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Regra 10

12/10/2007

Operário-padrão x artista

da Folha Online

Kaká vai ganhar o prêmio de melhor jogador do mundo da Fifa em 2007. Salvo uma hecatombe, é claro. A lista de indicados tem 30 atletas, mas o meia-atacante brasileiro concorre para valer mesmo com no máximo três ou quatro.

Os que poderiam tirar o título de Kaká são Messi e, com menos chances, Ronaldinho, Henry, Cristiano Ronaldo e Van Nistelrooy. Qualquer outro que vencer seria a tal hecatombe.

O jogador do Milan está perto de ser uma unanimidade mundial. Na seleção brasileira, o discurso de que ele deve vencer é tão uniforme que inclui até declarações de Ronaldinho, seu concorrente, e do próprio Kaká.

Cannavaro, atual melhor do mundo segundo a eleição anual da Fifa, também já disse que o brasileiro é com certeza seu sucessor.

O ex-são-paulino consegue a proeza até de ver torcedores de Corinthians, Palmeiras e Santos se renderem ao seu futebol.

E ele realmente provou, com atuações decisivas no Milan, que é digno do prêmio. Liderou a equipe italiana na conquista da Copa dos Campeões, além de ter sido o artilheiro do time --o que não é pouca coisa. E continua jogando bem.

Feitos todos os elogios, apresento um contraponto. Messi, na minha opinião, é capaz de fazer lances mais geniais. Enquanto Kaká estaria para operário-padrão, Messi está para artista.

Se eu votasse nessa eleição, teria muita dificuldade para escolher entre os dois. Neste momento específico, Messi parece estar jogando mais. Está fazendo o diabo no Barcelona.

Kaká, evangélico, não faria o diabo. Nem poderia usando uma chuteira com a inscrição "Jesus in first place". Mas digamos, então, que foi o deus da bola na temporada.

Já é difícil escolher um dos dois numa simples votação, que dirá se tivesse que optar por apenas um para jogar no meu time.

Como não ganho nem perco nada com isso, faço minha escolha. No final das contas fico com o Kaká. Seja na eleição ou para jogar no meu time. Mas admito ser esta uma opção conservadora. Kaká é renda fixa, e Messi, um fundo de ações.

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Em 2004, o Brasil teve seis indicados ao prêmio da Fifa. Em 2005, foram sete. Em 2006 e 2007, apenas três. Os supercraques (ou pelo menos a fama de supercraques) do Brasil estão diminuindo. Mas a lista deste ano podia ter também o Robinho. Não seria nenhum absurdo.

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Além do Brasil, o Real Madrid também vê diminuir o número de seus jogadores na disputa. Neste ano são só dois, Van Nistelrooy e Cannavaro. Porém, sem os galácticos de outros tempos, o time vai bem em campo.

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Confissão de Buffon, goleiro da Juventus. Para deixar o estádio da Fiorentina, no último domingo, se escondeu no porta-malas de um carro. Tudo por medo de violência da torcida. Em 1999, após jogo pela final da Copa da Itália, o então goleiro do Parma arrumou solução mais inusitada. Saiu do estádio usando uma máscara de palhaço.

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Mais inusitado ainda: para não ter que atender a uma convocação da seleção irlandesa para jogo contra a República Tcheca, em setembro, o meia Stephen Ireland disse que sua avó havia morrido. Descoberto, o jogador do Manchester City disse então que era a outra avó. O que também era mentira. Depois disse que sua esposa tinha tido um aborto espontâneo. Depois de tudo, disse que não era "justo" estar na seleção.

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Ouça podcast sobre a situação política do Corinthians:

Edu comenta

Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

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