Regra 10
Morto-vivo ou melhor do mundo
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
Nenhum time paulistano foi campeão na noite da última quarta-feira. Mesmo assim, ouviram-se rojões pela cidade. Justificáveis, mesmo não sendo junho --e, portanto, não havendo por aí festas juninas.
O motivo das comemorações foi o golaço marcado por Cleiton Xavier. O jogo do Palmeiras era pela primeira fase da Libertadores, mas valia como final de Copa do Mundo, como diz o desgastado chavão tão utilizado por boleiros em vésperas de jogos importantes.
Se o gol salvador, marcados aos 42min do segundo tempo, não tivesse saído, o Palmeiras seria hoje um time-zumbi. Seria um morto-vivo treinando sem ter competição para jogar. Com jogadores e técnico desacreditados.
A torcida não iria perdoar, principalmente depois da eliminação no Paulista.
Mesma torcida que, porém, promoveu o foguetório. Após passar 87 minutos de pura angústia. E que agora já se mostra confiante no título da Libertadores.
O caminho que leva à gloria ou ao fracasso no futebol muitas vezes é atravessado numa verdadeira corda bamba. Como conseguiu chegar ao outro lado, pelo menos nesta fase, o Palmeiras já pode sonhar alto, inclusive.
O goleiro Marcos, que pode se tornar o único palmeirense bicampeão da Libertadores, disse após o jogo que um dia ainda vai sofrer um infarto e morrer em campo. E olha que muito torcedor morre mesmo, com a orelha no radinho. Já aconteceu.
Luxemburgo, enfim, pode conseguir vencer pela primeira vez o torneio. E o clube, que a três minutos do fim do jogo estava eliminado e prestes a virar morto-vivo, pode voltar a disputar um Mundial. Ter a chance de ser campeão do planeta.
Num segundo, zumbi. No momento seguinte, chance de ser o melhor do mundo.
Por causa de um único gol. E que golaço.
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Analisando friamente, o time do Palmeiras não é essas maravilhas todas. Apesar de o Luxemburgo ter desabafado dizendo que ninguém acreditava na equipe, na verdade foi o próprio time que deu motivo para isso. Foi por seu desempenho ruim em jogos anteriores que o clube chegou à última rodada --e aos últimos minutos do jogo-- em situação de desespero. Mas concordo com o técnico que esse drama todo deve fortalecer o time. Agora, nos mata-matas, tudo é possível.
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Veja o golaço de Cleiton Xavier.
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Dos cinco brasileiros que estavam na Libertadores, os cinco se classificaram. Quase um terço das equipes das oitavas-de-final. Talvez seja mesmo a "era brasileira".
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |
