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Alguns perguntam por que não esquecemos à ditadura e aos responsáveis do genocídio. Todos gostaríamos esquecer, porém... Podemos? Alguém pede esquecer o nazismo, 31 anos mais velho que a ditadura brasileira??
Milhares de pessoas não sabem quando e como morreram seus parentes e amigos, nem onde estão os cadáveres. É verdade que os algozes estão agora mais discretos, e se arrastam vagarosamente até seus túmulos, mas eles deixam seus herdeiros que preparam um novo Operativo Condor, agora com Colômbia.
Como os ex-SS, eles não aceitam a paz, e rejeitam as subservientes bajulações do ministro de defesa, que afirma que as FFAA mudaram. "Não mudamos!" replicam "somos os mesmos; nos orgulhamos de aquele mar de sangue!". Ameaçaram a Lula com a mais grande amostra de "solidariedade" (quer dizer, "provocação") militar da história. Triste ver um homem corajoso que lutou como operário, baixar a cabeça como presidente. As SS vernáculas bradam suas grotescas preces de louvor ao sinistro dia do golpe.
Aliás, não estão sozinhos: um alto magistrado, uma das figuras públicas mais bizarras na história de ocidente (não apenas do Brasil), critica e ofende os poucos países que tiveram coragem de julgar seus criminosos armados.
Lembrar o passado é saudosismo conservador, mas isto NÃO É PASSADO. Eles estão frustrados por não ter aniquilado uma parte maior do povo (como Argentina e Alemanha fizeram), mas estão presentes em todos os setores da vida brasileira.
Em Arquivos da ditadura
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O problema com as gangues militares da época de ditadura mostra como nossa democracia é fraca. Até na Argentina e no Chile, onde o poder daqueles chegou a ser absoluta, têm sido feitos alguns julgamentos, embora sejam muito poucos. No Chile foi especialmente simbólica. Na Argentina foi algo mais substantivo e vários chefes militares e policiais (que são menos do 3% dos denunciados), estão cumprindo penas. É muito pouco, mas pode dar algum estímulo. Uruguai, Argentina e Paraguai são os únicos onde nata tem sido feito, o que em Brasil é muito grave, pelo tamanho e importância do país, e porque as organizações internacionais poderiam ajudar muito.
Tampouco somos realmente um estado de direito. O presidente do STF (que já está em quase os 20.000 votos da Internet em favor de sua demissão), aquela figura incrível nos tempos atuais, tem diro que o julgamento aos militares tem "prejudicado" os países onde se aplicou.
Os que acham que a ditadura é uma coisa antiga, e seria melhor poder esquecê-la, devem lembrar que todos gostariamos de esquecer, mas são os criminosos e genocidas os que não esquecem. Num ato grotesco e nojento, os antigos golpistas renderam homenagem a sua saga e assassinato, sequestro e tortura. Eles próprios desmentem os funcionários covardes que dizem que as FFAA mudaram. Se nada for feito, nossa volátil democracia ficará cada vez mais pulverizada. Coitados os que habitem nosso pais dentro de 40 anos.
Em Arquivos da ditadura
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Estou em dúvida sobre o que entendem alguns comentaristas por SIONISMO. O que tem gerado indignação é o MILITARISMO de Israel, que o governo exerce de maneira crescente desde a fundação do estado.
Sionismo não é o mesmo que "terrorismo de estado israelense", como se sugere em muitos dos comentários deste painel. Ser "terrorista de estado" é uma perversidade e combatê-lo é um dever moral. Já ser sionista é uma ideologia eticamente neutra.
Quando começou a manifestar-se no século 19, o sionismo simplesmente queria um território para que os judeus vivessem em paz. Não era um projeto providencialista, mas secular e diversificado. Os religiosos judeus só ganharam influência no movimento pouco antes da Segunda Guerra. Inclusive, uma das propostas era obter território na América Latina e não necessariamente Oriente Médio.
Os interesses imperialistas na partilha são bem conhecidos, mas é exagero pensar que as massas judias que fugiam da morte eram cúmplices desses planos. Aliás, os que leram sobre o assunto, sabem que a URSS foi o primeiro país em reconhecer Israel e o Reino Unido se absteve.
