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Regra 10

23/10/2009

Sobre beleza e fritura

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EDUARDO VIEIRA DA COSTA
Editor de Esporte da Folha Online

Existem homens que preferem evitar mulheres muito bonitas com o argumento de que dão muita preocupação. O inverso também é válido. Pura insegurança, obviamente. Transposto o conceito para o mundo do futebol, tipos assim poderiam, por exemplo, recusar um emprego como técnico do Real Madrid. Nesse caso, porém, teriam elementos para comprovar que o "bonito" nem sempre é o melhor.

A rotatividade no Real Madrid, aliás, chega a ser maior do que a folha corrida de atrizes/modelos em seus affairs de capa de revista de fofoca com atores/modelos.

Quem assume o time madrileno tem que ter um olho no peixe e outro no gato, sempre. Basta dizer que nos últimos sete anos o clube teve nada menos que dez treinadores --incluindo aí um certo Vanderlei Luxemburgo.

O último que ficou algum tempo no cargo foi Vicente del Bosque, cujo "mandato" foi de três anos e meio. Mas, nos dez anos anteriores a ele, ninguém esquentou o banco por mais de dois anos. Foram 13 técnicos no período, alguns com menos de seis meses para trabalhar.

Que o diga Manuel Pellegrini. O chileno assumiu a equipe merengue em junho deste ano. Não deu tempo de fazer muita coisa. Mesmo assim, é vice-líder do Campeonato Espanhol, com seis vitórias e uma derrota, atrás apenas um ponto do Barcelona, que já tinha a equipe montadinha da última temporada.

Na última partida do Espanhol, porém, apesar da vitória por 4 a 2 sobre o Valladolid, em casa, a torcida vaiou Pellegrini o tempo todo, segundo relatos da imprensa local.

Após a derrota no Bernabéu para o combalido Milan, pela Copa dos Campeões, a própria imprensa madrilena, que timidamente também já reclamava do técnico, escancarou críticas e opiniões contra o chileno. Mesmo que o time continue na liderança de sua chave.

A frigideira do Real está sempre no fogão. Com fogo alto.

Ainda mais agora, na nova era galáctica do presidente Florentino Perez. O clube investiu como jamais um time de futebol investiu na história. Foram gastos nada menos do que 250 milhões de euros em reforços do quilate de Cristiano Ronaldo e Kaká, melhores jogadores do planeta nos dois últimos anos.

Para piorar a situação, a camisa que "pesa", já que o clube é o maior vencedor europeu de todos os tempos, já não vem assustando tanto. O último título da Copa dos Campeões foi em 2001/02. Depois disso, venceram três Espanhóis (2002/03, 2006/07 e 2007/08).

Parece muito para qualquer um. Menos para o Real Madrid.

E já que não dá para desfazer as contratações milionárias, todas para as mesmas posições, e montar um time menos estelar e mais competitivo --não é essa a intenção, já que o retorno financeiro dos astros para o clube também é gigante--, a solução imediata mais fácil é trocar de técnico. Mesmo que isso não ajude de fato em nada.

Pellegrini não deve mesmo durar muito mais. A não ser que comece a vencer todos os jogos a partir de agora, o que não impedirá que sinta os calores da fritura a partir da primeira derrota seguinte.

De qualquer forma, o chileno terá no currículo a passagem pelo suposto maior clube do mundo, emprego que talvez seja o mais cobiçado entre todos os técnicos de futebol.

Experiência provavelmente fantástica, mas quase necessariamente conturbada e fugaz. Uma mulher bonita teria lhe trazido muito menos preocupação, com toda certeza. Duraria mais também. Mas é claro que aí dependeria da uma boa dose segurança da parte dele e, principalmente, do nível de beleza de que estamos falando quando se trata dela.

*

A vitória do Milan por 3 a 2 foi a primeira do time italiano jogando na casa do Real Madrid na história da Copa dos Campeões (antiga e moderna). Antes, o time espanhol tinha quatro vitórias e um empate no duelo entre os dois no Santiago Bernabéu.

*

O Real Madrid jogou sem Cristiano Ronaldo, machucado. Dias antes, jornais espanhóis publicaram a história bizarra de que um bruxo espanhol havia sido contratado por uma pessoa famosa para fazer com que ele se lesionasse --pagando alto pelo serviço. O tal bruxo, identificado como Pepe, "informou" depois que foi contratado por uma ex-amante do jogador e que fará com que em breve o português seja obrigado a abandonar definitivamente a carreira. Deu até prazo para isso: de três a quatro meses. O bruxo deixou claro que não foi contratado por Paris Hilton, com quem o meia-atacante teve affair, mas afirmou que a mulher não é portuguesa nem espanhola e tem menos de 30 anos.

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Eduardo Vieira da Costa, 32, foi repórter do diário "Lance" e da Folha Online, onde atualmente é editor de Esporte. Escreve a coluna Regra 10, semanalmente, às sextas-feiras, além de comentar futebol em podcast neste mesmo dia.

E-mail: eduardo.vieira@grupofolha.com.br

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