Regra 10
Edmundo, Ricardinho e clichês
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Edmundo comanda o ataque palmeirense. Manchete de 1994, é claro. Ricardinho é o cérebro do Corinthians no meio-campo. Notícia de 1999, óbvio. Só pode ser isso. Para quem não se lembra, os dois deixaram estas equipes em situações bastante parecidas, ambos em meio a muita confusão e execrados pela torcida.
Mas o tempo cura as feridas, já que o futebol é o mundo dos clichês. E como no futebol o vilão de hoje é o herói de amanhã, um chavão ajuda o outro.
Na minha opinião, a volta dos dois jogadores fará bem para os clubes.
Está certo que em 2002 Ricardinho fez força para deixar o Parque São Jorge e jogar pelo São Paulo. Os dirigentes corintianos admitiam vê-lo em qualquer outro time, menos no do Morumbi.
No final, com uma ajuda da Federação Paulista, que intermediou a negociação, os corintianos aceitaram receber R$ 5 milhões pelo jogador. A torcida, no entanto, não perdoou e chegou inclusive a distribuir notas de dólar com a cara do meia.
Edmundo também fez por merecer a ira dos torcedores. Em 1995, trocou o Palmeiras pelo Flamengo. Alegando que não tinha clima para seguir em São Paulo, onde estaria sendo perseguido pela imprensa, também forçou sua saída.
Antes mesmo do acerto com o clube da Gávea, chegou a beijar a camisa do time carioca, no Maracanã. Com isso, conseguiu unir não só os torcedores, mas também jogadores e dirigentes palmeirenses contra ele.
Agora, aos 34 anos, voltou ao Parque Antarctica sob a desconfiança do técnico Emerson Leão, mas com aprovação total da torcida, ansiosa por relembrar os tempos em que o Animal conquistou com a camisa verde o bicampeonato paulista (1993/94), o bicampeonato brasileiro (93/94) e o Rio-São Paulo (93).
Mesmo com a carreira decadente --chegou a atuar pelo Nova Iguaçu e cogitou disputar o Paulista-2006 pelo Noroeste--, Edmundo está fazendo o Parque Antarctica lotar, e só por isso já dá para dizer que ele "deu certo". Após marcar o gol da vitória por 1 a 0 sobre o São Bento e mostrar disposição até para ajudar na marcação quando o time tinha um a menos, ganhou elogios inclusive de Leão.
No Corinthians, Ricardinho teve passagem até mais vitoriosa do que a de Edmundo no Palmeiras. Conquistou o bi do Brasileiro (1998/99), o bi do Paulista (1999 e 2001), o Mundial de Clubes (2000), a Copa do Brasil (2002) e o Rio-São Paulo de 2002.
Aos 29 anos, o meia retorna ao time ainda prestigiado, com chances inclusive de disputar a Copa do Mundo na Alemanha.
Mas, com Ricardinho, a mágoa da torcida é mais recente. Ele vai precisar ser herói mais rápido do que nunca para curar as feridas. Se depender do discurso do jogador, não vai haver problema. Ricardinho é o rei dos clichês.
Em ano de Copa do Mundo, Amoroso gosta de ser artilheiro nacional. Foi assim em 1994, quando fez 19 gols pelo Brasileiro, atuando pelo Guarani, em 1998/99, quando foi artilheiro do Italiano com 22 gols, pela Udinese, e em 2001/02, temporada em que foi o que mais marcou pelo Alemão, jogando pelo Borussia Dortmund. Nessa temporada vai ser difícil, já que chegou ao Milan no meio do campeonato. Mas quem sabe em 2006/07?
Tudo tem limite. Menos para as pessoas que aplicam pegadinhas na televisão. O que fizeram com Sven-Goran Eriksson foi demais. O repórter Mazher Mahmood se disfarçou de xeque árabe para fazer uma proposta ao técnico de se transferir da seleção inglesa para o Aston Villa, após a Copa-2006, por cerca de R$ 22,5 milhões. Ele teria aceitado, o que gerou muita polêmica com a federação inglesa, com torcedores e com o Aston Villa. Eriksson pode ser demitido até mesmo antes do Mundial. E tudo por causa de uma pegadinha.
Depois da campanha da Nike em que Ronaldinho acerta o travessão seguidas vezes sem deixar a bola cair no chão, que descobriu-se ser montagem, o jornalista inglês Tim Lovejoy resolveu fazer esta paródia.
![]() |
Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