Como eu não sou judeu e até venho de uma cultura fascista (meu sobrenome é italiano) ouso fazer esta pergunta: o que fariam os que criticam se fossem perseguidos, e soubessem que há um país onde podem ficar? Claro que o povo de Israel está manipulado pela direita, mas isso não cria uma culpa coletiva. Ninguém diz que os EEUU devem desaparecer por causa dos crimes da CIA
Em Violência em Gaza
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Obrigado pela sua observação!
Ao dizer que a raíz da violência está no capitalismo, não descarto que ela se tenha tornado parte de um sistema social, como transferência da violência individual própria do ser humano. Considero que você está correto neste sentido. O curto espácio que se permite a estes comentários faz, às vezes, que as afirmações estejam simplificadas demais.
Pessoalmente, acredito que racismo, violência, ódio etc., não são partes estruturais de nossa natureza, mas componentes que algumas pessoas possuem em maior proporção que outras (e muitas, realmente, não possuem; todos conhecemos pessoas totalmente pacíficas e humanas).
O sistema social é o que "deflagra" essa violência, quando existe no indivíduo, e a exacerba, quando ela não é suficientemente forte.
Você está certo ao lembrar os crimes do stalinismo. Não quis sugerir que o stalinismo era uma legítima sociedade sem classes. De fato, a burguesia foi substituída por uma burocracia com grandes poderes.
O real sentido de minha afirmação é que as mazelas sociais são produto da intensificação das fraquezas humanas, por grupos que assumem o poder na sociedade de classes. Observamos, por exemplo, que à medida os países são mais socializados e democráticos, essas mazelas são menores, como na Suécia, Noruega, etc., e ainda em comunidades isoladas do sistema (como os Quakers e os Amish nos Estados Unidos).
Agradeço sua gentileza de se interessar por minha opinião
Em Violência em Gaza
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O líder do movimento negro americano Bobby Seale, um dos chefes dos Black Panthers, disse uma vez num encontro da esquerda americana em Seatle: "O ódio só faz dano ao autor; quem é odiado não se importa e os outros nem sabem"
Neste momento complexo que vivemos a escala mundial, nada pior que o ódio e o preconceito. Combater o ódio com o ódio é, além de anti-ético e insano, ineficiente. Uma prova disso é que os castigos cruéis e as ações jurídicas brutais só conseguem aumentar o crime.
Nesse sentido, chamo à reflexão às pessoas que, talvez abaladas pela brutalidade explícita do exército israelense, e da falta de reação dos países ditos civilizados (salvo Venezuela e Bolívia), em vez de formular críticas profundas e efetivas, que mostrem como o genocídio anti-palestino representa um componente político-econômico da sociedade de classes, se dedicam a reviver histórias falsas não apenas sobre o sionismo, mas sobre os judeus em geral.
1) O caso, citado nestes comentários, da República Soviética de Birodibkhan é, como indiquei num comentário anterior, discutível. Fazer alarde de erudição com esse fato que "raríssimas pessoas conhecem" não é correto.
2) O Protocolo é um assunto obscuro. Se o autor foi o Czar ou o sionismo é pura fantasia descabida.
3) Washington e Franklin eram racistas e escravistas, o que não é menos grave que ser anti-semita. No entanto, não há nenhuma prova séria de seu anti-semitismo.
Em Violência em Gaza
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A questão judaica continua sendo debatida, agora no marco da política israelense, mas ambas as coisas são independentes.
Até a Segunda Guerra Mundial, houve judeus não apenas no comando de certo setor das finanças (um pouco sobredimensionado pelos anti-semitas), como também na direção dos mais importantes movimentos humanistas e revolucionário do século 20: a Revolução Russa, o anarquismo, o socialismo de esquerda...
A barbárie fascista conduziu a essa comunidade a uma posição oposta, em parte pela própria ideologia capitalista de um setor do sionismo, mas também por um reflexo de defesa que preferiu copiar os comportamentos dos quais tinha sido vítima. Com a emergência do capitalismo americano depois do plano Marshall (1947), os movimentos progressistas viveram sempre à defensiva, e os próprios judeus de esquerda se retraíram, deixando de manter sua presença no cenário ideológico mundial. Os partidos trostquistas judeus se opunham inicialmente, à criação do Estado de Israel. Mas acabaram sendo silenciados, porque o terror que despertou o nazismo acabou levando muitas de suas vítimas à direita.
