Regra 10
Maldini em dia de Oséas
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
No dia 15 de março de 1998, o atacante palmeirense Oséas foi ovacionado por millhares de corintianos no Morumbi. Em lance inexplicável, após cobrança de escanteio de Marcelinho Carioca, subiu sozinho e cabeceou com estilo para estufar as redes do incrédulo goleiro Velloso, fazendo 1 a 0 no clássico, que terminaria com 1 a 1 no placar.
O gol contra, logo aos 8min do primeiro tempo, rendeu a Oséas muitas "homenagens" durante o restante do tempo que esteve em campo. Certamente foram poucas as vezes em que corintianos festejaram tanto um palmeirense, se é que houve outras.
Não é de praxe uma torcida reverenciar ídolos de seus arquirrivais. Talvez por isso mesmo uma singela homenagem (sem aspas) de torcedores da Inter de Milão ao zagueiro Paolo Maldini, do Milan, tenha sido mais forte do que todas as tentativas de enaltecê-lo feitas pelos próprios rossoneri.
No dérbi de Milão do último dia 15, o último clássico regional do jogador de 40 anos na carreira, já que ele anunciou que vai se aposentar, a torcida da Inter de Milão deixou de lado a pequenez dos ataques irracionais tão comuns nos estádios e exibiu uma faixa em que se lia a frase: "Maldini, em campo 20 anos nosso rival, mas na vida sempre um adversário leal".
Nas mais de duas décadas em que foi adversário da Inter em campo, o zagueiro disputou 56 dérbis. E, para sua sorte, sem gol contra.
Possivelmente, esse foi o motivo de ele não ter sido tão ovacionado pelos interistas quanto Oséas foi pelos corintianos naquela tarde de domingo de 1998. Mas, ao contrário do que aconteceu no Morumbi, não houve pilhéria dos torcedores no San Siro. A homenagem pareceu ser, de fato, sincera. Coisa rara. E admirável.
Tão admirável quanto a carreira de Maldini.
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Não só a idade de Maldini é um número superlativo. Os títulos não são poucos: sete Campeonatos Italianos, cinco Copas dos Campeões, três Mundiais interclubes, uma Copa da Itália, cinco Supercopas Europeias e cinco Supercopas Italianas. Na seleção, jogou 126 partidas, o que faz dele o recordista de aparições, mas não ganhou nenhum título expressivo. O que faz dele um jogador ainda mais ligado ao Milan.
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Voltando ao Oséas, o jogador sofreu bastante após o fatídico jogo do gol contra. Logo após a partida, atordoado, errou até de vestiário, o que rendeu mais piadas. Tempos depois, confessou que, nos jogos seguintes, fosse contra que time fosse, a torcida dos times adversários sempre gritava seu nome quando ia tentar ajudar sua defesa.
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Mas dai a César o que é de César. Oséas é responsável direto por aquela que talvez seja a maior glória do Palmeiras. Ele marcou o gol do título da Copa do Brasil de 1998, contra o Cruzeiro, no último minuto do jogo decisivo. Assim, deu ao clube a vaga na Libertadores de 1999. Na final do torneio continental, mais uma vez brilhou ao fazer o gol que deu a vitória a seu time por 2 a 1 no jogo de volta contra o Deportivo Cáli, garantindo a equipe na disputa de pênaltis, que valeria o título. Ou seja, a torcida palmeirense também já gritou seu nome.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |

