Colunas

Regra 10

10/08/2007

Traído pelo MSN

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Jogadores de futebol usarem a internet, em especial o programa de comunicação on line MSN, para matar as saudades de amigos e da família em períodos de concentração ou viagens não é nenhuma novidade. Mas jogador ser afastado do time por causa de uma conversa no comunicador é bastante inusitado.

Foi o que aconteceu com o zagueiro Breno, do Náutico, na semana passada. Em uma conversa com um "amigo", o jogador teria feito críticas ao técnico Roberto Fernandes e reclamado da situação do time pernambucano.

A tal pessoa entregou depois o atleta ao treinador --o caso não foi muito bem explicado, mas não duvido que isso tenha sido feito também por MSN, ou por e-mail.

Procurando no Google, é possível encontrar a suposta conversa de Breno com o "amigo". Não há como saber se o que está ali é verdade, obviamente. O próprio Breno alegou que teriam usado uma conta falsa em seu nome para prejudicá-lo.

Oficialmente, o Náutico afastou o jogador por indisciplina. Mas se o caso foi esse mesmo do MSN, o clube deveria repensar a atitude. Primeiro porque alguém pode mesmo ter se passado pelo Breno. E segundo porque se trataria de uma conversa particular do atleta, e não uma crítica pública, um ato de rebeldia.

Se todas as conversas particulares de jogadores, entre si ou com amigos, fossem parar nas mãos dos técnicos, é provável que nenhum time tivesse 11 jogadores para escalar. A não ser que todos os jogadores estejam extremamente felizes com seus técnicos e sejam só elogios aos treinadores.

O que é mais estranho ainda é o fato de Breno ser filho do auxiliar-técnico de Roberto Fernandes, o ex-jogador do Vasco e da seleção brasileira Zé do Carmo.

Será que o Zé do Carmo também usa o MSN? Se sim, é melhor começar a medir as palavras.

*

Dias atrás, antes de Alexandre Pato ter fechado com o Milan, o apelido do jogador era Stamford Bridge no MSN, segundo o Painel FC da Folha de S.Paulo. Esse é o nome do estádio do Chelsea.

*

O MSN ajudou muito o jogador cubano de handebol Rafael Capote, que desertou da delegação de seu país no Pan do Rio e deve ficar no Brasil como asilado político. Foi teclando com seu compatriota Michel, que atua em time de São Caetano, que ele recebeu as coordenadas sobre o que fazer quando já estivesse no Brasil.

Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

Leia as colunas anteriores

FolhaShop

Digite produto
ou marca