Este fato é bem conhecido na Argentina. En 1976, o país teve a maior repressão que se lembra em Ocidente desde 1945. Judeus estiveram entre as principais vítimas. POREM, O ESTADO DE ISRAEL CONTINUOU PROVIDENCIANDO ARMAS A DITADURA ARGENTINA, e só concedeu refúgio político aos judeus que podiam servir militarmente (entre 18 e 45 anos).
Em Violência em Gaza
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Estava dizendo:
É necessário diferenciar os fanáticos, que existem em todas as culturas, das massas envenenadas (que são maioria), enfurecidas por sentimentos geralmente religiosos e nacionalistas, de uma minoria que nem sempre é pequena, que resiste o sistema.
É claro que o problema de Israel não vai se solucionar se Hamas decide desarmar-se. Aliás, antes de existir Hamas ou Hezbolá, Israel já tinha cometido inúmeras atrocidades.
Mas, pior ainda é inventar histórias sem sentido, ou reviver sentimentos de ódio que já custaram tanta sangue. Os chamados Protocolos são um fato obscuro, e realmente me surpreende a arrogância com que, tanto antisemitas como pró-sionistas falam dele, como se tivessem os dados científicos de primeira mão. O mais provável é que seja parte do folclore anti-semita que foi enorme no século 19.
Tampouco é sensato colocar-se a desaparição do Estado de Israel como nação. Isso é, não apenas cruel, como absurdo, porque os países não são nem bons nem ruins: essa é uma imagem antropomórfica, mãe do imperialismo e do nacionalismo. Todos sabemos que, apesar da arrogância, Israel não poderia levar sua guerra adiante se não tivesse apóio americano. Isso foi claro na ofensiva de Gaza, pouco antes do fim de Bush.
A única solução para o belicismo de Israel, é lutar contra todas as formas do imperialismo ocidental. Se algum dia, os impérios se tornassem pacíficos, o belicismo israelí talvez se transformaria num estado pacífico
Em Violência em Gaza
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Atualmente, o mundo têm vários problemas concretos, que podem ser analisados sem fanatismo. Todos os conhecem: fome, miséria, racismo, genocídio, etc. Mesmo que se fazam de ingênuos, todos sabem o motivo: a expansão capitalista, em sua forma não só "jurídica", mas também "informal": tráficos de drogas, armas, pessoas, neo-escravidão, terrorismo privado e terrorismo de estado (este sempre é esquecido pela mídia!!!).
A solução é complexa. Inclusive, às vezes penso que talvez não exista, mas isso não deve ser pretexto para aceitar o caos atual sem luta. Na América Latina, há alguns países que são uma esperanza.
Israel, apesar de ser visto como um fato monstruoso, pode ser explicado por esse processo. É uma formação militarista em médio Oriente, uma região de nómades e senhores feudais, onde os povos não tem quase nenhuma chance de defender-se. Os interesses ocidentais na região se adicionam aos próprios interesses dos habitantes. Muitos judeus não tiveram outra opção que integrar esse estado. Uma pessoa que conheci quando era livre, e me comoveu muito, foi Mordechai Vanunu. Ele é um físico pacifista e queria refugiar-se na Inglaterra. Não deu tempo, foi capturado por um comando israelense, preso e torturado.
É necessário diferenciar os fanáticos (segue)
Em Violência em Gaza
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Que existam sociedades mais aptas para ser militarizadas que outras, isso é verdade. O fascismo cresceu nos países católicos (Espanha, Itália, Aústria, Sul da Alemanha), e se propagou condificuldade aos protestantes (Prússia, Noruega, etc.)
Ao longo da história, é fácil ver que comunidades mais fechadas e perseguidos, mesmo que tivessem território (que os judeus não tinham) como o caso dos poloneses, desenvolveram um misticismo radical, uma exigência providencialista ligada ao território e ao passado, e um sentimento de vingança contra seus inimigos. Por exemplo, o fascismo dos Ustac croatas, foi mais cruel que o próprio nazismo, ao ponto que Martin Borman afirmou que "a sede de sangue dos Ustac desprestigiava o 3o. Reich",
No caso da comunidade judaica, houve, sem dúvida, uma grande heterogeneidade. É uma atitude no ´mínimo, preconceitosa, comparar os magnatas judeus de Londres de 1848, com os camponeses judeus de Europa Oriental. Por que, então, se uniram num projeto genocida??? Porque o nacionalismo é sempre um sentimento alienado e irracional, e as pessoas mais fracas encontram um apoio em outras, mais forte, que compartilham com elas uma identidade, mesmo que seja imaginária. Como disse Oscar Wilde, numa frase que lhe custou a cadeia "o patriotismo é a virtude dos canalhas".
