Regra 10
Quem vai dizer que o rei está nu?
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
O goleiro Bosco não colocou a mão na cabeça para simular que havia sido atingido por uma pilha, mas sim para segurar seu cabelo, que estava muito grande. O Felipão não tentou dar um soco no sérvio Dragutinovic, ele levantou os braços para tentar proteger seus jogadores.
Por incrível que pareça, pelo menos para quem viu as imagens destes dois incidentes, foi assim que o jogador e o treinador se defenderam em entrevistas.
Devem achar que todos somos burros. Não existe argumentação nenhuma diante das imagens. É até constrangedor ouvi-los dizendo isso.
Seria muito mais digno, no meu modo de ver, assumir o erro, pedir desculpas. Pelo menos perante o público. O são-paulino Hugo cuspiu em jogador do Paraná, mas admitiu depois que tinha feito uma coisa errada e disse estar arrependido. Deve ser punido da mesma forma, mas pelo menos mostrou coragem e caráter. Podia, por exemplo, ter dito que ia cuspir para o lado e o rival passou na frente.
Mas já estamos até ficando acostumados a esperar as explicações esfarradas --que acabam sendo até engraçadas-- de jogadores e técnicos depois de fazerem bobagem em campo.
Os casos de Bosco e Scolari, que a meu ver parecem ser duas pessoas muito respeitáveis, são só dois exemplos um pouco mais gritantes.
Essas mentiras estão tomando conta do declaratório dos atletas. E essa talvez seja a melhor atitude a tomar diante da ameaça de punição nos tribunais esportivos --com certeza os departamentos jurídicos dos clubes orientam jogadores para não admitirem erros tão facilmente.
Como diz a lenda, é mais fácil as pessoas acreditarem em uma mentira contada várias vezes do que numa verdade dita uma vez só. E quem disser que o rei está nu corre o risco de ir para a guilhotina.
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Felipão briga em Portugal, Parreira tem ataque de fúria na África do Sul. Após a derrota por 3 a 1 para a Zâmbia, em casa, pelas eliminatórias da Copa da África, o técnico teria quebrado cadeiras e garrafas de água, segundo um site local. Difícil imaginar o "lorde" Parreira, o "coach", nessa situação, não?
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Esta aí o que todo mundo queria. Kaká, Ronaldinho e Robinho jogando juntos na seleção, e bem. Não basta o Dunga escalá-los. Os jogadores também têm que colaborar, como fizeram na vitória por 3 a 1 sobre o México.
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O atacante Somália, do Fluminense, demonstrando humildade: "Só não sou melhor do que Deus". Em seguida: "Se eu fosse o Dunga, me convocaria com certeza".
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Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
