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Regra 10

13/03/2009

Ronaldo e Romário no Pacaembu

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

As cerca de 30.000 pessoas que estavam no Pacaembu não queriam ver outra coisa que não fosse Ronaldo. Ou, se possível, os gols de Ronaldo. Tudo o mais era supérfluo. É claro que a vitória diante do São Caetano também era importante, mas a grande maioria dos corintianos que foram ao estádio na chuvosa noite paulistana da última quarta-feira queria saber mais do atacante do que de qualquer outra coisa. Haja vista que no jogo anterior no mesmo local, sem o astro, não chegaram a 9.000 os pagantes.

Ronaldo, claro, sabia disso. E, sob toda essa pressão, foi lá e balançou as redes. Para o delírio geral de todos que estavam ali somente para esse momento, mesmo sem saber se isso de fato aconteceria. A esperança era tanta que a galera já havia festejado como um verdadeiro gol o simples anúncio no placar eletrônico de que ele seria titular pela primeira vez, como lembrou Juca Kfouri em sua coluna (disponível apenas para assinantes do jornal e do UOL).

Só o fato de saber de toda essa responsabilidade, de ter consciência de que todos ali, sem contar os que acompanharam pela TV ou pelo rádio, queriam apenas vê-lo jogar, alçando-o à condição de peça mais importante que o próprio jogo, já poderia atrapalhar, intimidar.

Mas Ronaldo não é mesmo um jogador comum. Podemos até dizer que a própria pança o diferencia dos demais. Mas muito mais que a forma física, a técnica o coloca em um patamar completamente diferente.

Toda essa situação do jogo de quarta, principalmente pela pressão sobre um único personagem, mas muito também pelo local do jogo, o estádio do Pacaembu, me fez lembrar um outro gênio da bola.

Romário, que no dia 27 de abril de 2005 fez sua despedida da seleção brasileira no tradicional estádio paulistano, se viu em situação semelhante naquela noite. O amistoso contra a Guatemala não valia absolutamente nada. A seleção arranjada por Parreira era um verdadeiro catado nacional. Mesmo assim, mais de 35.000 pessoas foram ao jogo. Apenas para ver o Romário. Tudo o mais era supérfluo. E, sob toda essa pressão, ele foi lá e balançou as redes.

A missão de Romário pareceu ter sido mais fácil, já que ele não vinha de lesão nem de período de inatividade. E já que pegou pela frente um adversário extremamente fraco. Mas o fato é que ele foi lá e carimbou. E ouviu seu nome gritado em coro. No gol e na volta olímpica.

Duas noites históricas no Pacaembu, estádio com qual, curiosamente, nem um nem outro têm grande intimidade.

Atuações que levam a uma recorrente pergunta: quem foi (ou é) melhor, Romário ou Ronaldo?

Romário. Não, não. Ronaldo. Espera aí, Romário. Não, acho que o Ronaldo.

Impossível decretar um vencedor. Mais fácil é dizer que são os dois melhores centroavantes da história. Superando todos os outros, de qualquer tempo ou nacionalidade. Que o diga o Pacaembu.

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Ronaldo tem sido tratado como semideus. Pelo menos onipresente (na imprensa esportiva) ele é. Mas e como poderia ser diferente? Não é toda hora que presenciamos o futebol do maior artilheiro de todas as Copas do Mundo, que superou Pelé e outros. Aliás, em 30 anos, provavelmente, Ronaldo e Romário serão vistos como hoje vemos Pelé, Garrincha e outros ídolos do passado. São estrelas da mesma grandeza.

*

Romário e Ronaldo atuaram juntos como ataque titular da seleção brasileira 19 vezes, com 14 vitórias, três empates e duas derrotas. O Baixinho fez 18 gols, e o Fenômeno balançou as redes 15 vezes. Médias para lá de respeitáveis. Esse ataque dos sonhos existiu apenas entre 1997 (16 jogos) e 1998 (3). A dupla havia sido preparada para a Copa da França-1998, mas Romário acabou cortado às vésperas do Mundial, por contusão.

*

Só para relembrar, esta foi a seleção que jogou contra a Guatemala na despedida do Romário: Marcos (Rogério Ceni); Cicinho (Gabriel), Fabiano Eller (Gláuber), Ânderson e Léo; Mineiro, Magrão (Marcinho), Ricardinho e Carlos Alberto; Romário (Grafite) e Robinho (Fred).

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E relembre a despedida, com choro na hora do hino, presença dos tetracampeões, homenagens e tudo mais.

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Outro gol famoso de Romário no Pacaembu: elástico em Amaral.

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E o gol de Ronaldo contra o São Caetano.

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Mais uma vez, dica de blog: 2 x 1

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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