Em Violência em Gaza
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Neste setor há comentários inteligentes e articulados, mas não necessariamente adequados à realidade (como sugeri num comentário anterior).
Quando se critica o Estado de Israel e sua política belicistas, os leitores se estão colocando em que perspectiva: é pacificismo e, portanto, exige uma solução política imediata, é uma crítica cultural à estrutura do estado de Israel, é uma crítica à comunidade judaica em seu conjunto, ou, em fim, é preconceito racial???
Estas perguntas são essenciais. A Confusão de todos esses aspectos não fazem outra coisa que aumentar a tensão e o preconceito, com resultados imprevisíveis.
É necessário ter em conta que o belicismo faz parte da face negativa de personalidade de muitos humanos (não de todos, nem da maioria), e pode ser deflagrado, porque aqueles que o estimulam possuem o poder. Os outros se deixam levar por ele por um fenômeno social complicado que Wilhem Reich chamou em 1937 "Praga Emocional".
Ser um militar ou policial sádico é uma coisa frequente, que deriva da própria profissão (uma pessoa não pode ser açogueiro se gosta de animais, por exemplo), e nada tem a ver com nacionalidade.
Os nazistas da SS tinham pouca afinidade cultural com os atuais assassinos de Sudão, e a direita hutu do masacre de 1994 em Rwanda. Da mesma maneira, os oficiais israelenses não cometem crimes por ser judeus (acreditar isto é racismo), mas por estar inseridos num sistema cruel e deshumano.
Em Violência em Gaza
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Creio que o violento debate sobre as ações de Israel na Palestina se beneficiaria de uma visão mais objetiva e crítica dos problemas políticos e sociais, que os grandes centros de poder não têm interesse em estimular, e incluso desestimulam.
O belicismo, o militarismo e o domínio de classes sociais são independentes da cultura ou da etnia, e dependem, como já mostrado no século 19, da psicologia popular criada a partir das estruturas econômicas. O capitalismo é, necessariamente, gerador de militarismo, classismo e crueldade social. Talvez estejam certos os que atuam na mídia e nas empresas, de que o capitalismo não pode ser vencido. Mas se isso é verdade, tampouco o racismo ou militarismo serão totalmente erradicados. Entretanto, a luta contra esta forma opressora de sistema talvez seja um destino digno para uma vida tão corta como a humana.
Tendo isso em conta, as atrocidades de Israel, apesar de sua enorme barbárie, não devem surpreender. Semelhantes foram as cometidas pelos Turcos na Armênia, pelos Estados Unidos em Vietnam, etc. A Intensidade, sadismo, impacto letal, etc., dependem de fatores individuais. No caso de Israel, pesa muito o resentimento do establishment sionista, que pretende uma punição coletiva que compense os crimes que sofreu do nazismo. Mas, não pode esquecer-se que há uma minoria (muito corajosa) de israelenses que lutam pela paz, e ver por outra são presos, torturados e assassinados.
Em Violência em Gaza
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Os comentários da leitora Leila parecem bem documentados, e muitos deles são bastante objetivos. Entretanto, me parece que há uma certa extrapolação no caso de Birobidkhan, no extremo oriente soviético.
De fato, Stalin tinha interesse em resolver o problema das nacionalidades, por razões que foram discutidas muitas vezes, quase sempre de maneira muito emocional, por causa da repulsa que o famoso líder gerava. Na realidade, ao não existir uma região típica onde os judeus tivessem assentado e pudessem exercer sua própria cultura (como o caso de Tartaros, Mari o Kirguises), qualquer região parecia adequada.
No entanto, Birobidkhan não é uma região realmente fértil, como e leitora diz, embora tivesse partes férteis. Estava muito longe dos centros urbanos, o que significava uma mudança de vida radical para uma comunidade urbana. Uma política realmente internacionalismo, como a que teve Lênin 13 anos antes, se tivesse sido mantida, poderia ter dados aos judeus uma parte de Ukrania, onde se poderia ter criado uma república de suficiente tamanho.
