Regra 10
Rivaldo, Mogi, Uzbequistão, Carnaval
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Oficialmente, o Carnaval acabou. E o Carnaval do Uzbequistão nem sequer começou. Mas o meia-atacante Rivaldo, lá de longe, entre um jogo e outro do Bunyodkor, canta: "Você pagou com traição a quem sempre lhe deu a mão".
O samba, que ficou famoso na voz de Beth Carvalho, expressa bem a revolta do jogador com os jogadores do Mogi Mirim, clube do qual é presidente à distância.
No desabafo que fez contra a suposta má vontade dos atletas, Rivaldo usou a si próprio como exemplo. Vindo de Pernambuco, o jogador foi destaque do Carrossel Caipira de Mogi em 1992 e 1993.
O time montado pelo então promissor técnico Oswaldo Alvarez, o Vadão, jogava, dizia-se na época, como o Carrossel Holandês, a seleção da Holanda da Copa de 1974, também conhecida como Laranja Mecânica.
Nele, os jogadores não tinham posição fixa. Na versão caipira, o principal jogador era o Válber, uma espécie de Cruijff do interior.
Mas estava reservado a outro jogador, um tanto desengonçado, o destino de ser o que Válber jamais conseguiu e que nem mesmo o próprio Cruijff alcançou.
Rivaldo partiu num pacote de contratações para o Corinthians, ao lado do próprio Válber e do atacante Leto e do lateral Admílson.
A partir daí, deste quarteto, apenas Rivaldo brilhou. Progressivamente. Foi bem no Corinthians, melhor ainda no Palmeiras e atingiu seu auge na Europa, principalmente por La Coruña e Barcelona. Foi o melhor jogador do mundo em 1999 e ajudou (e muito) a seleção a conquistar o penta em 2002.
Pausa na história. Voltemos a Mogi Mirim.
O time atual, apesar de ter em seu elenco o veterano meia Giovanni, que chegou a ser parceiro de Rivaldo em campo no Barcelona, nem de longe lembra os tempos em que girava tanto que deixava os rivais, inclusive os grandes, tontos.
Nos dez primeiros jogos do Paulistão, o MM acumulou sete derrotas, dois empates e apenas uma vitória. Para completar, teve a defesa mais vazada: 19 gols.
Indignado, Rivaldo esbraveja. Colocou até o cargo à disposição para quem quiser assumir. Ele tem razão. Vai jogar mal assim lá no Uzbequistão.
Mas não adianta. Não há nenhum "Rivaldo" neste time do Mogi. E não há nem mesmo um "Leto" ou um "Admilson", que seja. E até o Giovanni que está lá já não é um "Giovanni".
Não há carrossel nem diversão. Há samba. Mas um samba triste, destes de fim de Carnaval.
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
