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Regra 10

02/10/2009

Avaí dá aula a Botafogo e Flu

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Pouco antes do início do Campeonato Brasileiro, o técnico Silas, do Avaí, deu uma declaração que causou certa polêmica. Para ele, o objetivo do clube catarinense no Brasileiro de 2009 era simplesmente não cair para a Série B.

Matematicamente, esse objetivo ainda não foi alcançado. Mas só uma sequência inacreditável de derrotas poderá tirar o equipe de Florianópolis da elite do futebol nacional.

Mais do que confortável, a posição do Avaí permite até mesmo sonhar com uma vaga na Libertadores, ainda que seja difícil --até o início da 27ª rodada, a diferença para o último do G4 era de sete pontos.

Na ocasião das declarações de Silas, mesmo o Avaí sendo um time pequeno, a repercussão foi enorme. No Brasil, todo time entra no campeonato para ser campeão.

Inclusive, para não dizer principalmente, os considerados grandes. Como é o caso de Botafogo e Fluminense. Hoje, enquanto o Avaí tenta encostar nos líderes, os dois tradicionais times cariocas lutam para não cair.

Erro fatal de ambos: não admitir suas limitações. Perante os torcedores, é óbvio, se o técnico de qualquer um destes dois times tivesse dito antes do campeonato que o objetivo era não cair seria péssimo, criaria um clima horrível.

Mas os dirigentes deveriam, sim, planejar a temporada sabendo que o objetivo maior, na verdade, era não deixar o time cair --como está prestes a acontecer.

Prova de que esse não era o pensamento foram as trocas de técnicos. No Fluminense, o técnico Parreira caiu após dez rodadas. Uma derrota para o Santo André havia acabado de levar o time à zona de rebaixamento.

Curiosamente, o Avaí, na ocasião, era o lanterna da competição. Silas foi mantido em seu time e deu no que deu. Se Parreira tivesse continuado no comando do Flu, será possível que o time não reagiria? Ninguém tem a resposta, mas duvido que a situação pudesse ser tão calamitosa quanto a atual.

Depois do Parreira, teve o Vinícius Eutrópio, o Renato Gaúcho e agora o Cuca. Obviamente, ninguém deu jeito.

O Botafogo, por sua vez, demitiu Ney Franco quando era o 15º colocado, na 18ª rodada. Estavam Soares foi contratado, e hoje o time é 18º colocado e se aproxima cada vez mais do próprio Fluminense.

Para piorar, a diretoria botafoguense cogita demitir Estevam Soares para contratar Renato Gaúcho. Se fizer isso, o novo técnico já deveria assumir com o objetivo de planejar a equipe para a segunda divisão --assim como o fez Cuca, apesar de existir a esperança de fugir da degola. Porque vai ser difícil acertar qualquer time agora.

No ano que vem, o Brasileiro vai entrar em sua oitava edição em sistema de pontos corridos. Está na hora de mais times ditos grandes começarem a admitir suas limitações. Nenhum campeonato pode começar com 20 favoritos. Nem mesmo com 19, como foi neste ano, já que o Avaí sabiamente se colocou fora da briga.

É a realidade dos pontos corridos.

*

Falando em pontos corridos, a Globo quer acabar com o sistema. Sou meio contra, meio a favor. Na verdade, o que eu gostaria de ver era uma fórmula em que se preservasse o sistema atual de turno e returno mas que previsse uma final entre os campeões de cada turno. Se um mesmo time vencesse os dois, eliminaria a necessidade de final. Nem lá, nem cá.

*

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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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