Regra 10
Destinos cruzados de Romário e Palhinha
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Um amistoso entre uma seleção sul-americana contra uma européia, em Barcelona, em 1997, bastou para que Romário se encantasse com Palhinha. O ex-são-paulino jogava então no Mallorca, da Espanha, mas o Baixinho fez a cabeça do jogador para que ele voltasse ao Brasil e convenceu o Flamengo a repatriar o meia-atacante.
Foram cinco meses jogando juntos na Gávea. Mas a sinergia do futebol dos dois não se repetiu como naquela partida. Palhinha deixou o Flamengo e traçou, a partir de então, uma trajetória bastante diferente da de Romário. Um dos poucos pontos em comum na carreira dos dois hoje é a longevidade no esporte.
Aos 39 anos, Romário vem provando no Brasileiro que não há motivo para abandonar os gramados. Aos 37, Palhinha ainda não se deu por vencido, mas já deixou os tempos de glória bem longe.
Romário tem 18 gols no atual Nacional, mesmo tendo atuado em apenas 28 dos 39 jogos do Vasco. Está atrás na artilharia apenas de Robson (21), Borges (20) e Alex Dias (19). Tem o mesmo número de gols, por exemplo, que o corintiano Tevez, umas das maiores estrelas do campeonato.
Se marcar pelo menos mais três vezes nos três últimos jogos --e contando com má pontaria dos rivais--, vai ser o mais velho artilheiro do Brasileiro na história. Talvez o mais velho artilheiro de um campeonato de ponta no mundo em todos os tempos.
Como artilheiro do Brasileiro, daria até para ele pleitear uma vaguinha no quarteto mágico da seleção para Copa-2006. Por que não? Ele já foi injustiçado nas Copas de 1998 e 2002. E temos o exemplo do camaronês Roger Milla, que jogou a Copa-1994 com 42 anos. O Baixinho terá 40.
Kaká, Ronaldinho, Ronaldo e Romário. Que tal? Tudo bem, é meio difícil de acontecer. Mas que seria legal, seria.
Enquanto Romário vem melhorando --ou pelo menos mantendo a forma-- com o tempo, Palhinha percorre o caminho mais natural dos jogadores que já passaram dos 35. Estava quase no ostracismo.
Recentemente, depois de passar por times como Uberaba, Chapecoense e Farroupilha, Palhinha deu uma cartada que poderia representar uma guinada em seu destino. Mas não estava em uma mão boa.
O herói são-paulino da conquista do bicampeonato da Libertadores e do Mundial Interclubes se ofereceu a Paulo Autuori para voltar a jogar pelo clube do Morumbi no Mundial de Clubes da Fifa. No dia da semifinal, em 14 de dezembro, Palhinha completa 38 anos.
Autuori é velho conhecido do meia. Os dois foram campeões da Libertadores juntos pelo Cruzeiro. Quando Palhinha chegou ao Flamengo de Romário, o técnico também era Autuori. E foi o mesmo treinador quem pediu sua contratação pelo Alianza Lima, do Peru.
Mas a resposta foi não. E desde que deixou o Farroupilha, do Rio Grande do Sul, Palhinha está sem emprego. Diferentemente de seu colega Romário, está também sem dinheiro.
De certa forma, Romário acabou contribuindo para a derrocada de Palhinha. O próprio jogador diz que a decisão de sair do Mallorca para voltar ao Brasil foi "a maior decepção" em sua carreira e que foi determinante para o declínio. Depois do Flamengo, o único grande clube do atleta no Brasil foi o Grêmio.
Se depender de sua vontade, não será o último. Se for aberta uma vaga no Vasco para reviver a dupla, Palhinha não vai pensar duas vezes.
Nelsinho Baptista e Marcelo Teixeira perderam boa oportunidade de ficar de boca fechada no episódio do bate-boca via imprensa com Gallo. Nelsinho disse que sua imagem não está arranhada pelos maus resultados porque a culpa não é dele, mas sim dos antecessores. Se não estava arranhada, ficou agora pela falta de ética.
Desde que assumiu o Corinthians o técnico Antônio Lopes vinha dizendo que o Brasileiro vai ser decidido somente na última ou antepenúltima rodada. Não deu outra. Mas o favoritismo ainda é todo do time do Parque São Jorge.
Eu tinha dito aqui que seria legal o Uruguai se classificar para que tivéssemos todos os campeões do mundo na Copa da Alemanha. Não deu. Foi uma pena, porque passei a simpatizar ainda mais com o time quando descobri que o técnico Jorge Fossati fala português fluentemente --ele foi goleiro do Avaí de Florianópolis. Juntar todos agora só em 2010. Em 2002, estavam todos lá.
Um primo meu leu a primeira edição de Regra 10 e contou mais um "causo" sobre Loteria Esportiva e o Roberto Dinamite. Ele contou que também ficou apenas pelo jogo do Vasco, na ocasião contra o América, para fazer os 13 pontos. O América saiu na frente, mas os vascaínos viraram com gols de Dinamite. Segundo meu primo, o rateio foi baixo e ele ainda tinha feito o jogo em "bolão" com amigos. Não deu muito dinheiro.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |

