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Regra 10

03/02/2006

Viva o Bobô!

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Amigos ligaram uns para os outros para contar as boas novas sobre o Corinthians. Alguns falaram em pagar promessa. Outros exaltaram a diretoria.

- Agora vai! - festejaram.

As comemorações dos torcedores poderiam ter sido motivadas pela chegada do meia Ricardinho, ídolo que retornou ao clube. Mas a festa a que me refiro foi feita pela saída do atacante Bobô!

Deyvison Rogério da Silva, 21, apelidado como Bobô pelo próprio pai --acredito que muito mais por arrependimento do que pela suposta semelhança com o ex-jogador do Bahia, motivo oficial--, era o perseguido oficial da torcida corintiana até a semana passada.

Para a felicidade dos corintianos, o jogador foi emprestado ao Besiktas, da Turquia. Inicialmente, ele iria para Daegoo, mas o time sul-coreano desistiu na última hora.

Eterna promessa, Bobô não passou nem perto de repetir como profissional os feitos que obteve nas categorias de base. Ele foi, por exemplo, artilheiro do Paulista sub-17 em 2002, além de ter sido campeão e artilheiro da Copa São Paulo de juniores em 2005. Também teve passagens pelas seleções de base e chegou a disputar o Mundial da categoria no ano passado.

Nos profissionais, Bobô demorou nada menos do que 33 partidas para balançar as redes pela primeira vez. Mesmo se considerarmos que na maior parte das oportunidades o jogador veio do banco, isso é muito pouco. No total, ele entrou em campo pelo time principal do Corinthians 61 vezes. Marcou míseros cinco gols --média de 0,08.

Isso explica as sonoras vaias recebidas pelo atleta, que muitas vezes começava a ouvir os apupos antes mesmo de entrar em campo --bastava seu nome aparecer no placar eletrônico. Por outro lado, as vaias e a pressão excessiva também poderiam servir para explicar as más atuações do atacante.

O mais intrigante é que nada disso afetou a opinião dos técnicos que passaram pelo Corinthians nos últimos tempos. Todos apostaram no atleta.

Se depender do atacante, as vaias recebidas diante da Portuguesa, no Pacaembu, no último dia 22, não terão sido as últimas. O empréstimo de Bobô ao Besiktas vai até o final de maio. E ele já disse que quer retornar para a disputa do Campeonato Brasileiro.

Os corintianos podem até voltar a sofrer com jogadas como o lance contra o Bahia, em 2003, quando Bobô chutou o próprio pé em vez da bola, ou como aquele gol perdido contra o Cianorte na Copa do Brasil de 2005 --com o gol vazio, chutou por cima de maneira incrível. Mas ao menos terão de volta seu bode-expiatório predileto para enxovalhar.

Muitos jogadores ficaram marcados com a torcida de algum time na história do futebol, mas na maior parte das vezes isso se deveu a um fato específico. Um exemplo disso é Denis, lateral-esquedo do Palmeiras, que errou feio na decisão do Paulista de 1986 e permitiu que a Inter de Limeira fosse campeã, mantendo o time do Parque Antarctica na fila. Outro que foi marcado por erro foi Guinei, que falhou nos dois jogos do Corinthians contra o Boca Juniors, na Libertadores de 1991. Pela seleção, Cerezo conviveu muito tempo com a raiva dos torcedores por um passe errado que resultou em gol no jogo contra a Itália da Copa de 1982.

Exemplos de jogadores que ficam marcados com a torcida pelo "conjunto da obra" também não faltam, mas os casos costumam ser menos graves. Jogadores como Lúcio (Palmeiras), Edcarlos (São Paulo) e Henao (Santos) já sofreram com a desaprovação da torcida, só para citar casos recentes. Mas acho que nenhum destes exemplos é mais emblemático que o de Bobô.

Com as contratações de Alex Dias e Leandro, o São Paulo fica ainda mais "goianizado". Os dois jogadores, que estavam no Vasco e no Fluminense, respectivamente, formaram a dupla de ataque do Goiás em 2004 --juntos, marcaram 38 gols no Brasileiro daquele ano. André Dias, Josué e Danilo são outros são-paulinos que estavam no Goiás em 2004. Isso sem contar que Fabão também veio do clube goiano.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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