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Regra 10

31/07/2009

Futebol é momento?

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Existe uma máxima que diz que futebol é momento. É chavão, lugar-comum, clichê. Por isso mesmo, tem pouco valor. Bom, deveria ter. Porque futebol, no final das contas, é... momento.

Com base nisso, e isso não é base para muita coisa, admito, é possível identificar pelo menos quatro tipos de jogadores, a saber a seguir.

Promessas falsas

Esse é um tipo clássico e bem fácil de achar. É aquele jogador que começa bem, que faz sucesso logo no início da carreira, muitas vezes ainda nas categorias de base, mas que nunca chega a ser um grande jogador.

Em 1993, por exemplo, acreditava-se que havia surgido no Vasco um novo Pelé, um novo Zico, um novo Roberto Dinamite ou algo que o valha. Era um tal de Yan, meia muito habilidoso com a perna esquerda.

Ele já tinha sido campeão da Copa São Paulo de juniores como craque do time. Em 1993, virou esperança nacional ao conquistar o Mundial de juniores da Fifa com a seleção.

Era um craque que surgia. E que desapareceu logo em seguida. O máximo que conseguiu depois disso na carreira foram alguns títulos estaduais. Sem muito destaque de sua parte. Rodou por diversos clubes do Brasil sem nunca mais emplacar. E o mais impressionante: ainda está na ativa, hoje com 34 anos. Jogou o último Estadual do Rio pelo Tigres do Brasil.

Entram nesta mesma categoria jogadores como Gian (colega de Yan no Vasco e na seleção sub-20), Catê (ex-São Paulo), Caio (ex-São Paulo e Inter de Milão!), Jamelli (ex-São Paulo e Santos), Adriano (ex-São Paulo), Bismarck (ex-Vasco), Lopes (ex-Palmeiras), Gil (ex-Corinthians) etc. A lista poderia ser gigante.

Sem contar argentinos com Ortega, Saviola, Aimar --todos tidos em algum momento como "novo Maradona". E o norte-americano nascido em Gana Freddy Adu, de apenas 20 anos, que todo mundo vem esperando estourar desde os 15, e nada.

Revelações tardias

Acontece menos, mas também há muitos casos. São aqueles caras que só se destacam depois de velhos. Um é especial.

Aos 21 anos, José Carlos de Almeida jamais havia jogado em um clube profissional. Estreou com essa idade pelo modesto São José. Jogou em alguns clubes de relativa expressão em São Paulo até que, em 1997, chegou á Matonense, já com 28 anos. Carreira praticamente acabada.

Mas não para Zé Carlos. Ainda naquele ano, foi para o São Paulo. Do nada, estourou. Com 29 anos, em 1998, foi campeão paulista pelo time do Morumbi, jogando muito.

Logo depois do título, foi convocado por Zagallo para a Copa do Mundo da França --isso sem jamais ter vestido a camisa da seleção antes. Futebol é momento!

Acabou jogando como titular diante da Holanda nas semifinais do Mundial graças a uma suspensão de Cafu. Não jogou lá muito bem, mas o Brasil conseguiu uma heroica classificação para a decisão, nos pênaltis.

O jogo praticamente encerrou sua carreira. Ainda jogou em 1999 por quatro clubes diferentes, sem brilho. E se aposentou.

Cambem na mesa categoria de Zé Carlos, não exatamente na mesma proporção, jogadores como Adhemar (ex-São Caetano), Basílio (ex-Palmeiras), Adãozinho (ex-São Caetano), William (atualmente no Corinthians), Liédson (atualmente no Sporting-POR) etc.

Regulares

Regular aqui tem o sentido de demonstrar constância, continuidade, e não de estar entre dois extremos, de ser mediano. Por isso essa é a mais rara categoria de jogadores.

Está nela o volante Toninho Cerezo. Em 1976, jogando pelo Atlético-MG, com 21 anos, entrou pela primeira vez na seleção do Campeonato Brasileiro, levando a Bola de Prata da revista "Placar". Nos anos seguintes, levaria mais duas Bolas de Prata (1977 e 1980) e duas Bolas de Ouro, prêmio concedido ao melhor jogador da competição (também em 1977 e 1980).

Foi heptacampeão mineiro antes de ir para a Roma, em 1983, onde levantou uma Copa da Itália. Em 1986, se transferiu para a Sampdoria, em que colecionou títulos diversos, incluindo a maior glória do clube na história, o primeiro e até hoje único título do Campeonato Italiano, na temporada 1990/91.

De volta ao Brasil, pelo São Paulo, ainda foi campeão da Libertadores (1993) e bicampeão mundial (1992 e 1993). Na final do Mundial interclubes de 1993, aos 38 anos, 17 anos depois de ter sido eleito pela primeira vez para a seleção do Brasileiro, recebeu o prêmio de melhor jogador do Mundial. Entre esse dois pontos na carreira, manteve-se sempre jogando em alto nível.

São raros de fato exemplos de grande regularidade como esse, mas alguns dos que podem entrar nessa categoria são Romário, Mauro Galvão, Zidane, Valdo, Matthäus, Maldini. Todos jogando por diversos times, com exceção do último.

Regulares 2

De novo aqui a palavra tem sentido de demonstrar constância, continuidade, mas não necessariamente sem ser mediano, medíocre. Pior ainda, muitas vezes sendo simplesmente ruim de bola.

Ao contrário da categoria anterior, essa é a que tem maior fartura. Não quero citar aqui nenhum exemplo específico para não cometer indelicadezas. Mas eles estão aí, por todas as partes e campos. Sempre estiveram. São regulares.

Se futebol é momento, eles estão sempre no mau.

*

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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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