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Regra 10

25/05/2007

O futebol mais instável do mundo

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

O presidente do Grêmio, Paulo Odone, já sonha em jogar contra o Milan na final do Mundial de Clubes, em dezembro. Bastante plausível, apesar de ainda ter o Santos e uma eventual final da Libertadores pela frente. Mas vale lembrar que um ano e meio atrás o time jogou uma partida que podia tê-lo mantido na Série B do Brasileiro.

Se tivesse perdido aquele jogo contra o Náutico --venceu contrariando toda a lógica, tanto que a partida ficou conhecida como Batalha dos Aflitos e virou até filme--, o Grêmio estaria hoje muito longe da possibilidade de voltar a conquistar um título continental, que dirá um mundial. Teria jogado a segundona no ano passado, receberia menos recursos de TV, teria menos receita com patrocínio etc, etc. Ia ficar cada vez mais difícil voltar à elite.

O Internacional, por outro lado, viveu suas maiores glórias no ano passado, com os títulos da Libertadores e do Mundial. Agora, já vive crise. Fez péssima campanha no Estadual e acumulou duas derrotas nos dois primeiro jogos no Nacional.

É incrível ver como os clubes brasileiros são extremamente instáveis. Todos os times, sem nenhuma exceção, estão sujeitos a, de um ano para o outro, irem da glória ao limbo e vice-versa. Alguns se mantêm no limbo por tempo suficiente para serem considerados "estáveis", mas nenhum consegue prolongar por muito tempo a situação oposta.

O São Paulo poderia até ser colocado como aquele que chega mais perto de manter uma certa regularidade. Mas também não está livre das crises e quedas de rendimento abruptas, vide as eliminações no Paulista e na Libertadores e o início cambaleante no Brasileiro. Por outro lado, os rivais Palmeiras e Corinthians, que vinham sendo achincalhados por todos, de repente, já estão em boa fase.

Em Minas Gerais, o Cruzeiro, melhor time do país em 2003 --campeão mineiro, brasileiro e da Copa do Brasil--, agora vive crise. Já o Atlético-MG, que amargou a Série B em 2006, conquistou o Mineiro deste ano em cima do arqui-rival e vem melhor no Nacional.

As explicações para esse fenômeno podem ser muitas e com certeza passam pela má administração dos clubes e outras mazelas dos bastidores do futebol.

Fica o consolo de, pelo menos, o Brasileiro ser provavelmente o campeonato mais emocionante do mundo. Nenhuma outra competição nacional começa com tantos times que podem ser, ao mesmo tempo, candidatas ao título e ao rebaixamento.

Vinte e um anos antes de marcar seu milésimo gol, Romário já era ídolo no Vasco. Confira esta reportagem da Globo, de 1986, em que o Baixinho tira onda com seu Monza 0 km e dá declarações humildes (mas nem tanto).

Lembra do atacante Élber, que passou por vários times da Alemanha e chegou a jogar na seleção brasileira? Veja só o que ele anda fazendo hoje. Participa do programa Let's Dance, uma versão alemã do Dança dos Famosos, da Globo.

Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

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