos encaixou em uma espécie de banco de trocas.

    Eu, como sou muito nova e tenho óvulos bons, doaria para uma paciente anonimamente e essa paciente arcaria com todas as despesas de uma FIV (fertilização in vitro). Foi isso que aconteceu. Eu tomei muitíssimos remédios e consegui o total de 18 óvulos que foram fertilizados no laboratorio e, depois, foram transferidos 4 embriões para o meu útero.

    Graças a Deus, no dia 26 de julho veio a maior noticia de minha vida: eu estou grávida de quatro semanas. Mas estou com medo porque corro sérios riscos de aborto e tenho que manter repouso total. Essa é minha história...

    Após quatro tentativas, consegui engravidar e acho que sou a paciente mais nova a realizar essa FIV. Confesso à senhora que não desejo isso à minha maior inimiga porque dói demais. Ainda mais para mim que não tenho condiçoes financeiras."
    Elisângela, Rio de Janeiro (RJ)

    Resposta:
    Cara Elisângela,

    Obrigada pelo retorno e por nos contar a sua história de luta. Acho que você é um exemplo de perseverança. Muita gente desiste de tentar uma FIV por causa do preço e nem pensa em outras alternativas. O seu depoimento é mais uma prova de que, quando vamos à luta, as chances de vitória são muito maiores. Boa sorte e um grande abraço.

    Cláudia Collucci
    Cláudia Collucci, repórter da Folha de S. Paulo, é mestre em História da Ciência pela PUC-SP e autora dos livros "Por que a gravidez não vem?", da editora Atheneu, e "Quero ser Mãe", da editora Palavra Mágica. Escreve quinzenalmente na Folha Online.

    E-mail: claudiacollucci@uol.com.br

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