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Regra 10

12/09/2008

A melhor seleção é a do povo

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Não existe seleção brasileira boa o suficiente. Não me lembro de nenhuma situação em que estivesse assistindo a um jogo do Brasil com um grupo de amigos, por exemplo, e alguém tivesse exclamado em alto e bom som algo como:

- Essa é a melhor seleção que eu já vi.

Ou ir além:

- Jogando assim, a Copa já é nossa.

A tendência é sempre "cornetar" o time o máximo possível antes das Copas e espinafrar ainda mais os jogadores e, principalmente, o técnico depois de fracassos nos Mundiais.

Após as vitórias, alternam-se normalmente reclamações moderadas e, vá lá, alguns elogios.

Isso não é novidade. E não quero aqui fazer nenhum tipo de crítica a este tipo de comportamento.

Consta que nem mesmo a seleção da Copa de 1970 era unanimidade, pelo menos até a conquista do título. E o que se dirá do time de 1994? Muitos até hoje nem mesmo acreditam que a seleção de Parreira conquistou o tetra --e tampouco que o homem tenha chegado à lua.

Aí é que está a questão. Foi a "seleção do Parreira" que conquistou o tetra. E provavelmente era da "seleção do Zagallo" que muitos desconfiavam em 1970.

Mas quase ninguém duvida, pelo menos de 1958 para cá, que o Brasil tem sempre condição de formar com seus jogadores a melhor seleção do mundo. Ou melhor, onde escrevi "condição" é correto entender "obrigação". O que torna tudo praticamente um paradoxo.

A "seleção do Dunga" não foge à regra. Antes fosse a exceção que servisse para confirmá-la. Os gritos de "burro" e de "adeus" para o técnico no Engenhão, no empate com a Bolívia, não deixam dúvida.

Meus comentários durante o jogo também referendam as (minhas) teorias aqui apresentadas --o que, obviamente, muito me convém. Deixo aqui para vocês apenas uma das frases que soltei, frase esta que simplesmente fazia eco ao que diziam todos à minha volta:

- Essa seleção está um lixo.

E, onde está escrito "lixo", podem trocar por outros substantivos de igual valor. Ou, preferencialmente, alguns menos nobres. Terão aí minhas ponderações para os 90 minutos de jogo.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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