Regra 10
Cristiano Ronaldo deixa Europa órfã
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
A Eurocopa termina sem ter visto um grande craque. Me refiro a um jogador que decide a competição, tipo um Platini na Euro-1984 ou um Van Basten na Euro-1988. Não apenas um jogador que pode ser considerado craque pelo conjunto da obra.
O grande nome era para ter sido o do português Cristiano Ronaldo, mas o jogador do Manchester United, que por falta de opção deve ser escolhido o melhor do mundo neste ano na eleição da Fifa, nem de longe fez por merecer os elogios que vinha recebendo antes da competição --aí, sim, com justiça.
O luso-brasileiro Deco até jogou bem na primeira fase, mas também não fez o suficiente para levar adiante o time de Felipão, que caiu contra a Alemanha nas quartas.
A Alemanha chegou à final jogando bem em conjunto, mas também não contou com um grande craque, alguém fora de série. Lucas Podolski e Schweinsteiger foram destaques, mas não diria que um ou outro foi quem fez a diferença, quem resolveu.
A Espanha, também finalista, chegou com um candidato a craque, Fabregas, na reserva. Outro espanhol que poderia se consagrar, Fernando Torres, não foi lá muito bem e acabou ofuscado no ataque pelo companheiro David Villa, outro que não chegou a ser "o craque".
Azarões nesta corrida, o francês Ribery e os holandeses Van der Vaart e Sneijder ficaram pelo caminho, assim como o sueco Ibrahimovic.
O russo Arshavin, que nem azarão era, já que pouca gente apostava não só nele como na Rússia, empolgou e virou uma espécie de sensação-relâmpago após a impressionante vitória de seu país sobre a Holanda. Mas as nuvens de seu relâmpago também foram passageiras.
Sem grandes craques, é capaz de o maior destaque da Euro-2008 no final ser um brasileiro. E, ironicamente, um volante. Marcos Senna, naturalizado espanhol, foi uma muralha no meio-campo da Fúria (que, aliás, precisa justificar o apelido) até as semifinais.
E ele ainda será (acredito) o primeiro brasileiro a vencer a Eurocopa na história. Se der Alemanha, o feito também está garantido, já que o atacante Kevin Kuranyi nasceu no Rio de Janeiro. Esse, porém, pouquíssimo jogou. Só vai entrar para a história como destaque se entrar e fizer o gol do título. Impossível não é.
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O torneio teve alguns bons jogos, mas, no geral, não me empolgou como achei que iria. Destaco a vitória da Turquia por 3 a 2 sobre a República Tcheca, os 3 a 0 da Holanda sobre a Itália, as vitórias da Espanha sobre a Rússia (4 a 1 e 3 a 0), o baile dos russos na Holanda por 3 a 1 e as vitórias da Alemanha sobre Portugal (3 a 2) e Turquia (3 a 2). Este último pelo que deu para ver, já que a transmissão foi bisonhamente cortada por falha técnica da geração européia.
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Um grande incentivo para os russos não funcionou. O empresário Pyotr Listerman, dono de uma agência de modelos, disse que daria "de presente" duas mulheres para cada jogador que fizesse gol no confronto contra a Espanha. O meia-atacante Arshavin aprovou a idéia, mas nem ele e nem nenhum outro russo marcou. Arshavin, aliás, que é formado em moda, disse ter escolhido esse curso justamente para ficar mais perto de mulheres.
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E, falando em moda, um novo visual causou problema para o goleiro Castilho, do Botafogo. O uruguaio fez trancinhas no cabelo. Acabou não sendo reconhecido pelo filho Ian, de três anos, e foi reprovado por sua mulher. A dica para mudar o visual foi do meia Carlos Alberto, que na época do Corinthians adotou por um tempo um belíssimo corte que ficou conhecido como Nega Maluca.
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Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br |
