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Regra 10

31/03/2006

O Pelé dos técnicos

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

O Zagallo disse em 1998 que teríamos que engoli-lo, mas na verdade nós temos mesmo é que engolir o Vanderlei Luxemburgo. Sempre vai existir a ressalva do passado nebuloso. Mas a lista das acusações é proporcional à eficiência do técnico em campo, que o torna o melhor técnico do Brasil.

As qualidades de Luxemburgo são tantas que arrancaram um elogio inusitado do maior jogador da história do futebol mundial. "É o Pelé dos técnicos", disse o eterno camisa 10 do Santos, empolgado com a campanha do treinador à frente de seu time do coração no Campeonato Paulista.

Luxa é mesmo o Pelé dos técnicos. Está acima de todos os seu colegas no Brasil. Bastante acima. Se trocássemos, por exemplo, ele de lugar com o Leão, acho que muito provavelmente Santos e Palmeiras também trocariam de lugar na tabela do Estadual.

Como disse o Pelé, o diferencial do treinador santista não está apenas em saber armar o time, substituir, motivar. Ele também tem um incrível faro para contratações. Olhando a escalação do Santos no início do torneio, não dava para botar muita fé no time. Parecia mais um "catado".

Tudo bem que não podemos dizer que o Santos agora está jogando uma maravilha, mas sem dúvida é muito eficiente. E muito do mérito é do técnico, que está prestes a conquistar seu sexto título paulista --venceu em 1990, com o Bragantino, 1993, 1994 e 1996, com o Palmeiras, e 2001, com o Corinthians.

Nenhum treinador do cenário atual tem tantas conquistas na competição como ele. Mais: se vencer o torneio, Luxemburgo entra para a história do Santos como o técnico que tirou o time da fila no Estadual, título que não é conquistado desde 1984. Vale lembrar que foi ele também quem acabou com o jejum de 17 anos do Palmeiras, ao vencer com a equipe do Parque Antarctica o Paulista de 1993.

"A capacidade do Luxemburgo é inigualável. Podem falar o que quiserem da vida particular dele, mas eu o admiro e o respeito [como treinador]", disse Pelé, na entrevista que deu ao "Globo Esporte".

Os problemas da vida particular citados por Pelé incluem acusações como assédio sexual, sonegação fiscal, evasão de divisas, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. E de fato chegaram a interferir em sua carreira como técnico --foi demitido da seleção por causa dos escândalos.

Ao mesmo tempo, Luxemburgo ostenta o recorde absoluto de cinco títulos conquistados no Campeonato Brasileiro, que muito dificilmente será batido. A não ser por ele próprio, já que o Santos já desponta como um dos favoritos para o Nacional-2006.

Na Europa, tenho a impressão de que o fracasso tem ligação íntima com o fato de Luxemburgo ter mantido um portunhol ininteligível tanto para espanhóis como para brasileiros. Faltou tempo. Pelo menos o Espanhol ele poderia ter dado ao Real Madrid, já que é o rei dos pontos corridos.

Voltando ao Pelé, é preciso dizer que o Rei também não tem a ficha totalmente limpa --vide o caso do desvio de dinheiro de um evento beneficente do Unicef. Isso não chega a justificar uma comparação com Luxemburgo, mas abre espaço para que se diga sem grandes constrangimentos:

Luxemburgo é o Pelé dos técnicos.

Agora foi a vez de Roberto Carlos, em entrevista à TV Bandeirantes, dizer que a geração atual pode fazer esquecer o time da Copa-1970. Antes, Ronaldo já havia levantado o assunto. É claro que não se pode fazer a comparação entre os times já que são épocas diferentes, mas, com relação a números, o time atual pode realmente superar todos na história. Basta dizer que Ronaldo está empatado com Pelé, com 12 gols em 14 jogos de Copas cada. Cafu, único atleta a participar de três finais de Mundiais seguidas, é outro que pode ampliar recordes. Os dois, aliás, são os únicos que podem tonar-se tricampeões, igualando o próprio Pelé, até hoje o único a ter levantado três troféus no mundo.

O assunto já foi amplamente discutido, mas quero deixar registrado que acho estupidez a utilização do ponto eletrônico para a comunicação entre os juízes. O motivo é básico: levantar a bandeira é um excelente método de comunicação. O trabalho dos auxiliares requer concentração máxima para analisar situações dificílimas em frações de segundo. É óbvio que uma voz soprando coisas na orelha diminui a concentração.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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