Regra 10
Raí e o gordinho corintiano
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
O gordinho, corintiano roxo, ajoelhou-se no chão. Rezava com fervor para todos os santos de que tinha conhecimento para que Raí convertesse um pênalti. Raí, o são-paulino.
Mas o gordinho, ao contrário do que parecia, não estava louco.
Corria o dia 5 de dezembro de 1992. São Paulo e Palmeiras faziam o primeiro jogo das finais do Campeonato Paulista.
O gordinho, que além de corintiano roxo era office-boy, nem acompanhou a partida. Não ficou sabendo que os primeiros rojões estourados foram dos são-paulinos, para comemorar o gol de Cafu, que abriu o placar.
Não soube também que Daniel empatou a partida e que, ainda no primeiro tempo, Raí recolocou o time de Telê Santana em vantagem.
Durante o segundo tempo, tampouco tomou conhecimento do novo empate palmeirense, desta vez com Zinho. E ignorou completamente o segundo gol de Raí, que fez 3 a 2 para o São Paulo.
Aos 45min, o gordinho apertou a campainha da casa de um amigo palmeirense. O amigo abriu a porta desolado. Escutava o jogo no rádio.
Ouviram juntos quando o narrador gritou: "É pênalti para o São Paulo". O jogo já estava nos acréscimos, aos 47min.
Foi neste momento que o gordinho caiu de joelhos. Atônito, o palmeirense quis saber o que estava acontecendo. Com a voz trêmula, o gordinho explicou que havia apostado no bolão da firma que o jogo terminaria 4 a 2 para o São Paulo. Se acertasse na cabeça, ganharia ganharia mais do que o dobro do valor de seu salário de office-boy.
O palmeirense caiu de joelhos ao lado do amigo. "Vamos, Raí!"
Raí foi para a bola. Bateu com perfeição, no canto direito do goleiro César, que não teve chance. E fez felizes os são-paulinos, um corintiano e um palmeirense.
Bom, o palmeirense nem tanto. Mas ele achava bolão uma das coisas mais legais do futebol. E não era todo dia que ele via um amigo ganhar um.
Naquele dia, somente naquele dia, e, muito provavelmente, somente naquela casa, o Trio de Ferro paulista foi uma coisa só. O time do office-boy gordinho.
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Depois daquela derrota, o Palmeiras voltaria a perder na segunda partida das finais, para desespero do amigo do gordinho. O jogo terminou 2 a 1, com gols de Müller e Cerezo para o São Paulo e de Zinho para os palmeirenses. Confira todos os "[gols das finais]"http://www.youtube.com/watch?v=Ac273OwtI_E.
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Parecia que Belletti se consagraria como um predestinado na Copa dos Campeões. Depois de entrar durante o jogo em 2006 e marcar o gol do título do Barcelona diante do Arsenal, o lateral mais uma vez pisou o gramado em uma decisão do principal campeonato europeu de clubes na quarta. E converteu uma das cobranças do Chelsea na disputa de pênaltis. Mas o Manchester United acabou campeão.
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A propósito não ganhei nada no bolão da redação para a final européia. Coloquei 2 a 1 para o Chelsea. Mas não fiquei tão triste como pareceu ter ficado o Abramovich.
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Até de bicicleta nós iremos. Curiosa essa nota no site oficial do Grêmio sobre a segurança do estádio Olímpico.
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Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
