Regra 10
Pedalinho turbinado
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Passear de pedalinho após fazer rafting. É mais ou menos essa a mudança de ritmo do mundo do esporte após a loucura da Olimpíada. Ok, admito que eu nunca na vida desci as corredeiras de um rio num bote --e que a última vez que andei num pedalinho os soviéticos disputavam a supremacia olímpica com os EUA.
Mas acompanhar campeonatos mundiais de 32 esportes ao mesmo tempo em um período de pouco mais de duas semanas pode ser considerado muito mais radical do que qualquer rafting. A Olimpíada é isso. Uma Copa do Mundo de futebol, um Mundial de vôlei, um Mundial de natação, um de atletismo etc. Tudo ao mesmo tempo.
Um exagero, na minha opinião. Principalmente se considerarmos que o programa olímpico inclui vários esportes que não têm alcance global. Dava para enxugar e muito o número de eventos de uma Olimpíada. Ginástica trampolim (ou cama-elástica, pula-pula) é demais.
Por essa grandiosidade, pelos exageros, pela intensidade e também por ser uma das coisas mais legais que existem (apesar da canseira), tudo o que vem depois de uma Olimpíada tem cara de anticlímax.
Voltar então à cadência do futebol poderia ser uma chatice. Mas aí vem o Roberto Brum e turbina nosso pedalinho.
Às vésperas do clássico do Santos com o São Paulo, o volante deu uma entrevista das mais divertidas possíveis. É impossível não sorrir com Brum. Ele me ajudou a lembrar que o futebol é legal. Mais do que a Olimpíada (será?).
Jogador de pouquíssimos gols na carreira --quatro, para ser mais exato--, ele relembrou uma das vezes em que balançou as redes, justamente contra o são-paulino Rogério Ceni, quando ainda jogava no Coritiba, em 2004. Sua narração para o gol, que considera o mais bonito que já fez, encobrindo o goleiro, é fantástica (veja abaixo).
Ele aproveitou e falou de sua volta por cima na carreira, prometeu mais um gol em Rogério no domingo, cantou para as rádios e TVs, enfim, fez o diabo --ops, diabo não, já que ele é muito religioso e sempre cita Deus e a Bíblia.
Não será como um ouro de Michael Phelps ou um recorde de Usain Bolt, mas se ele realmente cumprir o prometido e marcar um gol no clássico será um fato extraordinário (menos no sentido de notável ou fabuloso e mais no de fora do comum e esquisito).
Independentemente de fazer o gol, agradeço desde já a Roberto Brum por mostrar como é divertido o futebol.
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Veja a narração de Roberto Brum para seu gol sobre Rogério Ceni.
E veja o volante cantando.
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Em viagem ao Recife em 2003, me lembro de ter visto um grupo de torcedores do Sport festejando em um bar. Certamente o time marcou um gol, pensei, já que o clube disputava a fase final da Série B. Fui até o bar em que estavam e descobri que, na verdade, eles comemoravam o fato de o Santa Cruz ter levado um gol em outra partida. Só isso já dá a dimensão da rivalidade entre os clubes e do tamanho que tem o Santa. Mas o clube, que disputou a Série A em 2005, pode estar na Série D, a recém-criada quarta divisão, em 2009. Triste. É o que dá para dizer.
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Vejam só que interessante. Descontem o fato de o comercial ser bem tosco. A idéia era vender o carro dizendo que ele é robusto e bom para viagens. Assim a seleção feminina de futebol dos EUA vem de carro ao Rio (!?) para desafiar as brasileiras para uma revanche, após a derrota por 4 a 0 na Copa do Mundo. "Nós queremos um outro jogo", grita a americana. Conseguiram, na Olimpíada.
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Li em algum lugar que o Rivaldo vai receber 10 milhões de euros por duas temporadas em seu novo clube, Bunyodkor. Vai ganhar bem assim lá no Uzbequistão.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
