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Regra 10

13/06/2008

O carisma de Big Phil

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Ninguém, ou quase ninguém, duvida da capacidade do Felipão como técnico no Brasil. Principalmente depois da conquista do pentacampeonato na Copa do Mundo de 2002. Mas antes mesmo disso ele já era um dos treinadores mais respeitados do país. Quase uma unanimidade.

Na Inglaterra, onde o treinador vai encarar o desafio de assumir o Chelsea a partir de 1º de julho, não é a mesma coisa. Basta navegar por grupos de discussão dos principais jornais do país para comprovar que existe muita desconfiança dos fãs de futebol ingleses em relação ao Big Phil, independentemente de serem ou não torcedores dos Blues.

Os principais argumentos dos céticos são dois: 1) Ele não tem experiência dirigindo clubes na Europa; 2) Ele não fala inglês.

De fato ele nunca esteve à frente de um clube europeu. Mas no Brasil provou o que pode fazer. Ganhou, entre outras coisas, duas Libertadores, um Brasileiro e três Copas do Brasil.

Só por isso, acho que vale a aposta.

E tudo indica que ele não fala muito bem o inglês mesmo, a julgar por algumas poucas palavras proferidas neste idioma em coletiva de imprensa da Eurocopa.

Este segundo problema parece ser mais complicado. Tenho a impressão de que o Felipão é um técnico que conquista a confiança de seus comandados no relacionamento pessoal. Vide a "Família Scolari" da Copa de 2002.

Ele gosta de ser o paizão dos jogadores, de fechar o grupo em torno dele. E isso, é claro, passa por muita conversa.

Mas nada impede o Big Phil de aprender a falar inglês. Fabio Capello foi contratado recentemente para a seleção da Inglaterra sem falar a língua do país, o que gerou muita reclamação na imprensa local. Aparentemente, já aprendeu bastante e consegue tanto dar ordens a seus comandados como dar entrevistas.

Fora isso, Felipão tem algo que vai ajudá-lo muito na missão de conquistar torcedores do Chelsea, imprensa e ingleses em geral: carisma.

Foi esse predicado, além dos títulos, é claro, que o elevou à condição de ídolo dos brasileiros.

Qualidade que ajudou a superar, inclusive, características negativas como rabugice, mau-humor nas entrevistas, teimosia e até malandragem excessiva.

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Vale lembrar que Felipão já sugeriu que seus jogadores apelassem a catarradas contra o atacante corintiano Edílson em sua época de Palmeiras e que já recorreu a expedientes como jogar bolas em campo para retardar partidas. Na Inglaterra, não poderá ser tão malandro. Lá o fair play é muito valorizado. Mas Felipão também pode ser "fair". Eu acho.

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Ainda sobre o problema da língua, talvez sejam os ingleses que tenham que começar a aprender português. Além de Scolari, o goleiro Hilário, o zagueiro Ricardo Carvalho e os laterais Paulo Ferreira e Bosingwa, todos portugueses, assim como os brasileiros Belletti e Alex, falam português. E ainda especula-se sobre a chegada de Deco.

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A rabugice com a imprensa pode ser outro problema. Os jornais britânicos, em especial os tablóides, são implacáveis. E Felipão já teve problemas com eles apenas por ter sido sondado para assumir a seleção inglesa tempos atrás.

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O fato de chegar meio desacreditado pode até ser benéfico a Felipão. Vale lembrar que ele chegou para a Copa-2002 muito criticado no Brasil, acusado de ser retranqueiro (principalmente por usar esquema com três zagueiros). E deu no que deu.

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As táticas de Felipão já começaram a ser usadas antes mesmo do anúncio oficial de sua contratação. Ou alguém duvida das intenções dele quando "aconselhou" Cristiano Ronaldo a trocar o Manchester United pelo Real Madrid? Isso facilitaria bastante a vida de Big Phil no Campeonato Inglês.

Eduardo Vieira da Costa, 31, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

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