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Regra 10

28/03/2008

Pato é craque, longe dos microfones

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

A habilidade do atacante Alexandre Pato com os pés é inversamente proporcional à sua desenvoltura nas entrevistas. Já repararam nas declarações dadas pelo mais novo fenômeno do futebol mundial?

"Isso não é comigo, é com o Milan." Ou então: "Isso quem pode dizer é o Dunga."

Como disse um colega aqui na redação da Folha Online, se pedirem ao Pato para pedir uma pizza por telefone, ele provavelmente vai se enrolar, não vai saber que sabor escolher e vai soltar algo como "eu não, pede aí você".

Apesar disso, o atacante do Milan tem uma vocação incrível para ser celebridade. Antes mesmo de jogar sua primeira partida pela seleção principal, contra a Suécia, o ex-jogador do Internacional causou frenesi na Inglaterra.

Isso porque seu talento com a bola é realmente inversamente proporcional ao seu desembaraço diante dos microfones.

O golaço diante dos suecos, em Londres, em sua primeira partida com a camisa amarela no time principal, jogou ainda mais luz sobre a meteórica trajetória do jogador de 18 anos.

Num jogo que confrontou os dois finalistas da Copa do Mundo, exatos 50 anos depois, a comparação com Pelé, o então adolescente de 17 anos que brilhou no primeiro título mundial brasileiro, tornou-se inevitável.

Não que se espere que Pato seja o novo Pelé. A comparação vale mais pela coincidência da precocidade, fator que equipara Pato também a Ronaldo.

Pato, aliás, superou os dois supercraques. Marcou o primeiro gol pela seleção após 12 minutos em campo. Pelé precisou de 32 minutos em seu primeiro jogo pelo Brasil, contra a Argentina, em 1957. E Ronaldo levou 51 até balançar as redes diante da Islândia, em 1994.

O gol no Emirates Stadium também confirmou a estrela de Pato. Em sua primeira partida como profissional, no Inter, ainda em 2006, ele marcou um gol e deu passes para outros na vitória sobre o Palmeiras 4 a 1, em pleno Parque Antarctica. No estréia pelo Milan, fez um belo gol contra o Napoli, na vitória por 5 a 2 no San Siro --e fez dupla de ataque justamente com Ronaldo, que naquele dia marcou duas vezes.

Mas independentemente de comparações, que não levam a lugar nenhum, e sem contar também os feitos já alcançados pelo jogador --entre eles a conquista do Mundial de Clubes com o Inter--, Pato encanta jogando futebol pela maneira como trata a bola.

Pela facilidade com que ele mata uma bola longa, pela habilidade para driblar, pela maneira diferente de conduzir a bola em uma jogada simples, pelo oportunismo, pela capacidade de finalização (com os pés e com a cabeça), pela tranqüilidade, pela rapidez, pela inteligência, é possível chamá-lo, já, de craque.

Tudo bem que o Dunga e que os companheiros de time ou de seleção tentem protegê-lo e digam que ainda é cedo, que isso ou que aquilo. Mas eu posso dizer: o Pato é craque.

Tanto melhor para a minha classe, a dos jornalistas esportivos. Se não vai render grandes manchetes por suas declarações, Pato com certeza vai ocupar muitas vezes o alto das páginas por gols e títulos. E o próximo pode ser já nos Jogos Olímpicos de Pequim.

Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

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