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Regra 10

09/12/2005

Brasil: 9 chances na Copa e contra o preconceito

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Todo garoto nascido no Brasil, salvo raras exceções, sonha em algum momento ser jogador de futebol. O esporte mais popular do planeta une neste aspecto desde o menino da favela ao mais abonado filho de banqueiro. Sem distinção, todos são livres para imaginar uma futura convocação para a seleção, uma Copa do Mundo. O que ninguém imagina é que possa ser para a seleção da Tunísia, da Croácia, da Espanha, do México...

Pelo menos oito jogadores nascidos no Brasil podem disputar o Mundial da Alemanha-2006 por países diferentes --a mais recente novidade foi a convocação de Marcos Senna nesta semana para a seleção da Espanha.

Se para o Brasil é motivo de orgulho espalhar jogadores por seleções de quase todos os continentes, o mesmo não deve acontecer entre os torcedores das nações que abrigam estes expatriados.

Em tempos de xenofobia e racismo pelo mundo afora, principalmente no futebol, o técnico Luiz Felipe Scolari, da seleção de Portugal, chamou a atenção recentemente para o problema do preconceito. O comandante do penta reclamou de jornalistas que teriam dito que seu time foi bem nas eliminatórias "apesar de ter um treinador brasileiro".

Em entrevista ao jornal lusitano "O Jogo", Felipão reclamou com veemência da discriminação, mas não encontrou respaldo na federação portuguesa. E isso acontece na mesma semana em que Vanderlei Luxemburgo foi demitido do Real Madrid em meio a rumores de pressão de um grupo de jogadores espanhóis para acabar com o suposto domínio brasileiro no clube.

Assim como um estrangeiro dificilmente teria aceitação na seleção brasileira, a vida de Kevin Kuranyi (Alemanha), Deco (Portugal), Marcos Senna (Espanha), Zinha (México), Alex Santos (Japão), Francileudo e Clayton (Tunísia) e Eduardo da Silva (Croácia), em maior ou menor escala, não deve ser fácil.

Com certeza estes países não levariam estes brasileiros à Copa-2006 se pudessem trocá-los por jogadores nacionais do mesmo nível. É natural.

O mesmo acontece com os treinadores. Da mesma forma que Scolari sentiu na pele o preconceito, é impossível que os também brasileiros Zico (Japão) e Alexandre Guimarães (Costa Rica) não tenham que enfrentar nenhum tipo de resistência.

Para a torcida do Brasil fica o consolo de o país ter nove possibilidades de ver pelo menos um de seus "filhos" como campeão do mundo. Basta que Brasil, Alemanha, Portugal, México, Espanha, Japão, Croácia, Tunísia ou Costa Rica fiquem com o título.

Isso sem contar com a possibilidade de Vanderlei Luxemburgo, recém-demitido do Real Madrid, assumir o time do Irã --depois do Mundial, é quase certo que ele vai pegar a vaga de Parreira.

Parreira também vai alcançar um recorde nesta Copa. O comandante do tetra vai para seu quinto Mundial na carreira. Além do Brasil, em 1994, ele também foi treinador do Kuait, na Espanha-1982, dos Emirados Árabes, na Itália-1990, e da Arábia Saudita, na França-1998. O brasileiro vai empatar com o sérvio Bora Milutinovic, que pela primeira vez em 20 anos vai ficar fora da Copa. Nas últimas cinco, ele treinou México, Costa Rica, Estados Unidos, Nigéria e China.

Com três países de língua portuguesa na Copa (Portugal, Brasil e Angola), a Fifa rendeu-se ao idioma de Camões e lançou sua versão do site oficial da Copa em português. Além de inglês, alemão, francês e espanhol, sempre presentes nos sites especiais e comunicados da entidade, o especial oficial da Copa também ganhou versões em italiano e coreano.

O ministro da Cultura, Gilberto Gil, que está na Alemanha para divulgar uma série de eventos culturais patrocinados pelo governo brasileiro que acontecerão paralelamente à Copa do Mundo, compôs um samba em homenagem ao Mundial alemão. Clique aqui para conferir uma versão à capela da música.

A Philips, uma das patrocinadoras oficiais da Copa, vai anunciar oficialmente nesta sexta-feira a criação da Vila da Copa. Segundo a empresa, um espaço com 7.500 m2 será montado no Jockey Club de São Paulo com telões e outras atrações para que os torcedores acompanhem os jogos do Mundial do ano que vem.

A Fifa anunciou que vai premiar o jogador revelação da Copa-2006, uma novidade. Só podem concorrer ao prêmio jogadores nascidos a partir de 1º de janeiro de 1985, o que exclui Robinho. Meu favorito, então, é o argentino Lionel Messi.

Dando seqüência à série, veja este vídeo com dez jogadas selecionadas de Ronaldinho. É um pouco repetitivo, mas é legal.

O craque Leônidas da Silva, morto no ano passado, foi homenageado na noite de quinta-feira no Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo com o prêmio Paul Donovan Kigar de honra ao mérito por realizações de vida. Ao lado atleta também foram homenageados Alberto Santos-Dumont, Carmen Prudente, Victor Brecheret, José Celestino Bourroul, Maria de Lourdes Guarda, José Augusto Neves e Paulo Freire.

Depois de tanto torcer para Romário ser artilheiro do Brasileiro aos 39 anos, achei bonito ver ele dizer "eu jogo porque gosto", numa grande demonstração de humildade. Mas em seguida ele voltou ao velho estilo marrento para dizer "nunca fui cavalo paraguaio, sou puro sangue".

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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