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Quero Ser Mãe

24/05/2001

Alternativas baratas de fertilização "in vitro"

CLÁUDIA COLLUCCI
Colunista da Folha Online

Como vencer a infertilidade com pouco dinheiro? Desde quando começamos este bate-papo, há duas semanas, esta tem sido uma pergunta recorrente nas mensagens enviadas por leitoras que já esgotaram as possibilidades de uma gravidez natural e pensam em partir para as fertilizações "in vitro".

Não é novidade para ninguém que essas técnicas são caríssimas e acessíveis apenas a uma pequena parcela da população brasileira. Nas cem clínicas particulares de reprodução assistida espalhadas pelo país, cada tentativa pode custar entre R$ 6.000 e R$ 12 mil. A medicação, toda importada, responde por quase metade desses valores. Como os planos de saúde brasileiros não cobrem esse tipo de tratamento, realmente pesa no bolso.

Mas muita gente desconhece a existência de outras alternativas mais baratas para conseguir um "bebê de proveta". No Estado de São Paulo, os seguintes serviços públicos realizam fertilização "in vitro" gratuita, ou quase: Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, Hospital das Clínicas de São Paulo, Hospital São Paulo, Santa Casa de São Paulo, Hospital Pérola Byington e o Hospital de Clínicas da Unicamp.

Clique aqui para ver o serviço completo e alguns sites sobre infertilidade.

A Secretaria Estadual da Saúde não fornece a medicação gratuitamente para todos esses hospitais por não julgar uma área de prioridade em saúde pública, mas o preço é bem mais em conta. Além disso, alguns hospitais estabelecem idade máxima para as pacientes que se candidatam ao tratamento. No Hospital de Clínicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), a idade limite é de 36 anos. No Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto, 40, e no Pérola Byington é de 37 anos.

Uma informação importante: as pacientes devem ser encaminhadas por postos de saúde, outros hospitais ou médicos particulares. E nem todos as candidatas são atendidas. É feita uma triagem que escolhe os casos mais graves.

Particulares

Quem tem urgência no tratamento e está disposta a desembolsar um pouco mais pode tentar outros dois serviços. A Associação Instituto Sapientiae, uma entidade assistencial e educacional sem fins lucrativos, oferece orientação e tratamento na área de reprodução humana para pessoas de baixa renda. Cada caso é analisado e a paciente pode pagar de acordo com as suas possibilidades financeiras. Você pode consultar o site da associação no endereço sapientiae.org.br/infertilidade.htm.

Outro serviço, ligado à maternidade Santa Joana, promete tratamentos contra a infertilidade por preços até 40% mais baratos que os oferecidos pelas clínicas particulares. O centro fica na rua dos Tupinambás, 152, 8º andar, Paraíso (atrás da Maternidade Santa Joana), em São Paulo. Ele conta com o know-how do Centro Huntington Brasil de Reprodução Humana, que se responsabilizou por toda a montagem do centro (física, científica e dos profissionais do atendimento).

Bem, aí estão algumas dicas. Espero que sejam úteis. Mas lembrem-se: sejam persistentes! Não desanimem com a morosidade dos serviços públicos, com a fila de espera ou qualquer outro empecilho. Conheço vários casos de mulheres que, sem dinheiro para bancar um tratamento particular, fizeram verdadeiras vias-sacras, mas conseguiram ter seus "bebês de proveta" por meio de serviços públicos ou filantrópicos.

Como diz a minha amiga portuguesa Clara Pinto-Correia, bióloga e escritora (autora, entre outros, do livro "O Ovário de Eva"): "os sonhos são perigosos. Eles nos levam a lugares..."

Aguardo os seus comentários e sugestões no collucci@folhasp.com.br. Até a próxima.
Cláudia Collucci, repórter da Folha de S. Paulo, é mestre em História da Ciência pela PUC-SP e autora dos livros "Por que a gravidez não vem?", da editora Atheneu, e "Quero ser Mãe", da editora Palavra Mágica. Escreve quinzenalmente na Folha Online.

E-mail: claudiacollucci@uol.com.br

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