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Regra 10

24/02/2006

Rogério Ceni, mesmo sem clamor

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Como eu já disse aqui outro dia, não existe nenhum clamor popular para que um atleta seja convocado por Parreira para a Copa-2006, como aconteceu com Romário em 2002, por exemplo. O que chega mais perto disso são os pedidos por Rogério Ceni.

Não tenho nenhuma simpatia especial pelo jogador. Também não tenho nada contra, pelo menos no aspecto futebolístico, que é o que me interessa. Mas o fato é que Rogério é, sim, o melhor jogador brasileiro da posição em atividade.

Historicamente, acho que Marcos e Dida até já pegaram melhor que o são-paulino, mas atualmente a situação é diferente.

Em plena forma, o Marcos é o melhor dos três. Com ele, a campanha do penta foi perfeita --sem falar que ele poderia igualar o bicampeonato de Gilmar dos Santos Neves, feito bastante considerável.

O palmeirense mostrou no início do Paulistão que havia recuperado a boa forma, mas rapidamente voltou para o estaleiro, onde, aliás, passou boa parte do ano passado.

Dida, além de ter sofrido contusão, vinha de uma fase meio nebulosa no Milan, engolindo frangos incríveis. Júlio César, da Inter de Milão e terceiro na preferência de Parreira, está um nível abaixo, além de também estar lesionado --deve ir para a Copa mais para pegar experiência para Mundiais futuros.

Rogério, por sua vez, provou na Libertadores e no Mundial do ano passado que está tinindo. Mesmo tendo passado por uma cirurgia recentemente, recuperou-se de forma espantosa e já é o mesmo de antes.

É claro que Rogério também dá suas escorregadas --sem falar nas estranhíssimas "ajoelhadas"--, mas no momento tem que ser o titular da camisa 1 do Brasil.

Vai ser contra a Rússia. Mas todos sabemos que não deverá ser na Copa, graças, ao que tudo indica, a uma picuinha com Zagallo. A não ser que as mesmas vias tortas que o levaram à convocação para o amistoso o levem também para a Alemanha. Pode acontecer. Pelo jeito, a mandinga dos são-paulinos é forte.

A maldição dos medalhões da seleção continua. Quem não está contundido vive má fase. Adriano não marcou gol nos últimos dez jogos da Inter. Ronaldo é vaiado no Real Madrid. Dida e Cafu estão machucados. Roberto Carlos é outro que não empolga mais. Ou seja, meio time está meia-boca.

O Vasco parou no tempo. No tempo da ditadura. Repetindo expediente já usado no passado contra outros veículos, o clube vetou a presença do Pelé.Net nos treinos no Vasco-Barra e nos jogos em São Januário. Tudo porque o site publicou reportagem criticando um amistoso marcado contra um time alemão --um daqueles para ajudar o Romário a chegar aos mil gols. Ao ver que o adversário era um time de masters, o próprio Romário desistiu da partida, que virou um jogo-treino. Vários jornais, rádios e TVs noticiaram a trapalhada, mas parece que alguém tinha que servir de exemplo para que possa continuar a haver "liberdade de imprensa".

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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