Quanto às intenções imperialistas dos britânicos e americanos, sem dúvida existiam, mas é pouco provável que a comunidade hebraica soviética estivesse conetada com ela. Creio que o combate às atrocidades cometidas pelo estado de Israel, não devem extrapolar-se ao passado. Houve, na história judia, grandes assentamentos de judeus progressistas e liberais, embora hoje tenham desaparecido.
Em Violência em Gaza
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A pública humilhação da menina, sua família e seus médicos, pelo arcebispo e as hierarquias superiores, até o Vaticano, são mais uma ferida num grupo de pessoas que já sofreu demais. No entanto, pensemos que a enorme indignação que este fato produziu até nos próprios católicos, como se reflete em 81% de opiniões deste fórum, é um fato novo na América Latina: centenas de pessoas usam a mídia de maior difusão e prestígio para denunciar o estado em que vive nossa humanidade. Imaginem se, em 1700, os inimigos de escravidão tivessem tido esta oportunidade.
Não estou sub-valorando o sofrimento das vítimas; ninguém desejaria estar em seu lugar. Mas, já que o sofrimento existe, é bom que ele possa ser usado como uma heróica bandeira em defesa da dignidade humana e do direito à liberdade. Quantidade não significa ter razão, mas esta maioria não é uma massa levada pelo fanatismo: pelo contrário, são pessoas que refletem, que entendem a dor da menina, que são solidárias, e vão a refletir muito sobre a instituição que os oprime.
Nas últimas décadas, o Brasil já perdeu mais de 15% de católicos para credos diversos. Cada um tem direito a acreditar em um ou mais deuses (ou em nenhum) da maneira que prefira. Mas o ser humano normal procura refúgio na religião, e não humilhação, crueldade, e recursos para atacar os outros. Este trágico fato, inacreditável depois de 1789, fará muitas pessoas refletirem, e continuará reduzindo o número de submissos.
Em Menina violentada em PE interrompe gravidez
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As instituições só existem porque tem indivíduos concretos (estado, nação, pátria, etc. são algo porque têm habitantes), mas, é necessário perceber que os líderes, as hierarquias, etc., definem a ÍNDOLE da instituição, e a maioria dos que a ela pertencem, não tem nenhuma responsabilidade na mesma. Não disse em meu comentário anterior, porque achei óbvio, mas A CONDUTA DA IGREJA NÃO É CULPA DOS MILHÕES que nela acreditam, seja por tradição, por necessidade, por ingenuidade, etc. Essas pessoas são vítimas do medo, a superstição, a miragem, e nenhum padre ou bispo lhes pede opinião, justamente por seu caráter autoritário.
Aliás, como a religião institucional é confusa, muitos ignoram os aspectos negativos e focam nas mensagens de amor e humanismo. Esses fazem caridade, ajudam o próximo, etc. Os que trabalhamos em Direitos Humanos fomos muito ajudados por católicos brasileiros durante a ditadura, que encontraram esconderijos para milhares de perseguidos, e temos agradecido isso publicamente. Mas eles, mesmo sendo muitos, não possuem poder nas decisões da Igreja.
Quanto aos que acreditam que os marxistas e a esquerda são filhos do stalinismo, estão 72 anos atrasados. Não percebem que toda a direita admira China, incluídos os americanos? O stalinismo foi uma degeneração da esquerda nos anos 30, e depois tornou-se mais uma feroz ideologia imperialista.
Se quiserem atacar, SE INFORMEM, APRENDAM. Serão mais úteis a suas próprias crenças.
Em Menina violentada em PE interrompe gravidez
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As críticas desesperadas contra Tarso, Suplicy e outros, feitas por políticos, mediáticos e parte do público, mostram que pessoas inteligentes e corajosas irritam os fanáticos. A promessa de Tarso de asilar um jovem fascista desmente aos que fingem acreditar que o caso Battisti foi ideológico. Nada mais bárbaro e cruel que o fascismo: o Brasil sabe disso porque a ditadura foi (em parte) filha do Integralismo, engendro medíocre e caricato do fascismo.
No entanto, nem todo fascista é criminoso: numa sociedade dominada pela superstição e a máfia, tradicional inimiga da democracia e da ciência, muitos jovens se deixaram arrastar pela confusa estética do fascismo. Se o candidato não cometeu crimes de lesa humanidade, nem fez parte de forças repressivas, ou seja, se sua sensibilidade não está irreversivelmente destruída, ele pode somar-se às forças positivas da sociedade.
