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Regra 10

25/07/2008

Última chance do ouro no futebol*

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

O Upton Park tem a sua. O Galt Football Club também tem. E, principalmente, o que é muito mais dolorido: a Argentina também já conseguiu. Agora, só falta o Brasil finalmente conquistar uma medalha de ouro no futebol masculino em Jogos Olímpicos.

É isso mesmo. Upton Park e Galt Football Club já foram campeões olímpicos de futebol.

Na primeira aparição do esporte em uma Olimpíada, em Paris-1900, apenas três países participaram. O Reino Unido foi representado por um time secundário da Inglaterra, o tal Upton Park, e faturou o título.

Em Saint Louis-1904, novamente apenas três times jogaram, dois dos Estados Unidos e um do Canadá. Os canadenses do Galt venceram os Christian Brothers na decisão e foram ao lugar mais alto do pódio.

Mas nem com Gérson (Roma-1960), nem com Falcão (Munique-1972), nem com Dunga (Los Angeles-1984), nem com Taffarel, Neto, Romário e Bebeto (Seul-1988), nem com Roberto Carlos, Rivaldo e Ronaldo (Atlanta-1996) e nem com Ronaldinho (Sydney-2000) o Brasil conseguiu a sua medalha dourada.

Muita gente na Europa não entende o porquê de os brasileiros darem tanta importância à Olimpíada. É por isso.

É por isso que o Brasil briga tanto com os clubes pela liberação de jogadores. Se a galeria de títulos da seleção já estivesse completa, com certeza não haveria celeuma em torno do assunto.

Duas vezes o país passou perto do feito. Ficou com a prata em Los Angeles-1984, quando perdeu na final para a França (sempre a França), e repetiu o segundo lugar quatro anos depois, em Seul, com um time que era fantástico, mas que caiu diante da URSS.

O time que vai a Pequim é, pelo menos, razoável, com jogadores que podem decidir como Ronaldinho (se estiver com vontade), Diego e Alexandre Pato --além de outros bons nomes como Lucas, Anderson e Hernanes.

Nenhum outro time tem tantos astros ou candidatos a astros. A Argentina chega perto com Riquelme, Agüero e Mascherano. Itália e Holanda, representantes europeus, não vão levar nenhuma grande promessa. A Costa do Marfim tem Kalou. E é só.

O pior para nós, brasileiros, é que é bem possível que esta seja a última chance de conquistar o ouro em uma competição minimamente decente. Com tanta confusão para liberação de atletas, não vai faltar pressão dos grandes clubes europeus para mudar a regra atual e esvaziar ainda mais a competição.

Não será de se assustar se a Olimpíada passar a contar apenas com jogadores sub-20. Ou até mesmo retirar o futebol (pelo menos o masculino) do programa.

Tem que ser agora, Dunga. O Upton Park, o Galt Football Club e Argentina já chegaram lá. Só falta o Brasil.

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É sempre bom lembrar que até 1992 existia um regulamento que não permitia que jogadores considerados profissionais jogassem a Olimpíada. E que o Brasil quase sempre, por esse motivo, enviava equipes muito fracas aos Jogos, enquanto países do Leste Europeu, escorados em um falso amadorismo, ganhavam tudo. Não justifica nada, mas explica um pouco.

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Uma curiosidade: Inglaterra, Escócia, País de Gales e Irlanda do Norte atualmente não podem participar da Olimpíada. Isso porque os países são filiados ao Comitê Olímpico Internacional sob a bandeira do Reino Unido. Como no futebol cada um destes países tem federação própria e disputa outras competições independentemente, não existe hoje uma seleção de futebol do Reino Unido. Mas já houve. Unidos, mas em geral representados mais pelos ingleses, eles conquistaram o ouro em Paris-1900, Londres-1908 e Estocolmo-1912. A última aparição olímpica do Reino Unido no futebol foi em Roma-1960.

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Ainda sobre o Reino Unido, o time fez dois amistosos históricos contra o resto da Europa. Em 1947, no "Jogo do Século", em Glasgow, os britânicos venceram por 6 a 1. Em 1955, em Belfast, os "europeus" levaram a melhor e fizeram 4 a 1.

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E, mais surpreendente, duas vezes o País de Gales jogou contra o "Resto do Reino Unido"! Em 1951, os galeses venceram por 3 a 2, e, em 1969, perderam por 1 a 0. Ambas em Cardiff.

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Mudando de assunto, parece que o Gustavo Nery nunca vai mudar. Em sua apresentação ao Internacional, chegou dizendo que estava muito feliz de ter acertado com o Grêmio. Nada demais. Simplesmente confundiu seu novo time com o arqui-rival. Quando chegou para o Corinthians, ele disse na primeira coletiva que estava satisfeito por jogar no Corinthians Futebol Clube.

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Outras gafes interessantes foram as de Amoroso, que inventou o Sociedade Esportiva Corinthians em sua apresentação, e a de Mascherano, que chamou o Liverpool logo em sua chegada de Red Devils, apelido do Manchester United (o certo era simplesmente Reds).

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Já faz tempo --foi sábado passado--, mas a vale a pena conferir esse lance curioso em que um jogador do Spartak Moscou faz "falta" em um torcedor que invade o gramado e leva cartão amarelo do juiz.

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  • Aviso - A coluna Regra 10 entra em recesso e volta a ser publicada após o fim do Jogos Olímpicos de Pequim.
Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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