Regra 10
Gato dá azar, cachorro dá sorte
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
De cueca da sorte a fitinha de Nosso Senhor do Bonfim, passando por todo tipo de patuá imaginável, tudo vale para ajudar no futebol. Ninguém duvida de que um jogo possa ser decidido pela simples presença de um mascote em campo ou pela disposição de um grupo de amigos no sofá em um domingão à tarde. Ou duvida?
O meia português Luis Figo parece não duvidar. Segundo o jornal italiano "Libero", ele teria atropelado, deliberadamente, um gato preto que estaria dando azar a seu clube, a Inter de Milão. O bichinho vivia nos arredores do centro de treinamento de Appiano Gentile.
Oficialmente, Figo negou a autoria do atentado. Mas de qualquer forma, virou alvo de diversas associações italianas de proteção aos animais, que espalharam cartazes de repudia ao suposto assassinato.
Mais do que o meia português, o Botafogo é referência mundial quando o assunto é superstição. Mas, ao contrário de Figo, o clube carioca prefere exaltar animais.
Antes do jogo da última quarta, quando o time se classificou para as semifinais da Copa do Brasil em cima do Atlético-MG, um cachorro chamado Perivaldo (referência a um antigo lateral do clube) entrou em campo no Engenhão para dar sorte. Confira fotos abaixo.
Perivaldo, um beagle preto e branco, nasceu com uma estrela nas costas muito parecida com a Estrela Solitária do Botafogo. E foi sensação no estádio.
Seu dono, o carioca botafoguense Aldo Souza de Araújo, saiu de João Pessoa (PB) com o animal só para dar sorte ao time no jogo contra a equipe mineira. Tudo bem ao estilo Botafogo.
Nos anos 40 e 50, outro cachorro fez história em General Severiano. O cãozinho Biriba caiu nas graças do lendário presidente botafoguense Carlito Rocha e se tornou mascote do time.
Biriba, cujo dono era o zagueiro Macaé, teria entrado em campo em um jogo contra o Bonsucesso. Como saiu um gol do time alvinegro com o animal no gramado (mais especificamente fazendo xixi na trave do adversário), ele passou a ser considerado um talismã. Para Carlito, foi como um sinal divino.
Conta-se que Carlito levou Biriba a todos os jogos do Estadual do Rio de 1948. Em 19 jogos, o Botafogo venceu 17 e empatou dois, sagrando-se campeão carioca pela primeira vez em mais de uma década --batendo o temido Vasco conhecido como Expresso da Vitória na decisão.
Entre lendas e histórias verídicas, Biriba tornou-se personagem central no clube. Em um jogo em São Januário, teriam tentado barrar o cachorro. Mas Carlito colocou o vira-latas embaixo do braço e desafiou a todos com a frase: "Ninguém impede o presidente do Botafogo de entrar onde quer que seja e quem estiver com ele entra, com certeza!".
Na semana da final do Estadual de 48, Biriba teria sofrido um atentado a tiros. Padeiros vascaínos pagariam uma fortuna a quem sumisse com o mascote botafoguense, dizia-se em General Severiano.
E então Carlito decidiu que Macaé teria que provar toda refeição do cão antes da decisão para evitar um possível envenenamento.
Pouco tempo depois um delegado de São Paulo teria encomendado o seqüestro do cachorro para que ele não pudesse comparecer a um jogo contra o Corinthians, o que fez com que o Botafogo perdesse por 2 a 1.
Os serviços do cãozinho foram utilizados até meados da década de 50.
E agora é a vez do Perivaldo. Não se sabe se o novo mascote vai comparecer às semifinais da Copa do Brasil contra o Corinthians. Mas no Parque São Jorge a preocupação principal é certamente tentar anular os efeitos sobrenaturais do cachorro. Pelo menos assim devem pensar os supersticiosos botafoguenses. Quem duvida?
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Veja fotos do Perivaldo e sua Estrela Solitária e do finado Biriba, na década de 40. Perivaldo tem também um perfil no Orkut.
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Além da provável ressaca moral após o episódio com os travestis, o atacante Ronaldo ainda tem que agüentar brincadeiras em toda parte. Pelo menos duas peças publicitárias já fizeram referência ao caso. Um anúncio da Bom Bril (W/Brasil) e outro das lentes Varilux (Publicis Rio).
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Um jogo beneficente na Itália reuniu Maradona e Zico. Noves fora toda a rasgação de seda, vale a pena conferir a incrível "matada de bunda" do ex-jogador argentino. Coisa de craque.
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Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
