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Comentários de Michel Aires de Souza SAO PAULO / SP
Em 30/06/2008 19h46
Os indivíduos por terem medo de perder o emprego ou de perder o salário que recebem trocam facilmente sua autonomia pela segurança. Eles tornam-se incapazes de ter consciência de classe. Os baixos salários, o descaso, o desrespeito, a imposição de políticas pedagógicas, a desvalorização do professor e os males que afligem nossa classe só ocorrem porque não somos capazes de assumir o nosso próprio destino enquanto classe. Ter consciência de classe significa aumentar a nossa consciência crítica, fortalecer o nosso poder de reivindicação e ter mais poder na sociedade. Os bons salários de alguns grupos de funcionários públicos, como os de juízes, promotores e políticos é provocado pelo subdesenvolvimento de outros grupos, como o de professores, policiais, garis. Para que alguns grupos possam receber melhores salários e acumular patrimônios outros necessitam ser explorados e sacrificados. O acesso aos benefícios está desigualmente repartido, isso porque há grupos que se mobilizam enquanto outros não. Nós professores temos que aprender a pensar enquanto grupo, não podemos ser individualistas e pensar em nosso próprio umbigo. Essa atitude individualista cria os baixos salários, o desrespeito, a desvalorização de nossa classe e nos tira a autonomia. É o que vem acontecendo nas escolas, os professores perderam a autonomia para poder dar aulas. As aulas já estão prontas em cartilhas como uma receita de bolo. O ensino tornou-se enlatado. Eles nos dizem como devemos ensinar, como devemos pensar, como devemos agir e como devemos valorizar. O estado tem desrespeitado constantemente os professores, eles acham que não temos força de mobilização e organização. Para o estado a melhor classe é aquela que não se mobiliza. Mobilizar significa estar ativamente lutando contra essas forças que querem reduzir nossa consciência, nossa vida, nossa existência a um mínimo. A mobilização nos garante direitos e dignidade. Em 1989, no governo Quércia, paralisamos por 80 dias e conseguimos um reajuste salarial que variou de 51% a 126%. Em 1993, no governo Fleury, paralisamos por 79 dias e conseguimos uma nova política salarial com reajuste salariais de quatro em quatro meses; conseguimos também a aplicação de 30% do ICMS para a educação. No ano 2000 paralisamos por 43 dias e conseguimos impedir a reforma do ensino médio que não garantia a qualidade do ensino e boas condições de trabalho para os professores. Em 2005 paralisamos por alguns dias e impedimos que 120 mil ACTs fossem despedidos. Por estas razões, devemos lutar em defesa dos nossos direitos e paralisar pela revogação da lei. 53037/08.

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