Regra 10
A Europa não é aqui
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Nivelado por baixo ou não (eu acho que sim), o Campeonato Brasileiro-2008 de fato é o mais disputado de todos os tempos.
Mesmo sabendo do histórico de "alternância de poder" no Nacional, dificilmente eu acreditaria se alguém me dissesse, antes do início do torneio, que, faltando seis rodadas para o fim, o primeiro e o quarto colocados teriam apenas um ponto de diferença. E que o quinto, três pontos atrás do líder, ainda teria condições de chegar ao título.
Mesmo após 32 jogos já disputados, é impossível alguém afirmar com certeza quem entre Grêmio, São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Flamengo será o campeão. E nenhum deles tem apenas chances remotas. Está todo mundo na briga mesmo.
Isso merece destaque principalmente se compararmos o Brasileiro com os principais campeonatos do mundo.
Na Europa, pelo menos nos Nacionais mais prestigiados, não existe a tal "alternância de poder" que costumamos ver no Brasil.
Aqui, quando começa o campeonato, sempre existem pelo menos 12 postulantes verdadeiros ao título (os quatro grandes de São Paulo e Rio e os dois de Minas e Rio Grande do Sul). E muitas vezes entram outros favoritos no meio. Todos começam com chances reais de serem campeões, e só durante a competição percebemos de fato quem está bem ou não.
No Italiano, no Inglês ou no Espanhol, por exemplo, antes de os torneios começarem, os favoritos são sempre os mesmos poucos.
Se não der Milan, Inter ou Juventus na Itália, é zebra. Os espanhóis já sabem que se Real Madrid ou Barcelona não forem campeões é porque surgiu algum intruso. A Inglaterra é um pouco mais "generosa" e geralmente inicia o campeonato com quatro favoritos: Manchester United, Liverpool, Arsenal e o "neo-grande" Chelsea.
Mesmo com de oito a dez rodadas disputas apenas até agora, já dá para ter noção muito mais clara de quem serão os campeões da temporada nos três países, eliminando ainda mais times.
Na Inglaterra, a disputa vai ficar entre Liverpool e Chelsea, que já despontam na frente. Na Espanha, apesar de o Valencia liderar, vai dar mesmo Real ou Barcelona. E, na Itália, Milan ou Inter --Udinese e Napoli estão na frente, mas não seguram a bronca.
Aqui, ninguém do quinteto de frente está fora da disputa, apesar de o campeonato já estar no fim. Só para não ficar totalmente em cima do muro, acho que vai dar São Paulo ou Cruzeiro. Puro "achismo". A diferença do nível dos times é tão pequena quanto a diferença dos pontos na tabela. Ou talvez até menor.
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Escrevi na semana passada que a Argentina seria temível com o técnico Carlos Bianchi. Mas quem assumiu foi Maradona. Não direi que arqui-rival do Brasil chega a ser risível com o ex-craque no comando, mas o Dunga deve estar bastante aliviado.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
