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Regra 10

06/03/2009

O iPod que sabia demais

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

O iPod, que por aqui enche de muito pagode os ouvidos dos maiores craques dos gramados, na Inglaterra também é companheiro inseparável dos jogadores de futebol. Mas no último domingo o mais famoso dos tocadores de MP3 teve papel muito mais importante do que o de apenas ajudar a relaxar ou aumentar a concentração.

Momentos antes da decisão por pênaltis na final da Copa da Liga Inglesa, o goleiro Foster, do Manchester United, deixou Coldplay e Duffy um pouco de lado e usou o aparelho para analisar vídeos de cobranças de pênaltis dos jogadores do Tottenham.

Logo na primeira cobrança do time londrino, O'Hara foi para bola e bateu a meia altura, no canto esquerdo. Exatamente como estava no vídeo preparado pelo treinador de goleiros Eric Steele, mentor do esquema. E era exatamente ali que estava Foster para fazer a defesa.

No final, o Tottenham converteu apenas uma de três cobranças (Bentley chutou o terceiro para fora), e o Manchester, que não desperdiçou nenhum, foi campeão com vitória por 4 a 1.

O primeiro título na história com ajuda efetiva e decisiva de um iPod.

A grande questão, no entanto, gira em torno da legitimidade do artifício. Foster assistiu à coletânea de cobranças do rival após o jogo, poucos instantes antes de ir para o gol para o desempate.

Oficialmente, a Fifa veta uso de tecnologia em campo. Árbitros e atletas só podem usar os uniformes e instrumentos básicos, como apito e chuteiras. Mas não existe lei ou regra contra o uso de aparelhos de MP3 durante o intervalo, por exemplo.

Neste caso específico, o aparelho foi usado no período entre o fim do tempo regulamentar e o início das cobranças, o que não é exatamente um intervalo.

Mas, por outro lado, que diferença haveria entre assistir ao vídeo naquele momento ou duas horas mais cedo, antes do início da partida? Ou mesmo durante o intervalo?

E qual é a diferença que pode fazer de fato assistir aos lances? Será que ajuda mesmo? Será que não poderia até ter atrapalhado? Será que não seria a mesma coisa se o preparador de goleiros simplesmente dissesse em qual canto pular?

São questões difíceis.

Mas a federação inglesa já descartou punir Foster e Manchester United. Porém o caso merece uma análise da Fifa. Seja para liberar ou para proibir.

Pop britânico, do bom ou do ruim, de qualquer forma, vai continuar liberado.

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Na Copa do Mundo de 2006, o goleiro alemão Jens Lehmann já havia adotado expediente bastante parecido, mas muito menos tecnológico. Antes da disputa de pênaltis contra a Argentina, nas quartas-de-final, ele recebeu do treinador de goleiros Andreas Köpke um papel com anotações sobre os batedores rivais. Guardou o bilhete no meião e consultou antes das cobranças. Acabou defendendo duas, e a Alemanha avançou. Mas o goleiro diria depois que as anotações não ajudaram em muita coisa.

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Os tocadores de MP3 são aliados não só dos jogadores de futebol. Na Olimpíada de Pequim, Michael Phelps deu grande crédito ao rap que escutava até momentos antes de cair na água pela conquista de suas oito medalhas de ouro.

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Para não deixar passar: O que dá para dizer da estreia de Ronaldo no Corinthians é que ficou totalmente dentro do esperado. Muita gente achou que foi muito ruim, mas é preciso lembrar que o cara fez ali seu primeiro jogo depois de mais de um ano. Considerando isso, acho até que ele foi bem. Mesmo sem ter feito nada de muito bom.

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Para não deixar passar 2: É uma vergonha o que parte da torcida do Palmeiras fez com o meia-atacante Marquinhos no jogo contra o Guarani. Esse negócio de ficar mandando "de volta para a Bahia" não tem nada a ver. Preconceito besta. Ele nem teve tempo de jogar ainda. Mas na entrevista após o jogo foi muito bom ver a humildade e personalidade do Marquinhos, que não se abalou com nada e ao mesmo tempo mostrou que sabe que precisa jogar bola.

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Dica de blog legal: Dois vezes um.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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