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Regra 10

10/03/2006

Zagallo, pede o Nilmar!

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

No dia 29 de dezembro de 1998, Zagallo foi apresentado oficialmente como treinador da Portuguesa --então Lusa, como queriam os dirigentes, numa fracassada tentativa de popularizar o time. Cheguei ao estádio do Canindé pela manhã e me juntei às dezenas de repórteres. Sim, dezenas. O plano de marketing pode não ter funcionado, mas a contratação do Velho Lobo pelo menos conseguiu chamar, e muito, a atenção da imprensa.

Zagallo nunca havia trabalhado em São Paulo e não treinava um clube havia quase uma década. O último havia sido o Vasco, em 1990.

Antes de atender à imprensa, o técnico do tri ficou um bom tempo parado no centro do gramado. Olhava à sua volta, como se estivesse admirando as arquibancadas vazias. Depois de alguns minutos, chegou aos repórteres e, antes mesmo de qualquer pergunta, anunciou, eufórico:

- Existem 13 escudos da Portuguesa nos anéis das arquibancadas.

Estavam lá. Não eram 12 e nem 14. 13 escudos da Lusa circundavam o estádio do Canindé, nos gomos das arquibancadas.

Não espantou em nada o apego de Zagallo com o número 13, mas sim a rapidez com que ele transformou a arena em um grande amuleto.

Ao final da apresentação, cheia de frases ufanistas e patrióticas --saio de uma seleção para entrar em outra, chegou a dizer--, resolvi acompanhá-lo até o carro, que, obviamente, tinha o número 1313 na placa.

A passagem de Zagallo pela Portuguesa acabou valendo mais justamente por suas boas histórias e superstições do que pelo futebol. Com ele, a Lusa conseguiu um quinto lugar no Paulista e agonizou no Brasileiro --o técnico acabou demitido após uma derrota para o Corinthians, e o time terminou o torneio nacional na vice-lanterna.

A carreira de Zagallo como técnico em clubes, aliás, não registra grandes feitos --alguns campeonatos cariocas, uma Taça Brasil (1968). Na seleção, Zagallo também parece exercer influência muito maior como ícone, como exemplo, como incentivador do que como coordenador técnico de Parreira.

Ele é o cara que vai exaltar a "amarelinha" nas preleções da Copa, que vai tentar tirar os supercraques brasileiros do mundo das cifras e dos contratos multimilionários para resgatar o amor pela camisa, que vai se emocionar na TV.

Parreira tem profundo respeito por Zagallo. Foi por ele --e pela reedição da dupla que faturou a Copa dos EUA-1994-- que o atual técnico brasileiro aceitou voltar à seleção. Provavelmente é por Zagallo que Parreira não vai levar Rogério Ceni à Copa. Por ele, o treinador poderia também colocar o atacante Nilmar no Mundial-2006.

O Zagallo foi quem levantou a lebre. Disse considerar que Nilmar merecia ter sido eleito o craque do Brasileirão do ano passado --um pouco pelo excelente futebol do corintiano e um pouco por patriotada, já que o argentino Tevez levou o prêmio.

As atuações de Nilmar em 2006 também conspiram a seu favor. E não seria preciso nem abrir mão de Fred para arranjar vaga. Como fez nas últimas Copas, o Brasil poderia levar cinco atacantes: Ronaldo, Adriano, Robinho, Fred e Nilmar.

Quem perderia lugar na lista dos 23 seria um zagueiro. E Edmílson serviria como um coringa para jogar de volante ou na zaga. Tudo perfeitamente plausível e a contento do Velho Lobo, o amuleto da seleção.

Só para lembrar, em 1994 tivemos Romário, Bebeto, Müller, Viola e Ronaldinho; em 98, Ronaldo, Bebeto, Edmundo, Denilson e Romário (acabou cortado); em 2002, Ronaldo, Rivaldo, Luizão, Edílson e Denílson.

Nem que seja em nome da superstição: Zagallo, pede o Nilmar!

A Portuguesa de hoje não é nada diferente da dos tempos de Zagallo. Assim como aquele time, o de hoje sofre com a ausência de bons jogadores e corre sério risco de rebaixamento no Paulista. Aliás, no Brasileiro de 1999, a Lusa só não caiu graças ao regulamento esdrúxulo do Campeonato. O time ficou na 21ª e penúltima posição, mas foi salvo porque os resultados obtidos nos dois anos anteriores eram levados em consideração. O mesmo ocorreu com o Sport, que terminou na lanterna. Bom, mas isso tudo não valeu de nada porque, como sabemos, em 2000 não houve Brasileiro, e sim a Copa João Havelange, com virada de mesa e tudo o mais.

O time do Palmeiras não é nenhuma maravilha e foi mesmo humilhado com a goleada para o América em casa, além de ter perdido o clássico para o Santos. Mas a torcida do clube é corneteira demais. Ninguém mais presta no time? Também não é assim. E além disso, mesmo limitado, o Palmeiras é terceiro no Paulista e ainda tem chances de brigar pelo título. Se os palmeirenses não têm, então ninguém mais tem, já que o São Paulo, segundo colocado, também tem 26 pontos. O Campeonato ainda não acabou.

A marca do São Paulo de 30 jogos invicto no Morumbi pela Libertadores é extremamente expressiva. Ainda mais se considerarmos que são 27 vitórias! O Cienciano não ofereceu quase nenhuma resistência, mas esta é uma estatística que precisa ser levada em conta.

A única grande zebra que vejo na primeira fase da Copa do Brasil é o Santo André, campeão de 2004, ter sido eliminado pelo Potiguar-RN, mesmo decidindo em casa. Porque o Bahia cair diante do Ceilândia-DF assusta, mas só um pouquinho, quase nada. De resto, todos os "grandes" passaram.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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