Pequeno bistrô em SP cai no gosto de editores internacionais
MARIANNE PIEMONTE
da Revista da Folha
Existe algo a mais na receita de sucesso do Sophia Bistrot do que o perfume de seus molhos. O mobiliário do restaurante, que pode ser lido como um capítulo da história do design nacional com seus Geraldo de Barros e Sérgio Rodrigues, chamou a atenção de editores de moda como os da "Marie Claire" francesa.
| Maria do Carmo/Folha Imagem |
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| A chef Fabiana Cesana, 37, no salão do Sophia Bistrot, nos Jardins (capital paulista) |
Por aqui, fashionistas e modernos de toda a sorte adotaram o lugar como refúgio. Talvez por isso tenha sido citado pelo "New York Times" duas vezes neste ano como o lugar onde pessoas da moda e das artes fazem suas refeições francesas contemporâneas.
Há sete anos, quando ainda era empresária da banda Capital Inicial, Fabiana Cesana, 37, descobriu o espaço. Uma loja recuada, quase escondida, na rua da Consolação. "Sabia exatamente o que faria ali." Mesmo diante do prenúncio, ela ainda trabalhou na comunicação do selo Natasha Records e só em 1997 resolveu rumar para Paris e transformar em profissão sua aptidão gourmand. "A avó da minha mãe tinha um hotel em Minas e fazia uma perna de cabrito de derreter. E eu sempre gostei de comer", conta ela, que diz ser freqüentadora do Ritz "desde os primórdios do punk em São Paulo".
Ao contrário dos renomados cozinheiros da nova onda, a cozinha de Fabiana, que teve formação na escola da Prefeitura de Paris, é extremamente técnica. Pesos e medidas corretíssimos, sem uma pitada a mais ou a menos. Talvez seja essa precisão alquímica que a impeça de cozinhar em casa. "Quando saio daqui, meu menu é o sanduíche de pernil do Estadão."
Suas outras paixões, a arte e o design, são carros-chefes da casa --além, é claro, do pescado com crosta de castanha caramelizada e polenta de wasabi.
Na entrada, impossível passar desatento pelo portão de ferro com inspiração no do museu Guggenheim de Veneza. No bar, quase discretas, estão três poltronas de Sérgio Rodrigues e uma de Geraldo de Barros, ícones do design nacional. Entre o banheiro e a porta da cozinha, um aparador de fórmica preto-e-branco do ateliê de Lina Bo Bardi (1914-1992). "Os editores de moda gringos ficam loucos com o mobiliário", conta. E não termina: o uniforme da equipe foi desenhado pela Cavalera.
Misture tudo, acrescente as panelinhas que vão à mesa para que se besunte de molho os pratos, os arranjos de flores de Vic Meirelles, ao lado da pequena lousa com citações de Cecília Meireles e "voilá": o restaurante já foi cenário de diversos editoriais de moda pelo mundo.
Apesar do traço contemporâneo, Fabiana adora pratos tradicionais franceses. "Aqueles que demoram três dias para se conseguir um molho, como o fumê de peixe." O sonho da chef é ter um restaurante ainda menor. Hoje, o Sophia tem apenas 50 lugares, por isso, é bom reservar antes de baixar por lá.
Ou arriscar reproduzir em casa os truques de um dos pratos mais tradicionais do menu, o lombo de cordeiro ao molho de frutas do bosque e aspargos. "Superbe".
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