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Regra 10

26/06/2009

Quem tem um olho é Imperador

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

No Campeonato Brasileiro, mais do que nunca, vale o velho ditado que diz: em terra de cego, quem tem um olho é rei. Ou Imperador, no caso de Adriano.

Foi por isso que o atacante voltou ao Brasil, ao que tudo indica. Pela possibilidade de andar de chinelo em cima das lajes por aí, fazendo churrasco com os amigos, e para poder jogar bola sem ter todas aquelas responsabilidades rigorosas da Europa.

Ele está muito certo. Não julgo de maneira nenhuma a decisão de rescindir com a Inter de Milão, nem o sumiço inicial, nem a atitude em si, nem nada. Digo que ele está certo apenas porque tem razão quando aposta em voltar ao Brasil para unir o útil ao agradável. Isso só vai dar certo aqui --e talvez somente no Flamengo.

O talento de Adriano não está em questão. Mas na Itália ele não estava aparecendo. Talvez por não haver permissividade com suas escapadas. Talvez por ter que enfrentar adversários de nível técnico mais alto.

Aqui, Adriano dá certo. Uma das explicações para isso, acredito, é que o nível do futebol nacional está muito baixo. Não é blá, blá, blá. Não é aquela ladainha de ficar reclamando. É fato.

O Adriano treina mais ou menos, falta a toda hora, faz o que quer da vida e, mesmo assim, pesado e fora da melhor forma, não tem dificuldade nenhuma para fazer gols de tudo quanto é jeito. Vide o jogo contra o Inter, ainda que fosse contra uma equipe reserva.

A diferença técnica do Imperador para os jogadores "comuns" é gritante. No primeiro gol diante do colorado, isso ficou bem claro. O toquinho sutil, consciente, na saída do goleiro, fez lembrar Ronaldo. Aquele que voltou a ser Fenômeno.

E que voltou, muito provavelmente, porque também possui pelo menos um olho numa terra de cegos. Depois de seis meses, continua gordinho. Vira e mexe, é flagrado em noitadas. E continua fazendo a diferença no Corinthians.

Simplesmente porque apenas uma parcela do potencial total de sua genialidade é suficiente para se destacar no fraco futebol nacional.

Visto o sucesso de Adriano e Ronaldo no Brasil, fica aqui uma sugestão para o Ronaldinho.

Se é verdade um outro ditado, aquele que diz que quem foi rei nunca perde a majestade, o meia-atacante, hoje uma alma penada na Europa, com certeza teria seu trono por aqui.

Não precisa treinar, não precisa entrar em forma e nem abrir mão das baladas.

*

O fato de o Atlético-MG estar na liderança é sintomático. O time não é lá essas coisas, não. Pelo contrário. Está na ponta graças ao fato de os times considerados favoritos ao título terem dividido suas atenções, no início do Nacional, com outros torneios. Enfraquecidos por poupar jogadores, esses tais favoritos ficam fraquíssimos. E o Brasileirão, na esteira, vira isso aí que temos visto.

*

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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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