A ética marxista não quer que o "pecador" queime no inferno nem apodreça na cadeia, para alegria de sádicos e místicos, mas que tenha oportunidade de melhorar. Aliás, se ele tivesse cometido crimes aberrantes, não seria perseguido: quem persegue aos que, há 30 anos, assassinaram e torturaram crianças e mulheres, e ainda recebem promoções e prêmios? Os fascistas mais violentos não pedem asilo: eles estão bem a vontade usufruindo as beleza do Palácio do Quirinal, ou trabalhando para a CIA. A posição de Tarso Genro é um modelo de tolerância e democracia e espero que seja concretizada.
Em Refúgio político
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Por falta de informação muitas pessoas pensam que a revolta contra a Igreja foi inventada por comunistas e por atéus fanáticos. Não é bem assim.
Já no século IV, várias seitas de cristãos piedosos se colocaram contra o Papa, por causa da rapinha da Igreja, de seu maltrado às mulheres, e pelo uso das pessoas como bucha de canhão para as guerras com as que os católicos lucravam.
Em 1025, o mercador Pierre Valdo, conhecido cristão, formou um grupo de feiéis para se opor à cobiça e crueldade da Igreja, e predicou por toda Europa o direito dos pobres a ter uma vida digna. A Igreja italiana queimou ele com outros 112 colegas, talvez em 1042.
Os camponeses ingleses, ainda católicos no século 13, se rebelaram contra a brutalidade do papado, que roubava suas terras e os convertia em escravos. Muito antigo, não é? Mais perto: Em 1911, o povo mexicano, muito católico, impossibilitado de tolerar a crueldade dos padres (que estupravam suas mulheres e filhos, roubavam seus bens, os chicotavam), se levantou numa enorme revolta que durou até 1929. Só em 2000, o presidente Fox, um fascista sem dignidade, devolveu à Igreja o direito de aparecer em público.
Entre os judeus, havia poucos comunistas ou atéus, mas eles foram mortos nas câmaras de gás, cujo chefe Eichman, foi abençoado por Pio XII em 1941. João Paulo II abençoou Pinhochet. João Paulo I, que se recusou a obedecer a máfia, foi assassinado.
Sartre observou que só pessoas doentes podem ter esta religiosidad
Em Menina violentada em PE interrompe gravidez
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Nos comentários a esta matéria, aparecem muitas pessoas indginadas com a atitude iníqua do bispo e das autoridades da Igreja que o apoiam. Isso é natural, porque a crueldade contra crianças é uma das perversões mais aberrantes, que sensibilizam a qualquer um, independentemente de ideologia.
Entretanto, percebe-se que a maioria dos comentadores "lamenta" a atitude da Igreja, pois entende que os padres está disseminando uma imagem de ódio, crueldade, intolerância, desprezo pela vida de crianças, e tudo isso faz aparecer a Igreja cada vez mais claramente ultrapassada, medieval, desumana.
O mais interessante, é que muitos destes comentadores (talvez a maioria, não contei exatamente o número de comentários), afirma ser católica e se pergunta, com legítima angústia, "que Igreja Católica deixarão para seus filhos".
Apesar de que estas pessoas parecem bem intencionadas, não posso negar que há uma contradição que me intriga profundamente: Se eles percebem toda a atrocidade que a Igreja faz (e fez no passado, contra judeus, índios, negros, muçulmãos, hereges, mulheres, crianças, etc.), POR QUE SE MANTÉM DENTRO DA IGREJA?
Isto sempre foi uma curiosidade que nunca pude resolver. Alguns dizem que eles reconhecem a deshonestidade dos padres, mas aderem aos valores e dogmas da Igreja. Eu me pergunto: Como recebemos valores que não seja a traves de humanos? O que fica da Igreja sem os milhares de censores, condenadores, carrascos, opressores...?
