Regra 10
O time mais democrático do mundo
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Poucas coisas ainda podem revolucionar o futebol. A internet é uma delas. Assim como já se faz em diversos games de gerenciamento de equipes, um clube de Israel, o Hapoel Kiryat Shalom, inaugurou em outubro a possibilidade de os torcedores serem, na prática, os técnicos de um time real.
A idéia é fantástica. Por meio de um site, os internautas participam de votações sobre a estrutura tática da equipe e sobre qual jogador deve jogar em qual posição, formando a escalação do time.
Existe um técnico "real", Yaakov Yakhri, que serve mais como um treinador --no sentido de comandar as atividades diárias dos jogadores. Mas ele obedece às decisões dos internautas.
Toda a história começou quando o empresário Moshe Hogeg assistia ao jogo em que a Argentina foi derrotada e eliminada pela Alemanha na Copa do Mundo de 2006. Hogeg ficou revoltado com o técnico Jose Pekerman, que não colocou em campo a então promessa Messi.
O empresário então comprou o Hapoel Kiryat Shalom por 356 mil de euros e inaugurou uma nova era no futebol. Sem exageros.
O Hapoel Kiryat Shalom está na terceira divisão israelense. Seu jogos, portanto, não são transmitidos pela TV. Mas esse problema também foi resolvido via internet. Hogeg contratou uma produtora que filma as partidas e as transmite on line. Desta forma, os torcedores não só acompanham as partidas ao vivo como também decidem as substituições por meio de um chat.
No banco de reservas, o "técnico" Yaakov Yakhri acompanha tudo pelo computador e põe em prática a vontade dos torcedores. Isso sim é democracia.
É claro que o sistema pode acabar causando confusão, que seria difícil aplicar o conceito em uma grande equipe, que muita coisa precisa ser muito bem pensada. Um grande técnico pode sempre fazer a diferença e muita vezes é preciso pulso firme para controlar todo um grupo e tomar decisões impopulares mas necessárias.
De qualquer forma, um pouquinho de interatividade não faria mal. Talvez o time israelense pelo menos abra espaço para que no futuro os técnicos dos grandes clubes possam ter acesso a essas opiniões dos torcedores, sem necessariamente ter que segui-las.
Logo no primeiro jogo sob o comando da torcida, no entanto, o Hapoel Kiryat Shalom perdeu por 3 a 2 para o Maccabi Ironi Or Yehuda, na prorrogação. Talvez tenha faltado um técnico. Pelo menos para chamar de burro.
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Um idéia interessante seria abrir a convocação das seleções nacionais para votação pública. O técnico iria então apenas gerenciar a equipe. Se pensarmos friamente também não daria certo, já que um técnico geralmente tenta chamar jogadores que se complementam, que podem fazer diferentes funções, que são de sua confiança para "fechar o grupo". Mas que seria divertido, seria.
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Confira comentário em podcast sobre a confirmação do Brasil como sede da Copa do Mundo de 2014.
Eduardo Vieira da Costa comenta escolha do Brasil para sede da Copa
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Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
