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Regra 10

20/03/2009

Neymar, 17, veterano

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Neymar tem apenas 17 anos e acabou de fazer sua estreia pelo Santos. Mesmo assim, já é veterano. Pelo menos na mídia. O fenômeno (e aqui não há nenhuma referência ao atacante corintiano, quase onipresente na imprensa esportiva) tem se tornado cada vez mais comum nesta era ultramidiática do futebol.

Qualquer um que acompanha o noticiário esportivo, ainda que sem grande afinco, já ouviu falar bastante do jogador. Pudera. Ele está presente nas manchetes desde, pelo menos, 2005, quando era apenas um garotinho de 13 anos.

Foi nesta época que começou a se difundir a história de que havia um diamante a ser lapidado nas categorias de base do Santos. Um garoto que impressionava muita gente por deitar e rolar contra zagueiros bem mais velhos, verdadeiros marmanjos.

Precisamente em 2005, Neymar já era empresariado por Wágner Ribeiro, o mesmo que levou Kaká e Robinho para a Europa. Por muito pouco o jogador não deixou o time da Baixada neste mesmo ano para ir para o Real Madrid. Com 13 anos, é preciso ressaltar.

A partir daí, Neymar já passou a impressionar não só pelo futebol, que pouquíssima gente via de fato, mas também pelas cifras. O Santos já teve que desembolsar um belo dinheiro para não perder a promessa --a oferta do Real na época era de cerca de R$ 3,8 milhões. E passou a ter apenas 60% dos direitos federativos do jogador.

Aos 16 anos, o jogador assinou seu primeiro contrato profissional com o time, já com com multa milionária e salário de gente grande. Hoje, ele já tem um novíssimo contrato, até 2014, com salário de mais de R$ 50 mil e multa que chega a R$ 90 milhões, sendo que os 40% que pertenceriam a Neymar já foram vendidos por seu pai a um grupo investidor por R$ 7,5 milhões.

Parece loucura, absurdo. Mas é isso mesmo. E, muito provavelmente, ele já deve ser negociado no meio do ano. Já existem conversas com o Chelsea e, claro, com o Real Madrid.

E não podemos esquecer que ele fez até agora apenas dois jogos como titular do time principal. Jogando bem, sim. E com gols. Mas apenas dois jogos.

Veterano sem jogar, Neymar pode virar "ex-ídolo" sem de fato o ser.

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As cifras e as preocupações de empresários e dirigentes explicam-se quando Neymar entra em campo. As poucas atuações que teve até agora são de fato de empolgar. Contra Oeste e Paulista, entrou em campo vindo do banco e mudou o ritmo do jogo, levando o time à vitória. Jogando como titular pela primeira vez, diante do Mogi, marcou gol e comemorou socando o ar, em homenagem a Pelé. Em seu primeiro jogo como titular na Vila, foi o principal jogador do time na goleada sobre o Rio Branco-AC, balançando as redes novamente e dando assistências.

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O fenômeno do jogador que já estreia no time profissional muito badalado, como foi dito acima, não chega a ser novidade. Acontece no Brasil e mundo afora. Vide exemplos como os de Messi, Giovani dos Santos, Bojan (os três no Barça), Rafael e Fábio (Manchester United), Lulinha, Pato e até o próprio Robinho, de quem Neymar é o proclamado sucessor.

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A velocidade com que têm acontecido as coisas no futebol coloca Neymar como bola da vez. Mas a temporada já teve Keirrison como sensação. E depois Ronaldo. E o detalhe é que tanto Keirrison como Ronaldo continuam (ou deveriam continuar) como sensação, mas uma coisa vem ofuscando a outra, de certa forma. E sem esquecer o Hernanes. Está boa a coisa.

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O figuraça Juarez Pinheiro Guedes, o Seu Juá, pai do atacante Fred, disse antes da estreia do filho pelo Fluminense: ele vai fazer dois gols. Não deu outra. Durante a Copa-2006, em que Fred chegou a jogar uma partida e marcou um gol, Seu Juá foi atração à parte na Alemanha.

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O técnico Roberto Fernandes, aquele mesmo que causou polêmica algum tempo atrás por dizer que time que não faz "falta inteligente" não ganha jogo, agora obriga jogadores a treinarem usando vestido. Surreal. Humilhante. Veja matéria no Clic RBS para acreditar.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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