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Regra 10

27/06/2008

Cristiano Ronaldo deixa Europa órfã

EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

A Eurocopa termina sem ter visto um grande craque. Me refiro a um jogador que decide a competição, tipo um Platini na Euro-1984 ou um Van Basten na Euro-1988. Não apenas um jogador que pode ser considerado craque pelo conjunto da obra.

O grande nome era para ter sido o do português Cristiano Ronaldo, mas o jogador do Manchester United, que por falta de opção deve ser escolhido o melhor do mundo neste ano na eleição da Fifa, nem de longe fez por merecer os elogios que vinha recebendo antes da competição --aí, sim, com justiça.

O luso-brasileiro Deco até jogou bem na primeira fase, mas também não fez o suficiente para levar adiante o time de Felipão, que caiu contra a Alemanha nas quartas.

A Alemanha chegou à final jogando bem em conjunto, mas também não contou com um grande craque, alguém fora de série. Lucas Podolski e Schweinsteiger foram destaques, mas não diria que um ou outro foi quem fez a diferença, quem resolveu.

A Espanha, também finalista, chegou com um candidato a craque, Fabregas, na reserva. Outro espanhol que poderia se consagrar, Fernando Torres, não foi lá muito bem e acabou ofuscado no ataque pelo companheiro David Villa, outro que não chegou a ser "o craque".

Azarões nesta corrida, o francês Ribery e os holandeses Van der Vaart e Sneijder ficaram pelo caminho, assim como o sueco Ibrahimovic.

O russo Arshavin, que nem azarão era, já que pouca gente apostava não só nele como na Rússia, empolgou e virou uma espécie de sensação-relâmpago após a impressionante vitória de seu país sobre a Holanda. Mas as nuvens de seu relâmpago também foram passageiras.

Sem grandes craques, é capaz de o maior destaque da Euro-2008 no final ser um brasileiro. E, ironicamente, um volante. Marcos Senna, naturalizado espanhol, foi uma muralha no meio-campo da Fúria (que, aliás, precisa justificar o apelido) até as semifinais.

E ele ainda será (acredito) o primeiro brasileiro a vencer a Eurocopa na história. Se der Alemanha, o feito também está garantido, já que o atacante Kevin Kuranyi nasceu no Rio de Janeiro. Esse, porém, pouquíssimo jogou. Só vai entrar para a história como destaque se entrar e fizer o gol do título. Impossível não é.

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O torneio teve alguns bons jogos, mas, no geral, não me empolgou como achei que iria. Destaco a vitória da Turquia por 3 a 2 sobre a República Tcheca, os 3 a 0 da Holanda sobre a Itália, as vitórias da Espanha sobre a Rússia (4 a 1 e 3 a 0), o baile dos russos na Holanda por 3 a 1 e as vitórias da Alemanha sobre Portugal (3 a 2) e Turquia (3 a 2). Este último pelo que deu para ver, já que a transmissão foi bisonhamente cortada por falha técnica da geração européia.

*

Um grande incentivo para os russos não funcionou. O empresário Pyotr Listerman, dono de uma agência de modelos, disse que daria "de presente" duas mulheres para cada jogador que fizesse gol no confronto contra a Espanha. O meia-atacante Arshavin aprovou a idéia, mas nem ele e nem nenhum outro russo marcou. Arshavin, aliás, que é formado em moda, disse ter escolhido esse curso justamente para ficar mais perto de mulheres.

*

E, falando em moda, um novo visual causou problema para o goleiro Castilho, do Botafogo. O uruguaio fez trancinhas no cabelo. Acabou não sendo reconhecido pelo filho Ian, de três anos, e foi reprovado por sua mulher. A dica para mudar o visual foi do meia Carlos Alberto, que na época do Corinthians adotou por um tempo um belíssimo corte que ficou conhecido como Nega Maluca.

Eduardo Vieira da Costa, 30, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@folha.com.br

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