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Regra 10

04/07/2008

Em defesa da paradinha e contra Cevallos

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Diz a lenda que quando um pênalti era marcado contra o Corinthian Football Club, clube inglês que inspirou o nome do Corinthians Paulista, o goleiro do time afastava-se do gol e deixava o cobrador marcar o gol.

Se a penalidade máxima havia sido marcada era porque a equipe havia utilizado um meio ilícito para impedir que o adversário fizesse o gol. Portanto merecia ser punida justamente com a concessão de um tento ao rival.

Os ideais do mítico clube londrino, que fez sucesso de 1882 a 1939 e existe até hoje com o nome de Corinthian-Casuals, eram promover o fair play, a honestidade e a conduta ética sem perder a esportividade.

Pensar em tirar o goleiro da meta nas cobranças de pênalti hoje, nos tempos do futebol profissional --e, mais do que isso, mercantilista-- é irreal. Mas querer beneficiar o infrator também me parece totalmente fora de propósito.

Por isso, sou totalmente a favor da paradinha, que recentemente vem sofrendo forte campanha contra.

Os críticos desta técnica dizem que ela é injusta com o goleiro, já que o cobrador ganha a vantagem de ver para que lado o goleiro pula e pode chutar no canto vazio.

Em primeiro lugar, o goleiro não é obrigado a escolher um lado e pular antes da cobrança. Os que esperam, aliás, dificilmente não pegarão as cobranças dos atacantes que optarem pela paradinha --o chute sai mais fraco e o goleiro parado criará confusão para o batedor, que espera justamente o movimento do rival.

Em segundo, o pênalti deve mesmo ser vantajoso ao ataque, e não à defesa. E, particularmente, eu acho que uma paradinha bem feita inclusive torna a cobrança esteticamente bonita.

Em terceiro, mas não menos importante, a paradinha é lícita. Não há nada nas regras e recomendações atuais da Fifa que impeça seu amplo e irrestrito uso.

Existe, sim, regra que diz que o goleiro não pode sair de cima da linha do gol até que o cobrador toque a bola. Mas isso não é muito respeitado, nem aqui no Brasil, nem na Europa e nem em lugar nenhum.

Na decisão da Libertadores, o arqueiro Cevallos, da LDU, pegou três pênaltis. No de Conca até foi normal. Mas se adiantou um pouco na batida de Thiago Neves e muito na de Washington, que decidiu o título.

Pior que isso, o goleiro do time equatoriano inverteu completamente o conceito da paradinha. Quando Thiago Neves ia para a bola, resolveu deixar o gol, mas não para permitir o tento do rival, como o velho Corinthian. Saiu para reclamar com o juiz, fazer catimba. Fez a sua paradinha. Inventou a paradinha de goleiro. Infelizmente, deu certo.

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O juiz argentino Héctor Baldassi, aliás, ou estava mal-intencionado ou é péssimo. Deixou de dar várias faltas perto das áreas, mas truncou o jogo apitando diversas infrações no meio-campo. Mal auxiliado pelos bandeiras, errou também no lance do impedimento de Cícero (que não havia) e do gol legítimo que foi anulado da LDU. Fora o pênalti sobre o Washington. Um desastre de atuação.

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Nas arquibancadas do Maracanã craques que em outros tempos poderiam decidir para o Fluminense acompanharam a tragédia do time. Entre eles Romerito, do time campeão brasileiro de 1984, e Gil, da Máquina Tricolor de 1975/76. Gil, que esteve com a seleção brasileira na Copa do Mundo da Argentina-1978, tinha um apelido dos mais legais da história em sua melhor fase: Bufalo Gil. Neste fotolog dá para ver uma pitoresca foto em que Bufalo Gil, então técnico do Botafogo, faz a barba observado por ninguém menos que Renato Gaúcho, técnico do Fluminense, que na época era atacante do time de General Severiano.

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Ainda em meio aos festejos pelos 50 anos da conquista da Copa do Mundo, uma TV sueca nos dá a oportunidade de assistir na íntegra à final do Mundial, em que o Brasil venceu a Suécia por 5 a 2. Confira essa raridade.

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Tão raro quanto o VT completo da final de 1958 é ver um time de futebol treinando em uma praia de nudismo. Aconteceu com o Wolfsburg, da Alemanha, onde atuam os brasileiros Grafite, Josué e Marcelinho Paraíba. O Bild traz inclusive fotos dos atletas jogando bola em meio aos peladões. Para ver, clique na fotogaleria abaixo do texto.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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