Regra 10
A hiena Hardy Har Har
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
O técnico Cuca é um caso estranho do mundo do futebol. Ele é hoje respeitado como bom treinador por quase toda a imprensa esportiva. Eu mesmo acho que ele é bom.
No Botafogo, ele é muito admirado por diretores e torcedores. Freqüentemente é ovacionado nos estádios.
Mas o fato é que, em dez anos de carreira como treinador, Cuca jamais conquistou um título. Os únicos troféus levantados por ele no comando de uma equipe foram os da Taça Rio deste ano e do ano passado --o que é apenas o segundo turno do Estadual do Rio.
Na decisão para valer, o Botafogo acabou perdendo para o Flamengo nas duas oportunidades. E Cuca continua de mãos vazias.
Isso sem contar decepções como as eliminações para o Figueirense nas semifinais da Copa do Brasil de 2007 e para o River Plate nas oitavas-de-finais da Copa Sul-Americana do mesmo ano.
Essa derrota para os argentinos chegou a abalar o status de Cuca no clube. Ele acabou sendo substituído por Mário Sérgio, mas, estranhamente, o novo técnico ficou pouquíssimo tempo no cargo e logo chamaram Cuca de volta.
Além do Botafogo, ele também já teve chances em outros grandes do futebol nacional. Já foi técnico, por exemplo, de Flamengo, Grêmio e São Paulo, além de equipes como Coritiba, Goiás, Paraná e São Caetano. E nunca ganhou nem mesmo um Estadual.
Cuca conseguiu a façanha de fazer fama apenas por montar bons times. Isso em um mundo em que todo técnico vive alardeando que futebol é resultado, que ser vice-campeão não vale nada, que o torcedor só quer saber de vitórias etc.
A boa fama de Cuca começou para valer no Brasileiro de 2003, quando pegou o Goiás na lanterna e conseguiu levar o time à Sul-Americana.
No ano seguinte, foi para o São Paulo. Apesar de não ter ganhado nada para o time do Morumbi, muitos o consideram responsável por ter montado a equipe que acabaria ganhando a Libertadores e o Mundial, em 2005, já com Paulo Autuori no comando --antes, Emerson Leão também treinou o time e ganhou o Paulista.
Já no Botafogo, Cuca passou a ser elogiado pelo futebol vistoso do time, que passou a jogar bonito mesmo sem grandes estrelas. Desde 2006 o time carioca vem sendo apontado sempre como um dos mais bem armados do país, mas sempre morre na praia. Mesmo assim, o clube fala até em fazer um novo contrato com ele de oito anos.
Cuca é um perdedor nato que, de alguma forma, é bom técnico. Uma exceção. Mas já está passando da hora de ganhar um título. De repente, pode ser o da Copa do Brasil.
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Ganhando ou perdendo, Cuca sempre tem um discurso meio derrotista nas entrevistas. Parece a hiena Hardy, do desenho Lippy e Hardy, da Hanna Barbera. Aquela do "Ó, céus! Ó, vida! Ó, azar!". Não lembra? Aqui tem um episódio do desenho.
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Falando em técnico, o Joel Santana sempre foi visto com um pé atrás por mim. Mas tinha ganhado meu respeito pelo time atual do Flamengo. Fez um surpreendente Brasileiro no ano passado e ganhou o Estadual deste ano. Mas, quando tudo parecia perfeito, ele deu uma escorregada épica com a eliminação da Libertadores para o América no Maracanã. Parece até quadro de programa humorístico, tipo Escolinha do professor Raimundo, em que o aluno vai indo muito bem até que se atrapalha todo no final. Inacreditável.
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Mudando completamente o assunto, muito interessante essa chamada do Chaves no SBT fazendo um paralelo tosco com futebol.
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E já que falei de Chaves e que o assunto "perder gol na TV" está em voga depois de a Globo ter preferido mostrar a prisão de Nardoni em vez de continuar com a transmissão do jogo do São Paulo, vale a pena ver como o Kiko perdeu esse gol olímpico.
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Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
