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Regra 10

25/09/2009

Honduras, Brasil e a Copa do Mundo

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Pode parecer estranho, mas a crise política em Honduras pode mexer com a Copa da África do Sul de 2010. Com o temor pela segurança dos jogadores diante do caos vivido no país, cogita-se mudar o mando de campo de um jogo decisivo das eliminatórias da Concacaf.

A partida entre Honduras e Estados Unidos, pela próxima (e penúltima) rodada do torneio, marcada para o dia 10 de outubro na cidade hondurenha de San Pedro Sula, seria transferida para outro país da América Central ou até mesmo para os EUA --sugestão dos americanos, segundo reportagem da Folha.

Essa absurda inversão de mando poderia ser determinante na classificação. Uma vitória colocaria os EUA no Mundial. Um triunfo hondurenho deixaria o país caribenho muito perto da vaga, feito que só conseguiram uma vez na história, na Espanha-1982.

México, Costa Rica e El Salvador também ainda estão na disputa por uma das três vagas diretas, hoje abertas, e pelo quarto posto, que dá o direito à repescagem.

Todos, portanto, podem ser prejudicados ou beneficiados com a mudança.

Lamentável.

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Se por um lado o temor pela segurança pode atrapalhar Honduras neste momento, uma situação semelhante rendeu ao país um de seus maiores feitos futebolísticos na história.

Há pouco mais de nove anos, Honduras foi responsável por um dos maiores vexames da seleção brasileira na história quando eliminou o time de Luiz Felipe Scolari nas quartas-de-final da Copa América, com uma vitória por 2 a 0, em Manizales, Colômbia.

Da derrota, a primeira do Brasil na história para a seleção hondurenha, muitos devem se lembrar. O que talvez esteja apagado pelo tempo é que Honduras só entrou na Copa América porque a Argentina desistiu de disputar a competição.

A desistência ocorreu porque a Colômbia vivia momento conturbado, com diversos ataques terroristas e guerrilheiros tomando conta de boa parte do território.

Não fosse a alegada insegurança, os hondurenhos não teriam jamais vencido o Brasil. Feito tão heroico para eles como a classificação para a Copa de 1982.

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O clima de insegurança na Colômbia também foi responsável pela "deserção" do volante Mauro Silva. Eleito líder do time por Scolari, ele desistiu de ir á competição no momento do embarque, alegando medo. Felipão diria futuramente que "perdoou" o jogador, mas não deu mais espaço a ele no time que viria a conquistar o penta.

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A própria conquista do penta, aliás, estava ameaçada no momento em que o Brasil perdeu para Honduras. Essa derrota foi o fundo do poço, mas nas eliminatórias para a Copa-2002 o time também não vivia grande momento. Ao contrário, estava seriamente ameaçado de não se classificar. Nas rodadas finais, o time ainda perderia para Argentina e Bolívia. A vaga, suada, foi conquistada apenas na última rodada, com uma vitória sobre a Venezuela.

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Fazendo um paralelo com a situação atual, as diferenças são drásticas. O time de Dunga se classificou com três rodadas de antecedência e vem fazendo campanhas excelentes nas competições que disputou. Foi campeão da Copa das Confederações e da última Copa América...

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...faz lembrar um pouco a Copa de 2006. O time de Parreira chegou como ultrafavorito, também campeão da Copa América e da Copa das Confederações, e deu no que deu.

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De maneira nenhuma significa que a história vá se repetir. Mas tomar cuidado com oba-oba nunca é demais.

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Mais pitacos no Twitter.

Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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