Regra 10
Hernanes, super-herói sem poderes
EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online
No Campeonato Brasileiro de 2008, Hernanes foi um verdadeiro super-herói. Poderíamos dizer que ele levou o São Paulo nas costas na conquista do hexa, mas isso seria injustiça com o bom time do técnico Muricy Ramalho, que, como já foi dito por muita gente, tinha o conjunto como principal virtude.
De toda forma, se houve um atleta a se destacar foi ele. Mais até do que o ídolo Rogério Ceni. Tanto que ele foi eleito o melhor jogador do Nacional, com justiça.
Corta a cena. Passamos para os dias atuais.
Hernanes é banco do São Paulo. Pior: não é reserva de um grande craque, mas sim de um novato, Marlos, que ainda não provou nada. Pior duas vezes: perdeu a posição porque não está jogando nada, e não porque o outro está jogando muito.
É difícil explicar. Principalmente se a tarefa for convencer alguém que não vem acompanhando o futebol neste ano, ou seja, que tem a imagem do Hernanes do ano passado, de que ele merece mesmo ir para a reserva.
Parece que o jogador perdeu seus superpoderes. Tal qual aqueles super-heróis esquisitos cujos poderes gastam com o uso. Como por exemplo o Homem-Pássaro, que vira e mexe ficava na mão e precisava chegar perto do sol para se recarregar.
Quem sabe o banco de reservas possa ter esse efeito para o Hernanes. Provavelmente, o técnico Muricy Ramalho quer mexer com os brios do atleta para que ele volte a jogar bem.
Ainda fazendo analogia com super-heróis, a kryptonita de Hernanes pode ser a camisa 10. Não só o que ela representa como símbolo, mas também o que ela provocou em seu posicionamento dentro de campo.
Além de entrar nesta temporada com a responsabilidade de ter que ser o melhor jogador do São Paulo, fazendo jus à camisa e ao prêmio recebido no ano passado, Hernanes foi alçado por Muricy Ramalho à condição de principal meia ofensivo do time.
Em 2008, esse papel de armador era de Hugo. Hernanes jogava vindo mais de trás --fazia dupla de volantes com Jean. Agora, o time são-paulino tem dois volantes (Jean e Arouca ou Jean e Eduardo Costa) e Hernanes vinha jogando à frente.
Isso acabou com o diferencial que o próprio Hernanes apontava ter. Em tom de brincadeira, Hernanes dizia que não queria ser chamado de meia. Queria ser reconhecido como volante. Entre os meias, achava que seria apenas mais um. Como volante, ele achava que era de fato diferenciado.
Não é preciso ter visão além do alcance e nem nenhum outro grande poder para perceber isso.
Repito. O banco por uns dois ou três jogos pode ajudar. Mas escalar o Hernanes mais atrás, ao lado de um primeiro volante, e usar o Marlos à frente, repetindo mais ou menos o esquema que teve sucesso no ano passado, pode ser a chave para recuperar não só o futebol do jogador como, por consequência, o do time.
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Quase ninguém reclamou da ausência de Hernanes na seleção brasileira para as eliminatórias e a Copa das Confederações. No final do ano passado, isso seria impensável.
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Tomara que o Hernanes não seja como o Ronaldinho. Este nunca mais recuperou seus superpoderes.
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Mesmo em má fase, o Hernanes ainda pode render muito ao São Paulo. O Milan pode levar o jogador para suprir a vaga criada pela saída de Kaká para o Real Madrid. Mas as comparações na Itália são feitas mais com o volante Andrea Pirlo, bastante técnico, que sai de trás para armar o jogo. O que condiz com a visão do Hernanes. E com a minha.
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O empresário de Hernanes diz que o preço para levar o jogador é de 20 milhões de euros, valor alto mas que não é impossível. O São Paulo vendeu o zagueiro Breno para o Bayern por US$ 19 milhões, por exemplo. E já vendeu jogadores muito piores por valores incríveis.
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Túlio Tube. É isso aí, Túlio Tube... É cada coisa...
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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia. E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br |

