Regra 10
Reviravoltas nos acréscimos com Roberto Dinamite e Wome
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Todos os resultados da rodada batiam com os do volante da Loteria Esportiva. Eram 13 pontos e um polpudo prêmio. Só faltava acabar um jogo, do Vasco, que estava empatado e nos acréscimos. O juiz já ia apitar. Nos instantes finais, no entanto, Roberto Dinamite fez a alegria dos vascaínos. E a tristeza do apostador.
A vitória do Vasco no finalzinho tirou das mãos daquele torcedor do Corinthians a bolada da Loteria Esportiva, que nos anos 80 rendia um bom dinheiro. Maldita coluna do meio.
Maldito Dinamite. Tinha que ser justamente o craque vascaíno, aquele que, no retorno ao Brasil, após uma breve passagem pelo Barcelona, humilhou o time do Parque São Jorge com cinco tentos em uma goleada por 5 a 2.
Me lembrei dessa história, que aconteceu com o pai de um amigo, ao ver o destino de Camarões na última rodada das eliminatórias africanas da Copa-2006.
Para quem não soube: os Leões Indomáveis, que buscavam o quinto Mundial consecutivo, perderam a vaga ao desperdiçar um pênalti aos 49min do segundo tempo, no empate por 1 a 1 com o Egito. Pierre Wome chutou na trave, frustrando os 40 mil torcedores que lotaram o estádio Omnisport.
A própria marcação do pênalti foi festejada por jogadores e torcedores como se fosse a classificação. Se o lateral-esquerdo da Inter de Milão convertesse a penalidade, o time estaria classificado.
Assim como a história do apostador, esta também teve um agravante. Wome havia sido o responsável pela maior glória do futebol camaronês na história, também em cobrança de pênalti. Em 2000, bateu e converteu o decisivo na conquista da medalha de ouro dos Jogos de Sydney-2000, sobre a Espanha.
A torcida camaronesa --assim como a Caixa Econômica, insensível à dor do corintiano que viu Roberto Dinamite estragar sua festa--, não perdoou o outrora herói Wome, que teve que sair do estádio em carro da polícia direto para o aeroporto, seguindo para a Itália.
Mas Wome não passou incólume pelo episódio. Sua casa em Iaundé ainda foi invadida e saqueada. E a dor de cabeça deve durar uma vida inteira.
Se o Uruguai se classificar para a Copa vai ser muito legal. Teremos todos os sete campeões do mundo em campo --Alemanha, Argentina, Brasil, França, Inglaterra, Itália e Uruguai. Por outro lado, a classificação uruguaia pode ser um tormento para o Brasil. Primeiro porque o país vizinho sempre "engrossa" em jogos contra a seleção e com certeza vai dar trabalho se os times se cruzarem. Segundo porque a vitória uruguaia sobre a Argentina --que valeu a vaga na repescagem-- deu ao Brasil o título das eliminatórias e também o pesado fardo de ser o maior favorito da competição.
A "Regra 10", que dá nome a esta coluna, é a que dispõe a respeito do gol. É bem simples, como são todas as 17 que definem basicamente o esporte mais popular do planeta. Está reproduzida abaixo:
"Ressalvadas as exceções previstas nas regras, se considerará gol quando a bola ultrapassar totalmente a linha de fundo, entre as traves e por baixo do travessão, sem que tenha sido lançada, levada ou golpeada com a mão ou o braço de um jogador da equipe atacante - exceto o goleiro, quando dentro de sua própria área de pênalti. A equipe que marcar maior número de gols ganhará o jogo. Se não houver gols, a partida terminará empatada."
Este espaço, que inauguro hoje, pretende tratar principalmente disso, do gol e do esporte em sua essência, sempre procurando as peculiaridades que tornam o futebol apaixonante.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
