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Regra 10

24/10/2008

Vice-reinado do terror argentino

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Não é à toa que o técnico da seleção italiana, Marcelo Lippi, declarou nos últimos dias que a seleção mais perigosa do mundo atualmente é a da Argentina. De fato o time alviceleste é sempre temível, mesmo quando está sem grandes craques à disposição. Mas o caso é que hoje pouquíssimos países podem formar um quarteto ofensivo tão forte quanto o de Riquelme, Messi, Agüero e Tevez.

E, se em campo a coisa parece não ter funcionado tão bem assim para o time dos pampas até agora nas eliminatórias, tudo pode mudar com a provavelmente benéfica saída do técnico Alfio Basile.

Principalmente se os rumores se confirmarem e Carlos Bianchi se acertar com a AFA para, finalmente, assumir o time nacional.

Com um quadrado como esse e o Virrey (Vice-rei) no banco, a Argentina vai causar terror não só em Marcelo Lippi, mas também em Dunga, Fabio Capello, Joachim Löw e em todos os outros técnicos de seleção do mundo.

Não existe nada certo entre Bianchi e a AFA por enquanto, mas, segundo diário argentino "Olé", ele já foi contatado e disse que aceita abandonar sua aposentadoria para tentar reproduzir na seleção o sucesso que teve como técnico de clubes.

Para quem não se lembra muito bem, Bianchi é muito mais do que sósia do Larry David, do Professor Aéreo e do Larry de Os Três Patetas (veja fotos e compare).

Só para refrescar a memória, ele é nada menos do que tetracampeão da Libertadores e tricampeão mundial de clubes, além de ter conquistado sete campeonatos nacionais na Argentina. Ou seja, uma espécie de mistura de Felipão com Luxemburgo, bom nos mata-matas, bom nos pontos corridos.

E mais: conquistou três de suas quatro Libertadores em pleno estádio do Morumbi. Em 1994, levou o Velez Sarsfield à vitória contra o São Paulo nos pênaltis. Em 2000, à frente do Boca Juniors, mais uma vez faturou nas penalidades, desta vez diante do Palmeiras. E, em 2003, venceu o jogo decisivo contra o Santos também no estádio paulistano.

Por esses feitos e por outros, o encontro de Bianchi com a seleção sempre pareceu inevitável. Mas, tal qual caso de amor em novela, está demorando bastante para ser concretizado. O folhetim argentino se arrasta tanto que em três outras oportunidades o Virrey já negou convites para assumir o selecionado.

Nos próximos capítulos, Bianchi terá que resolver antigas rusgas como o presidente da AFA, Julio Grondona, para, enfim, tentar um final feliz.

Mas ainda correm por fora pela vaga Sergio Batista, Maradona e Miguel Angel Russo. Dunga, o Brasil e o resto do mundo torcem por um dos "vilões".

*

Além de grande técnico, Bianchi também foi um atacante dos bons. Foi duas vezes artilheiro do Argentino e cinco vezes do Francês. É considerado o argentino com maior número de gols em torneios de primeira divisão no mundo, com 385, superando Di Stefano (377).

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Veja alguns gols de Bianchi.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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