Regra 10
Vovô dá exemplo no Maracanã
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
O clássico vovô, o mais antigo do Brasil, proporcionou um belíssimo espetáculo a quem, como eu, foi ao Maracanã no último domingo, na final da Taça Rio.
Apesar de todos os problemas que podem (e devem) ser apontados no Estadual do Rio, como a evidente injustiça de os times pequenos não atuarem com os grandes em casa, o torneio realmente guarda um charme especial.
O Maracanã lotado com duas grandes torcidas como as de Botafogo e Fluminense é um espetáculo único. Quase 70 mil torcedores acompanharam a partida, divididos em quantidade mais ou menos igual para os dois times.
Cenário que hoje é bastante difícil imaginar em São Paulo. Principalmente por um fato em especial: nas arquibancadas centrais, botafoguenses e tricolores assistiram ao jogo lado a lado. Literalmente. E civilizadamente.
Um clássico em São Paulo é sempre disputado em clima de guerra. Também literalmente. As torcidas têm que ser separadas por vãos desocupados nas arquibancadas para não se matarem. Um inferno.
Nas cadeiras numeradas ou cativas do Morumbi ainda é possível torcer em um clássico ao lado de um amigo simpatizante da torcida rival. Mas o clima sempre é meio tenso. Nas arquibancadas, nem pensar.
E não é que botafoguenses e tricolores estivessem ocupando o mesmo setor, mas de alguma forma naturalmente separados. Realmente ficam todos misturados. As provocações --todas saudáveis, eu diria-- não deixaram de acontecer. E nem por isso houve nenhum tipo de briga.
Os torcedores deixaram o estádio também lado a lado, a grande maioria em direção ao metrô --assim como eu. Nenhum grande incidente no caminho ou nos trens.
Não estou aqui querendo dizer que tudo no Rio é uma maravilha. Muito pelo contrário. Estamos cansados de ver e ler notícias sobre brigas e todo tipo confusão com as grandes torcidas cariocas.
Mas a final da Taça Rio mostra que é possível haver civilidade e bom senso. E com certeza mostrou a mim que em São Paulo a barbárie ainda é muito maior. Infelizmente.
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A fama, quando é ruim, é fácil de pegar e difícil de se livrar. Autor do gol do título da Taça Rio para o Botafogo, o zagueiro Renato Silva não escapou das referências a seu doping por maconha. Em março de 2007, ele foi demitido por justa causa do Fluminense após o incidente. Ficou marcado por isso e caiu no ostracismo antes de ser resgatado pelo Botafogo. Merece esta volta por cima.
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Nesta semana a Suprema Corte Holandesa condenou a seis meses de prisão condicional o jogador holandês de origem marroquina Rachid Bouaouzan por uma falta violenta. Em 2004, quando atuava Sparta de Roterdã, ele quebrou a perna de Niels Kokmeijer, do Go Ahead Eagles, e tirou o adversário para sempre dos campos de futebol. É uma questão para muita discussão. Se a condenação for igual para outros casos parecidos, vai ter muito jogador de futebol parando na cadeia.
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O caso ocorrido na Holanda tem precedente no Brasil. Em 1999, Darzone, que jogava no Santo Ângelo, deu um soco em Régis, do Caxias, durante um jogo da Copa Mais Fácil, competição da Federação Gaúcha de Futebol. O rival ficou em coma por quase 20 dias, teve seqüelas e nunca mais voltou a jogar. Em 2007, Darzone acabou sendo condenado a dois anos de prisão --cumpriu um terço em regime aberto e o restante em condicional.
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Clique aqui para ver alguns casos de violência no futebol. Muitos deles poderiam valer prisão.
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Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
