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Regra 10

19/09/2008

O retorno de dom Júnior Segundo

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da Folha Online

O retorno de dom Sebastião a Portugal nos dias de hoje não causaria tal espanto. Com certeza a volta de Júnior Segundo ao Palmeiras, que pouco parece ter de caráter messiânico, pegou mais gente de surpresa.

Até os mais otimistas palmeirenses, até mesmo aqueles que consideravam Bizu, Ditinho Souza e Buião jogadores razoáveis, devem ter se assustado com o retorno de "dom" Júnior Segundo --para quem não se lembra, esta é a forma como era chamado Roque Júnior quando chegou pela primeira vez ao clube do Parque Antarctica, em 1995.

Os mais pessimistas (ou seriam os realistas?) provavelmente prefeririam que, como no sebastianismo, jamais houvesse acontecido o retorno.

Roque Júnior, hoje com 32 anos, fez muito pelo Palmeiras. Deve ser considerado como ídolo. Nos feitos conquistados, é um dos maiores da história do clube.

O zagueiro seria só mais um entre tantos outros "Júniors" do futebol brasileiro, mas, como já havia um lateral com esse nome no Palmeiras em 1995, foi inicialmente chamado de Júnior Segundo. E como este era um nome para lá de estranho, acabou sendo "rebatizado" como Roque Júnior.

Podia ser Zé ou podia ser Vítor. Afinal o nome completo é José Vítor Roque Júnior. Mas foi como Roque Júnior --aliás, um dos nomes mais legais do futebol em todos os tempos-- que ele fez história com a camisa verde.

Ele reinou de fato na zaga do time de 1995 a 2000 e participou da conquista de nada menos do que o título mais importante da história do clube, a Libertadores de 1999. E também levantou o troféu do Paulista (1996), da Copa do Brasil (1998), da Copa Mercosul (1998) e do Rio-São Paulo (2000). Um vencedor, enfim.

Mas contradizendo o ditado popular, Roque Júnior perdeu a majestade. Saiu do Palmeiras para o Milan em 2000. E, desde então, nunca mais foi o mesmo, apesar de ter conquistado o pentacampeonato com a seleção brasileira em 2002.

Depois do Milan, o zagueiro perambulou por timecos, Leeds, Siena, Duisburg e Al-Rayyan entre eles. Teve também uma passagem não muito destacada pelo Bayer Leverkusen. Pior: nos últimos cinco anos, não entrou em campo muito mais do que 50 vezes --talvez até menos.

Estava tão esquecido que é provável que o susto dos palmeirenses não teria sido muito diferente se em vez do zagueiro o Palmeiras tivesse anunciado Bizu, Ditinho Souza ou Buião.

A diferença é que Roque Júnior tem um histórico no clube para zelar.

Pelo menos o Luxemburgo diz acreditar que pode recuperar o jogador. Mas muita gente também acreditou no retorno de dom Sebastião.

*

Nem só de Roque Júnior é feito o festival de "revivals" do Campeonato Brasileiro. O campeão neste quesito é o Vasco, que acertou com o zagueiro Odvan (!) e já tinha repatriado o meia Pedrinho. E tem também Maurinho e Sorín no Cruzeiro.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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