Em Menina violentada em PE interrompe gravidez
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As Leis Brasileiras de Anistia (1978 até a Constituinte), devem ser interpretadas, como quaisquer outras, como extinção da perseguição e rehabilitação dos que cometeram crimes políticos e conexos. Crime político não é um assunto obscuro. É muito claro: crimes políticos são os atos que militantes políticos executam, violando as leis de governos cuja legitimidade questionam, para afetar, obstruir ou derrubar governos que não respeitam nenhuma legalidade básica, como foram as ditaduras de Brasil, Chile, Argentina, Guatemala, e também alguns governos formalmente democráticos, como Colômbia.
É totalmente óbvio que a Anistia não pode ser aplicada a agentes de estado que, pelo contrário, estavam com a LEI EM SUAS MÃOS, e as usaram
para evitar a democratização impondo o terror.
Mais importante: existe um elemento factual, que está além de toda lei. Enquanto os inimigos da ditadura se defenderam como puderam (incluso com armas), a ditadura usou os mais ferozes métodos conhecidos por nazistas, fascistas, e outras ditaduras, para destruir física, moral e psicológicamente suas vítimas (combatentes ou não).
A inclusão dos criminosos de lesa humanidade na lei de Anistia é defendida pelo Itamaraty e o M. Defesa por medo aos militares, por interesses, e por outras aberrações difíceis de qualificar. Brasil continua, em democracia, cuspindo nos Direitos Humanos, o que nos transforma num estado policial-militar como Sudão, qualquer que seja o governo.
Em Anistia
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Quando se discute, se ataca, se critica, etc., um ponto de vista social, moral e psicologicamente sem sentido, se está concedendo atenção a um simples ato de psicopatia, demência mística e perversão.
A posição correta era notificar a opinião da Igreja sobre o caso, e comentar (o jornalismo comenta muito e tem direito) que o bispo comete crime de intimidação, e deve ser punido criminalmente.
Vamos discutir se é lícito submeter uma criança a um ato de sacrifício ritual? Vamos aceitar que uma instituição famosa pela pedofilia, ainda tenha o cinismo de condenar uma vítima de OUTROS estupradores?
Entendo a sensibilidade de Lula, mas sua intervenção foi nociva. O bispo deve ser tratado como o promotor de infanticídio (a menina não teria sobrevivido ao parto), e não honrado com a crítica de um presidente.
Toda pessoa tem direito a sustentar seus mitos, mas é absurdo permitir que, em nomes deles, pretendam semear o terror e a brutalidade na sociedade. Muitos ainda acreditam que a excomunião tem algum valor, e essas coitadas pessoas são levadas a níveis cada vez mais profundos de angústia e ignorância. Brasil é um país secular, e isso deve ser respeitado; nosso caráter laico é a base de nosso amor a humanidade e nossa tolerância. É mais importante que riqueza, que soberania e até que democracia! O MP deveria denunciar o bispo por ameaça e intimidação se realmente quer honrar sua posição de defensor da sociedade.
Em Menina violentada em PE interrompe gravidez
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Algumas pessoas afirmam que na época de Sandro Pertini, a polícia e a justiça italiana agiam com objetividade, pois Pertini era um herói antifascista, comunista histórico e amigo de Gramsci. O que não se diz é que ele tinha 85 anos e sua figura era puramente decorativa. Entre 1979 e 1981, Anistia Internacional (AI) publicou vários relatórios muito documentados sobre o trato nas prisões italianas. Um resumo apertadíssimo:
Em 1979, houve um aumento da repressão contra SUSPEITOS de terrorismo, mas também contra os que sustentavam "opiniões subversivas" e até contra os que se opunham ao recrutamento por razões religiosas, (algo respeitado no Brasil desde os anos 60). Em 1980, havia mais de 100 testemunhas de Jeová confinadas na prisão do castelo de Gaeta, construído em 1279. O prisioneiro de consciência Sérgio Andreis, foi perdoado por Pertini em julho de 1980, mas ninguém ligou, e os militares o julgaram por "difamar o regime prisional", e o condenaram a 10 meses de prisão. Prisioneiros doentes não receberam assistência médica e quase nenhum pedido de informação de AI foi respondido.
Os suspeitos de simpatia com os "autonomisti" estiveram confinados até 25 meses sem cargo. Em 1979, pelo menos 68 pessoas suspeitas de "contatos" com brigadistas foram confinadas durante anos, até que a justiça se "convenceu" de sua inocência.
Não houve torturas extremas (como no Brasil), mas pancadas, chutes, ameaças à família e queimaduras leves eram comuns nos interrogatór
Em Refúgio político
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