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Regra 10

10/02/2006

Leão, confusões e boicote

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Palmeiras x Guarani. Emerson Leão é acusado de agressão e causa uma grande confusão. O ano é 1978 e qualquer semelhança com os fatos ocorridos na última quarta-feira, em Campinas, no empate por 1 a 1 entre o Bugre e a equipe do Parque Antarctica, não é mera coincidência.

Leão tem uma capacidade incrível de atrair quiproquós e quizumbas. Esse caso de 1978 aconteceu no primeiro jogo das finais do Campeonato Brasileiro, no Morumbi.

Apesar da experiência --aos 29 anos, já tinha disputado três Copas, 1970, 1974 e 1978, sendo que as duas últimas como titular--, Leão parecia bastante nervoso na partida. Sofria com o jovem atacante Careca, mas vinha fazendo uma série de grandes defesas.

Aos 20min do segundo tempo, teve um desentendimento com o ponta-esquerda Bozó e acabou levando cartão amarelo. Seis minutos depois, protagonizou o lance que definiu a partida ao dar uma cotovelada em Careca. O juiz Arnaldo César Coelho expulsou o goleiro palmeirense e deu pênalti.

Todo mundo já sabe que o atacante Escurinho acabou indo para o gol e não conseguiu evitar o gol de Zenon na cobrança. Mas vale lembrar que Leão, que alegava não ter feito nada, levou cerca de sete minutos para deixar o campo.

Nesse meio tempo, o encrenqueiro conseguiu armar um tumulto generalizado, tentou tirar satisfações com árbitro a todo custo e inclusive quis agredir um oficial da Polícia Militar.

Na última quarta-feira, no Brinco de Ouro, Leão também disse não ter feito nada. Como nenhuma câmera de TV flagrou o momento do desentendimento entre o técnico palmeirense e o repórter José Henrique Semedo, da rádio Central de Campinas, não dá para ter uma opinião definitiva sobre o assunto.

Mas, levando em conta as poucas imagens que foram exibidas pelas TVs, o claro desequilíbrio de Leão nas entrevistas e na volta para o segundo tempo --quando, nervoso, derrubou um repórter e um cinegrafista na saída do vestiário--, as versões de jornalistas que presenciaram a cena e o depoimento do próprio Semedo, a tendência, para mim, é acreditar mais no repórter.

Se ficar provado que Leão realmente o agrediu com uma cotovelada e um soco na cara, como Semedo diz, ele tem que ser punido de alguma forma. Se não houver uma maneira de puni-lo na esfera esportiva ou na Justiça comum, então a própria imprensa deveria fazer sua "justiça". Uma maneira disso seria um boicote. Como será que Leão se sentiria ficando um mês sendo completamente ignorado por TVs, rádios e jornais?

A ficha corrida de Leão em confusões é extensa. Deu soco em Marinho Chagas na Copa-1974, levou chute na cabeça de Serginho Chulapa jogando pelo Grêmio, em 1981, e revidou dois anos depois ao dar cotovelada no atacante, já como goleiro do Corinthians, entre outros casos. Como técnico, a coisa não é diferente. No Atlético-MG, fraturou o rosto em briga na final da Conmebol contra o Lanús, na Argentina, em 1997, foi atingido com spray de pimenta por policiais quando dirigia o Santos diante do Paysandu, em 2002... Isso sem contar as constantes discussões com árbitros.

E não é só em campo que Leão cria caso. Segundo o Painel FC da Folha de S.Paulo, ele já irrita a cúpula palmeirense porque exige um contrato individual com a Pirelli para exibir o logo da patrocinadora na camisa. Ele também não veste o agasalho da Adidas nos jogos, como queriam os dirigentes, e tem contrato para usar chuteiras Pênalti.

Assim como Leão vinha fazendo naquele jogo de 1978, Marcos pegou bolas dificílimas na quarta-feira. Se não fosse pelo goleiro, o Palmeiras não sairia de Campinas com o empate. A exatos quatro meses da Copa-2006, o arqueiro do pentacampeonato mundial é, na minha opinião, o melhor goleiro do Brasil em atividade. Mas o Parreira já avisou que confia no Dida.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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