Regra 10
Difícil arte de torcer a favor do Brasil
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Na Copa do Mundo de 1970, houve quem torcesse contra a seleção brasileira por causa da ditadura. Convenhamos que devia ser bastante difícil torcer contra aquele time. Mesmo hoje, existem brasileiros que torcem contra o time nacional, por motivos diversos. Não são poucos. Quase todo mundo conhece alguém que sempre torce contra o Brasil, até em Mundiais.
Eu nunca torci contra a seleção. Talvez porque jamais quis, porque jamais tentei. Sempre que penso que ali está um compatriota vestindo a camisa amarela, seja ele quem for, fico a favor.
Isso até assistir a Brasil x Equador pela Copa América. Confesso: pela primeira vez na vida, tentei torcer contra.
A escalação de um time com três volantes e sem nenhum meia armador para um jogo contra um rival fraco (já havia apanhado de Chile e México), que é um freguês histórico (em 25 jogos, 21 vitórias do Brasil) e ainda por cima podendo perder por um gol de diferença é totalmente inexplicável.
Mas Dunga explicou. Disse que o Equador é um time muito forte. E que o Brasil ficou mais agressivo com essa formação, que não é número de atacantes que torna um time ofensivo. Velha ladainha.
O Brasil foi muito mal na derrota para o México e também não foi bem na vitória sobre o Chile. Mas, contra o Equador, foi péssimo.
Qualquer um que não entenda de tática vê que alguma coisa está errada quando o camisa 10 do time (Diego) joga só 45 minutos na estréia e perde a vaga. E quando seu substituto (Anderson) joga 45 minutos no segundo jogo e também perde a vaga. E quando o segundo substituto (Júlio Baptista) é um jogador que não joga naquela posição e que não estava nem mesmo na convocação original.
E mais: quando o jogador símbolo da nova era, Elano, que esteve presente como titular em quase todos os amistoso de Dunga, também é sacado no meio da competição. E quando o goleiro titular (Doni) é escolhido às vésperas da competição sem nunca ter jogado antes como titular, sendo que seu reserva (Helton), sim, havia vestido a camisa 1 em amistosos.
Ao contrário do time da Copa de 1970, a verdade é que fica difícil torcer a favor de um time assim.
Conforme confessei acima, tentei torcer contra. Me senti quase um revolucionário. Mas não consegui. Festejei --ainda que apenas mentalmente-- quando Robinho converteu o pênalti. Mesmo sendo um pênalti para lá de duvidoso. E acabei feliz com a vitória. Mesmo com o pênalti não marcado para o Equador.
Obviamente, Dunga faz o que pensa ser o melhor para a seleção. Ele não quer que o time jogue mal. Pode até ser campeão desta forma, mas vai ser sem apresentar bom futebol.
E, no final das contas, vou torcer pelo Brasil. Mas, em sendo mantida a mentalidade cabeça-de-área (eu disse "de área") de Dunga, não sei até quando vou resistir à vontade de torcer contra.
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Por incrível que pareça, o atacante ganense naturalizado norte-americano Freddy Adu está disputando no Canadá seu terceiro Mundial sub-20. O primeiro foi nos Emirados Árabes-2003, aos 14 anos, o segundo na Holanda-2005, aos 16 anos. Hoje com 18, ele ainda teria idade para jogar mais uma Copa do Mundo júnior, daqui a dois anos. Na terça-feira, na goleada dos EUA por 6 a 1 sobre a Polônia, ele marcou três gols.
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Bem divertida essa campanha publicitária de um banco português com o técnico da seleção, Luiz Felipe Scolari. veja um comercial aqui e outro aqui
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Narração empolgadíssima na TV venezuelana do jogo Venezuela 2 x 2 Bolívia, na rodada de abertura da Copa América. Destaque para "ai, diós mio, que poquiiiito que faltó" e "cuidadito, cuidadito, ai, ai, ai, ai, ai, aaaaaaaaaai".
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Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
